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Vitor Vogas

Capitão Assumção diz a que veio

Nas últimas sessões, tratou de confirmar expectativas em torno de sua atuação. Deve exercer um mandato voltado para a defesa da PM. Segundo e mais importante: dará trabalho ao governo Casagrande

Publicado em 14 de Fevereiro de 2019 às 00:56

Públicado em 

14 fev 2019 às 00:56
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

CHARGE Crédito: AMARILDO
 
O deputado Capitão Assumção (PSL) tem mostrado a que veio na Assembleia. Nas últimas sessões, tratou de confirmar duas expectativas em torno de sua atuação parlamentar. Primeiro: deve exercer um mandato monotemático, voltado para a defesa de pautas ligadas à Polícia Militar. A farda que faz questão de vestir em plenário não deixa dúvida quanto a isso. Segundo e mais importante: dará trabalho ao governo Casagrande. Um deputado só não faz verão, e Assumção talvez tenha dificuldade em formar maioria em torno de suas bandeiras. Mas já está a fincá-las no local que escolheu para concentrar sua atuação: a tribuna.
Nas últimas duas sessões, ele fez pronunciamentos incisivos, nos quais mordeu os calcanhares do governador. O deputado, aparentemente, não está satisfeito. Nem pretende se contentar com “pouco”.
Já veio o polêmico projeto da anistia administrativa aos PMs que participaram da greve de fevereiro de 2017 (movimento do qual Assumção foi acusado de ser um dos líderes). Ontem, após pedido de urgência do próprio Assumção, a Assembleia aprovou outro projeto enviado por Casagrande e que atende a um pleito da categoria: o alargamento do prazo para publicação da lista para promoção de policiais e bombeiros em 2019. 
A lista deveria ser publicada até amanhã. Com o projeto, o prazo foi jogado para até 30 de abril, o que dará a Casagrande tempo hábil para cumprir outra promessa: mandar para a Assembleia o projeto, em fase de elaboração, que mudará os critérios para promoção de militares. Se o referido projeto for aprovado até abril, os novos critérios já valerão para os militares a serem promovidos em 2019.
Tudo, enfim, de acordo com as expectativas de Assumção e da categoria, certo? Não, não é o que parece.
Na terça, ele usou a tribuna para reclamar do fato de Casagrande não ter revelado, pelo menos não ainda, a minuta do projeto que mudará os critérios de promoção. Segundo Assumção, Casagrande precisa submeter o projeto ao debate com as associações de praças e de oficiais. Do contrário, disse ele, com todas as letras, o projeto será “ilegítimo”. É o caso de se ponderar: se o governador, comandante em chefe da PMES, não tiver legitimidade para enviar um projeto relacionado à tropa, quem terá?
De igual modo, Assumção tem batido na tecla de que o curso preparatório de sargentos, que passou a durar 900 horas com Hartung, precisa voltar a ter 600 horas. Nos dois casos citados, o que mais chama atenção é o tom, meio dúbio, de “quem avisa amigo é”. “Estou alertando o governador”, tem repetido o deputado.
Ao lado das cobranças diretas, o deputado fardado reafirma “o compromisso de dar governabilidade a Casagrande” e diz estar tentando ajudá-lo a “não ser induzido a erro mais uma vez, como no governo passado”. Implicitamente, há sempre um “mas” ou um “senão”. Tipo: “Estou tentando te ajudar, mas...”; “Preste atenção no que te digo, senão...”
Ontem, também em tom de advertência, ele chegou a dizer que Casagrande “pode ficar numa situação difícil” e “numa saia justa” se não discutir o projeto das promoções com as entidades de classe antes de mandá-lo para a Assembleia. “A responsabilidade vai cair sobre os deputados e sobre o governador Renato Casagrande. E isso a gente não pode admitir. Esse novo projeto de lei de promoção tem que ser debatido exaustivamente.” Vontade real de cooperar ou pequena chantagem implícita?
A sequência do mandato o dirá. Por ora, jaz a certeza de que Assumção será uma voz constante na tribuna. Voz constante a ecoar na cabeça do governador.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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