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Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica aqui, diariamente, informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

Base aliada de Hartung se segura por um fio

Desde a última segunda-feira, quando Hartung tornou pública a decisão, são claros os esforços dos partidos da base aliada a fim de evitar que suas forças se dispersem em um "salve-se quem puder" e um "agora é cada um por si"

Publicado em 16/07/2018 às 06h29
O bloco aliado se equilibra como pode para conter o desmoronamento. Crédito: Amarildo
O bloco aliado se equilibra como pode para conter o desmoronamento. Crédito: Amarildo

Ante o terremoto provocado pelo anúncio do governador Paulo Hartung (MDB) de que não será candidato à reeleição, o bloco aliado se equilibra como pode para conter o desmoronamento. Desde a última segunda-feira, quando Hartung tornou pública a decisão, são claros os esforços dos partidos da base aliada a fim de evitar que suas forças se dispersem em um “salve-se quem puder” e um “agora é cada um por si”. Mas nada garante que a unidade será mesmo preservada como declaram alguns dirigentes desses partidos integrantes da base (MDB, PSDB, PSD, PRB, PROS, PMN, PTB, PRP, Patriota e PTC).

Isso porque essa unidade dependia fundamentalmente da figura de Paulo Hartung, polo em torno do qual esses partidos se aglutinavam. Passava também diretamente pela expectativa de que ele seria candidato à reeleição, cenário com o qual todos os aliados trabalhavam. Agora, com o grande líder fora da disputa, a coesão do grupo é ameaçada por possíveis discordâncias internas, pelo fato de que cada partido vai buscar o que for melhor para si e, acima de tudo, pelo fortíssimo assédio que outros candidatos ao governo passaram a exercer sobre as siglas da base.

A desistência de Hartung foi o toque da corneta para Rose de Freitas (Podemos) e Renato Casagrande (PSB). Diretamente ou por meio de interlocutores, ambos têm sondado partidos governistas até então fechados com Hartung. Muitos de tais partidos revelam disposição para abrir novas frentes de diálogo, pois o que eles realmente priorizam, sobretudo os partidos menores, é a eleição de deputados estaduais e federais. Sem Hartung no páreo, a tendência é que essas agremiações fechem apoio com o candidato ao governo que lhes garanta a melhor acomodação em chapas proporcionais para a Assembleia e para a Câmara dos Deputados.

Para “segurar” a base governista, uma maratona de reuniões entre os partidos que a compõem tem ocorrido desde terça-feira passada. Embora tenha manifestado a intenção de se manter o mais distante possível das articulações de chapa, Hartung faz a sua parte para preservar a coesão da base, usando o cargo e a posição institucional. Na quarta-feira, recebeu no Palácio Anchieta os mais de 20 deputados estaduais que apoiam seu governo. No dia seguinte, foi a vez dele receber mais de 60 prefeitos.

Só que, paralelamente, o anúncio do governador também deflagrou uma onda de conversas entre partidos de oposição e partidos da base.

Tome-se por exemplo Serjão Magalhães, presidente estadual do PTB. O ex-vereador de Vitória teve até cargo no governo em 2017 (foi subsecretário estadual de Trabalho). Mas agora, como muitos, faz uma espécie de jogo duplo. Tem participado de todas as reuniões dos dirigentes dos dez partidos fechados com o governo e chegou a apresentar uma opção para substituir Hartung: o empresário e professor da Fucape Aridelmo Teixeira, filiado em março ao PTB.

Mas isso não o impediu de se reunir com Casagrande na tarde da última quinta-feira, ao lado de representantes de outras siglas pequenas: PSC, PV, PPL, Avante (ex-PTdoB) e PTC (também presente nas reuniões dos partidos da base). O detalhe é que, horas antes, Serjão havia participado de reunião na sede do PSD com os partidos da base aliada de Hartung, oferecendo nome de Aridelmo.

Serjão não é o único, é claro. Estão todos conversando com todos. O jogo eleitoral está zerado.

Magno: “Vinde a mim”

O evento da Assembleia de Deus no último sábado provou que Magno Malta (PR) é a noiva do momento, cobiçada por quase todos os candidatos a governador. Rose de Freitas (Podemos) e Casagrande (PSB) compareceram ao evento, de olho nos votos dos evangélicos, mas sobretudo buscando uma aliança com Magno Malta, o melhor cabo eleitoral entre os neopentecostais.

Apoio formal

A Convenção das Assembleias de Deus no Estado do Espírito Santo (Cadeeso) oficializou apoio à candidatura de Magno ao Senado. Os pré-candidatos que procuraram a Cadeeso também foram apresentados no sábado aos pastores e tiveram oportunidade de fala.

Pregação de Casagrande

No encontro dos pastores da Assembleia de Deus, Casagrande fez discurso de cunho bastante religioso. Lembrou das chuvas de dezembro de 2013, época em que as igrejas deram as mãos ao governo. “Isso é ter diálogo com a sociedade. Meu compromisso é com a humildade. Mais que pedir apoio, vim pedir a força espiritual de vocês para o Estado retomar a democracia.”

Vai um açaí?

O prefeito de São Mateus, Daniel da Açaí (PSDB), é quem tem aparecido em todas, de maneira avulsa. Na última quinta-feira, foi visto almoçando com o vice-governador César Colnago (PSDB) em restaurante na Enseada do Suá. No sábado, fez uma aparição no finzinho do evento da Assembleia de Deus.

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