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Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica aqui, diariamente, informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

Bruno Lamas: “Audifax não me apoiar é um tanto quanto egoísta”

Secretário estadual de Trabalho garante que, na Serra, ele é o candidato do PSB à sucessão de Audifax. E alfineta: "Não há a menor hipótese de prévia. O PSB da Serra é diferente do PSB de Vitória. O PSB da Serra sabe o que quer”

Publicado em 13/02/2020 às 04h00
Atualizado em 13/02/2020 às 04h02
Bruno Lamas não desistiu de obter o apoio de Audifax Barcelos na Serra. Crédito: Amarildo
Bruno Lamas não desistiu de obter o apoio de Audifax Barcelos na Serra. Crédito: Amarildo

Bruno Lamas se lançará a prefeito da Serra neste sábado (15), em encontro estadual do PSB. Em entrevista à coluna, faz um apelo pelo apoio de Audifax Barcelos (Rede) – que dificilmente virá –, convida-o para se filiar ao PSB, mas alfineta o prefeito: "O melhor caminho para ele é me apoiar. Qualquer outro caminho, posso afirmar, é um tanto quanto egoísta".

Também sobram alfinetadas para Cabo Porto (o vereador quer ser candidato ao mesmo cargo pelo PSB) e para o próprio partido em Vitória, onde, na próxima segunda-feira (17), será realizada uma prévia entre Sergio Majeski e Sérgio de Sá para os socialistas decidirem quem é o seu pré-candidato a prefeito da Capital:

“Pelo PSB, o candidato a prefeito da Serra é Bruno Lamas. Torço para que o Cabo Porto fique e tenha sucesso na sua reeleição. É um bom candidato na reeleição de vereador. Mas o ambiente no PSB está muito ruim para ele. E não há a menor hipótese de prévia. O PSB da Serra é diferente do PSB de Vitória. O PSB da Serra sabe o que quer”, sapeca Lamas.

Com 42 anos de vida, sendo 26 de militância no partido do governador Renato Casagrande, o deputado estadual licenciado foi vereador por dez anos na Serra (de 2001 a 2004 e de 2009 a 2014). Desde 2015, faz parte da bancada do PSB na Assembleia Legislativa . Em 2016, com Audifax hospitalizado, ele e o PSB foram às ruas da Serra fazer campanha pela reeleição do redista.

Em fevereiro de 2019, Lamas licenciou-se do mandato para chefiar, na equipe de Casagrande, a Secretaria de Estado de Trabalho, Assistência e Desenvolvimento Social (Setades). No início de abril, voltará ao Legislativo. E, a partir daí, intensificará os preparativos para a candidatura.

Por falar em preparativos, Lamas diz já ter assegurado o apoio do DEM – presidido na Serra por seu irmão mais novo, Adalton Morais – e do Partido Verde (PV).  Confira mais detalhes na entrevista completa do pré-candidato: 

O senhor lança candidatura a prefeito neste sábado?

O PSB fará um encontro estadual no Cerimonial Porto Belo, em Jardim Limoeiro, neste sábado, a partir das 8h30. O tema do evento já fala por si: “Partiu 2020”. Todos que pretendem disputar a eleição terão direto a fala. Na minha fala, eu vou me lançar. Será o momento em que farei o lançamento da minha pré-candidatura a prefeito da Serra.

A candidatura, então, é para valer?

Serei candidato. Meu propósito é esse. Preciso chegar no momento das convenções lá na frente [em julho] com uma candidatura viável, tendo conversado com a cidade, o que farei a partir deste sábado. Vivi a Setades. Temos entregas importantes a fazer ainda. Na primeira semana de abril, volto para a Assembleia, onde gosto de atuar. Sou legislador. E, naturalmente, estarei mais presente nas ruas da Serra.

O senhor tem totais garantias por parte da direção estadual?

Totais. Totais. Sou membro da executiva estadual. Tenho o incentivo e a aprovação do PSB, tanto da executiva estadual como da municipal. Sou filiado ao PSB desde os 16 anos. Hoje tenho 42. Todos os meus mandatos, desde 2001, na Câmara da Serra e na Assembleia, foram pelo PSB.

E o apoio do prefeito Audifax Barcelos? O senhor ainda conta com isso?

