Correção
11/11/2020 - 8:24
Na primeira versão desta coluna, publicada às 15h43 desta quarta-feira (11), escrevemos que "o filho 03" do presidente Jair Bolsonaro está usando recursos do Fundo Eleitoral na atual campanha. Mas a coluna diz respeito ao vereador Carlos Bolsonaro, que, pela nomenclatura dada pelo próprio presidente, é, na verdade, o seu "filho 02". O "03" seria o deputado federal Eduardo Bolsonaro. Ou seja, erramos a ordem dos filhos. A informação foi corrigida às 20h24 desta quarta.
Candidato a prefeito de Vitória, o deputado estadual Capitão Assumção (Patriota) está pedindo aos eleitores, em sua propaganda de rádio e TV, para não votarem em candidatos que utilizem recursos públicos para financiar a campanha, via Fundo Eleitoral (apelidado de “Fundão”). Indo além, Assumção tem exibido um vídeo curto em que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) “lança uma campanha” exortando os brasileiros a não votarem em quem usa o Fundão. Campanha legítima. O problema é que um membro do próprio clã Bolsonaro está usando recursos dessa fonte condenada pelo pai e também por Capitão Assumção.
O presidente não deve ter visto a prestação de contas do próprio filho à Justiça Eleitoral, mas o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos), candidato à reeleição na cidade do Rio de Janeiro, já declarou ter arrecadado R$ 22.125,00, em recursos estimáveis, oriundos do Fundo Eleitoral e repassados pela campanha do prefeito Marcelo Crivella (também do Republicanos). Esse valor foi usado para custear material de campanha de Carlos (adesivos e cards).
Embora constem como “recursos estimáveis”, a fonte original desses recursos é o chamado Fundão. Assim, mesmo que indiretamente (e mesmo que o próprio Carlos nem soubesse da origem dos recursos), a campanha do filho 02 usou mais de R$ 20 mil do Fundo Eleitoral do Republicanos para bancar material de campanha no Rio de Janeiro. As informações estão todas disponíveis na página oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Seguindo à risca essa lógica, se Assumção e o próprio Jair Bolsonaro defendem que os eleitores não votem em quem está usando o Fundão, também estão pedindo ao eleitor carioca para não reeleger Carlos Bolsonaro, um dos beneficiários dessa fonte de financiamento público de campanha.
É o perigo das generalizações.
HERKENHOFF: AJUDA A PAZOLINI
A campanha do deputado Lorenzo Pazolini (Republicanos) a prefeito de Vitória usou um depoimento do advogado Henrique Herkenhoff, dando praticamente um atestado de bom caráter e integridade sobre o candidato. A escalação de Herkenhoff também tem um peso simbólico, porque seu depoimento foi dado no contexto do esforço do adversário Fabrício Gandini (Cidadania) em vincular Pazolini ao ex-presidente da Assembleia José Carlos Gratz.
O hoje advogado é ex-procurador da República e foi integrante da missão especial de combate ao crime organizado no Espírito Santo, no auge da chamada Era Gratz.
HERKENHOFF: AJUDA A LUIZ PAULO
Curiosamente, essa é a segunda participação direta de Henrique Herkenhoff na disputa eleitoral em Vitória. Representando Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), foi ele o autor do recurso em favor do ex-prefeito, acolhido no início de agosto pelo vice-presidente do Tribunal de Justiça do Estado (TJES), José Paulo Calmon Nogueira da Gama, que, na prática, liberou Luiz Paulo para concorrer à Prefeitura de Vitória. Em setembro, Luiz Paulo não conseguiu a legenda do PSDB, mas estava apto para disputar, graças a essa decisão.
CÂMARA DE VITÓRIA ARQUIVA IMPEACHMENT
Na sessão desta terça-feira (10), o plenário da Câmara de Vitória decidiu arquivar duas denúncias, movidas separadamente pelos advogados André Moreira (PSOL) e Carlos Zaganelli (DEM) – ambos candidatos a vereador – contra o prefeito Luciano Rezende (Cidadania), por causa da realização do comício de campanha de Gandini, com a presença de Luciano, diante de cerca de 2 mil pessoas, no dia 2 de novembro, no clube Álvares Cabral. Moreira e Zaganelli pediam a instauração de processo de cassação do mandato do prefeito. Trocando em miúdos, pediam o impeachment do prefeito.
Se a Câmara tivesse recebido a denúncia, deveria ter formado Comissão Processante constituída por cinco vereadores. Mas a maioria votou pelo arquivamento, definido por 7 votos a 5. Para que a denúncia fosse aceita, eram necessários oito votos (maioria absoluta).
A DIVISÃO (ELEITORAL) DOS VOTOS
Votaram pelo arquivamento os aliados do prefeito: Luiz Emanuel (Cidadania), Denninho (Cidadania), Vinicius Simões (Cidadania), Luiz Paulo Amorim (PV), Wanderson Marinho (PSC), Max da Mata (Avante) e Nathan Medeiros (PSL). O último é candidato a vice-prefeito de Gandini. O penúltimo é coordenador da campanha.
Do lado derrotado, votaram pelo recebimento da denúncia os adversários de Luciano e Gandini: Sandro Parrini (DEM), Roberto Martins (Rede), Davi Esmael (PSD), Mazinho (PSD) e Neuzinha de Oliveira (PSDB). Os dois últimos são candidatos a prefeito contra a situação.
Opositor de Luciano e apoiador de Pazolini na disputa pela prefeitura, o presidente da Casa, Clebinho (DEM), não votou, conforme o Regimento Interno, mas fez questão de registrar que, se pudesse, teria votado pela aceitação da denúncia.
JÁ ASSEMBLEIA ARQUIVA A EDUCAÇÃO
Enquanto isso, na Assembleia Legislativa, a sessão desta quarta-feira (11) foi marcada por uma cena constrangedora. Deve ser a tensão pré-eleitoral. Durante um pronunciamento de Sergio Majeski (PSB), vazou um áudio de Theodorico Ferraço (DEM), que falava ao telefone com alguém enquanto participava da sessão remotamente.
Em alto e bom som, pôde-se ouvir o deputado de Cachoeiro dizendo xingamentos da pior espécie ao seu interlocutor. Majeski ficou como se vê na foto abaixo. E depois pediu desculpas aos espectadores que tiveram que ouvir aquilo. Theodorico, motivo de toda a confusão, parece nem ter reparado.
NÃO CUSTA NADA PEDIR…
Calma, gente!