O PSOL no Espírito Santo tem uma debilidade organizativa grande. Tem a ver com o nosso tamanho. É um partido pequeno. E, aliás, a gente espera agora crescer no Espírito Santo. A gente espera, inclusive, ter o meu mandato como uma referência e uma oportunidade para ampliar esse partido em várias outras cidades. Acho que a primeira coisa a dizer é isso. É um partido pequeno, portanto sempre encontrou muitas debilidades financeiras, organizativas. Vale dizer que, para tocar um partido no Brasil, a gente tem uma série de requisitos, inclusive financeiros, legais, burocráticos mesmo. E o PSOL sempre teve muitas debilidades e isso sempre dificultou muito a nossa organização. Então a gente espera que, com essa vitória, isso possa alavancar a construção partidária, no sentido de ampliar. E, ampliando-se, o partido recebe mais recursos da direção nacional, consegue construir melhor o seu funcionamento de diretórios, ter sede e ter uma estrutura. Isso é uma coisa. A outra coisa me parece que tem muito a ver como a forma como o PSOL faz política mesmo. A gente sempre negou essa lógica de coligações muito pragmática estabelecida na política eleitoral brasileira. E no Espírito Santo é muito difícil. A gente sempre fez este debate: “Mas vamos fazer coligação com qual partido? O partido tal está vinculado ao grupo tal, que está ligado aos interesse tal...” Então a gente sempre negou também essa forma de fazer política muito pragmática, que vamos fazer coligação porque vamos ter tempo de televisão ou porque vamos receber tanto de recursos. A gente sempre criticou isso. O que aconteceu? A legislação eleitoral foi alterada. Essa alteração acabou com as coligações nas chapas proporcionais, então é nesse contexto que somos eleitos. Já tinham antes acabado com o financiamento empresarial de campanha. Isso era outra coisa: na época em que havia essa forma de financiamento, nós não aceitávamos dinheiro de empresários. Nós dizíamos: “Quem paga a banda, escolhe a música”. E isso sempre dificultou muito a construção das nossas campanhas também. Esse é outro aspecto importante. Então tivemos uma mudança na legislação que, na nossa avaliação, nós que somos um partido pequeno e ideológico, isso contribui para que o partido seja mais viável do ponto de vista eleitoral. Estou aqui justificando e entendo perfeitamente as questões que você coloca e acho que o PSOL precisa, sim, amadurecer politicamente, mantendo os seus princípios, mantendo a sua coerência de não ficar fazendo alianças. Mas a gente precisa avançar. A gente precisa ter chapas completas, por exemplo. A gente precisa ter mais pessoas que queiram ser candidatas pelo PSOL, que encontrem nesse partido uma viabilidade política e programática. E esse é o nosso desafio no Espírito Santo. Eu estou otimista que conseguiremos. E a ideia é que o nosso mandato seja uma ponte para esse salto político e organizativo. O nosso mandato nos traz, inclusive, essa responsabilidade. Temos sido muito cobrados no sentido de ampliar o partido, de ter um partido que dispute, por exemplo, eleição, para ter uma candidatura viável. Nós queremos e estamos empenhados para dar esse salto.