Gostaria muito de ter o apoio dele. Gosto muito do Audifax. Tenho relação muito boa com ele. Temos conversado. Se ele não me der esse apoio, vamos dar prosseguimento a esse projeto e tocar a vida. Há uma expectativa de que ele possa nos ajudar, retribuindo o apoio que nós demos a ele em 2016. Antes daquela eleição, recebi o convite do PSB para disputar a Prefeitura da Serra. Audifax me chamou para uma conversa e me disse: “Você é novo. Estou mais preparado. Me ajuda. Se nós dois formos candidatos, vamos dividir forças. Se você vier, vou perder”. E eu não fui candidato. O PSB foi determinante para a vitória dele em 2016. O Renato [Casagrande] foi importantíssimo. O [então governador] Paulo Hartung estava com Sérgio Vidigal. Audifax não gosta que eu diga isso, mas, na campanha da Serra em 2016, fui para as ruas de muletas e rodei a cidade inteira conversando com as pessoas, convencendo as pessoas de que ele era a melhor opção. E eu estava certo. Olha a cidade hoje: é um canteiro de obras! Não me arrependo de nada. Acho ele um excelente prefeito.

O senhor o considera devedor?

Não. Considero que apoiar minha candidatura é o melhor caminho para ele. Significa que ele participará da gestão da cidade, terá direito a opinar. Qualquer outro caminho, posso afirmar, é um tanto quanto egoísta da parte dele. Estamos juntos nesta cidade há mais de oito ano. Fui vereador da base dele. Seu apoio a mim seria o caminho natural, mais curto. E, politicamente, seria importante para ele.

Por quê?

Acho que ele deveria voltar para o PSB. Já fiz inclusive o convite publicamente para ele retornar ao PSB, de onde nunca deveria ter saído. Foi o partido que o acolheu quando ele rompeu com Vidigal [em 2008]. Voltando ao PSB, ele poderia até ser candidato ao Senado pelo partido em 2022.

O senhor acredita mesmo nisso?

É lógico! Seria um nome praticamente imbatível. Quem sabe um dia ele poderia disputar o governo?

E quanto a Renato Casagrande? O senhor espera ter o apoio pessoal do governador?

Vou te responder assim: se Renato votasse na Serra, votaria em mim. Conheço Renato desde os 16 anos. Agora, ele tem um papel a cumprir como governador, e eu respeito isso. O PSB está convicto da minha candidatura. Agora, ele tem a prioridade de governar o Espírito Santo, e já deixou isso muito claro para mim e para todos. A forma como ele vai atuar nas campanhas ele vai decidir mais à frente. Pode ser que ele não participe do processo.

Com quais partidos na Serra o senhor já tem aliança assegurada?

Além do PSB, tenho o DEM e o PV. No caso do DEM, o deputado Theodorico Ferraço me deu a palavra há um ano e nunca pestanejou. Só tenho a agradecer a ele. É um dos homens com a palavra mais firme que conheço no Espírito Santo. Vamos ganhar as eleições na Serra, e o DEM foi o primeiro partido a me dar a mão. No caso do PV, estreitei a relação na equipe de governo com o presidente estadual dos verdes, o [secretário estadual de Meio Ambiente] Fabrício Machado.

Sérgio Vidigal (PDT) tem percorrido a cidade, se reunido com eleitores em associações de bairro. O senhor tem convicção de que o deputado será candidato?

Agora eu vou começar o meu trabalho. O trabalho que eles estão fazendo, agora eu vou começar o meu. Então eles que se preparem porque estou muito disposto.

E sua mãe, a atual vice-prefeita Márcia Lamas (PSB), o que fará nesse processo?

Será meu cabo eleitoral número um. Vai andar 24 horas comigo. Será minha conselheira.

Em caso de vitória, terá lugar na sua gestão?

Não. Minha mãe é pedagoga do Estado e professora da Serra, aposentada.

Não conseguindo se eleger prefeito, o senhor pode ser candidato à presidência da Assembleia em 2021?

Não penso nisso, não. Quero ganhar a eleição aqui.

E quanto ao Cabo Porto, vereador da Serra pelo PSB, que também postula a legenda para ser candidato a prefeito do município?

Sem chance. Ele tem vaga para disputar a reeleição dele pelo partido. O que tem reservado para ele é a vaga para disputar a reeleição.

E o senhor acha que ele vai se contentar com isso?

Considero ele um bom vereador. Pelo PSB, o candidato a prefeito é Bruno Lamas.

Acha que ele pode buscar outra legenda, na janela a ser aberta em março?

Será que ele fará uma besteira dessa? Acho que ele tem juízo, né? Ir para onde? Qual legenda aceita vereador com mandato? É difícil. Torço para que ele fique. Mas, se não quiser ficar, ele tem uma chance agora em março. O que posso te dizer é que, pelo PSB, o candidato a prefeito é Bruno Lamas. Torço para que ele fique e tenha sucesso na reeleição. É um bom candidato na reeleição de vereador. Mas o ambiente no PSB está muito ruim para ele.

Alguma hipótese de prévia na Serra, como fará o PSB de Vitória na próxima segunda-feira (17)?

Nenhuma. O PSB de Serra é diferente do PSB de Vitória. O PSB da Serra sabe o que quer.

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