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Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

Assumção pede para não votarem em quem usou Fundão. Mas o 02 usou…

E mais: a dupla participação de Henrique Herkenhoff na campanha a prefeito da Capital; Câmara de Vitória arquiva pedido de cassação de Luciano Rezende; baixaria na Assembleia Legislativa

Publicado em 11/11/2020 às 15h43
Atualizado em 11/11/2020 às 20h31
Capitão Assumção e Carlos Bolsonaro
O deputado estadual Capitão Assumção (Patriota) e o vereador do Rio Carlos Bolsonaro (Republicanos). Crédito: A Gazeta e Renan Olaz/CMRJ / Montagem: Vitor Vogas

Correção

11 de Novembro de 2020 às 20:24

Na primeira versão desta coluna, publicada às 15h43 desta quarta-feira (11), escrevemos que "o filho 03" do presidente Jair Bolsonaro está usando recursos do Fundo Eleitoral na atual campanha. Mas a coluna diz respeito ao vereador Carlos Bolsonaro, que, pela nomenclatura dada pelo próprio presidente, é, na verdade, o seu "filho 02". O "03" seria o deputado federal Eduardo Bolsonaro. Ou seja, erramos a ordem dos filhos. A informação foi corrigida às 20h24 desta quarta.

Candidato a prefeito de Vitória, o deputado estadual Capitão Assumção (Patriota) está pedindo aos eleitores, em sua propaganda de rádio e TV, para não votarem em candidatos que utilizem recursos públicos para financiar a campanha, via Fundo Eleitoral (apelidado de “Fundão”). Indo além, Assumção tem exibido um vídeo curto em que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) “lança uma campanha” exortando os brasileiros a não votarem em quem usa o Fundão. Campanha legítima. O problema é que um membro do próprio clã Bolsonaro está usando recursos dessa fonte condenada pelo pai e também por Capitão Assumção.

O presidente não deve ter visto a prestação de contas do próprio filho à Justiça Eleitoral, mas o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos), candidato à reeleição na cidade do Rio de Janeiro, já declarou ter arrecadado R$ 22.125,00, em recursos estimáveis, oriundos do Fundo Eleitoral e repassados pela campanha do prefeito Marcelo Crivella (também do Republicanos). Esse valor foi usado para custear material de campanha de Carlos (adesivos e cards).

Embora constem como “recursos estimáveis”, a fonte original desses recursos é o chamado Fundão. Assim, mesmo que indiretamente (e mesmo que o próprio Carlos nem soubesse da origem dos recursos), a campanha do filho 02 usou mais de R$ 20 mil do Fundo Eleitoral do Republicanos para bancar material de campanha no Rio de Janeiro. As informações estão todas disponíveis na página oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Seguindo à risca essa lógica, se Assumção e o próprio Jair Bolsonaro defendem que os eleitores não votem em quem está usando o Fundão, também estão pedindo ao eleitor carioca para não reeleger Carlos Bolsonaro, um dos beneficiários dessa fonte de financiamento público de campanha.

É o perigo das generalizações.

HERKENHOFF: AJUDA A PAZOLINI

A campanha do deputado Lorenzo Pazolini (Republicanos) a prefeito de Vitória usou um depoimento do advogado Henrique Herkenhoff, dando praticamente um atestado de bom caráter e integridade sobre o candidato. A escalação de Herkenhoff também tem um peso simbólico, porque seu depoimento foi dado no contexto do esforço do adversário Fabrício Gandini (Cidadania) em vincular Pazolini ao ex-presidente da Assembleia José Carlos Gratz.

O hoje advogado é ex-procurador da República e foi integrante da missão especial de combate ao crime organizado no Espírito Santo, no auge da chamada Era Gratz.

HERKENHOFF: AJUDA A LUIZ PAULO

Curiosamente, essa é a segunda participação direta de Henrique Herkenhoff na disputa eleitoral em Vitória. Representando Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), foi ele o autor do recurso em favor do ex-prefeito, acolhido no início de agosto pelo vice-presidente do Tribunal de Justiça do Estado (TJES), José Paulo Calmon Nogueira da Gama, que, na prática, liberou Luiz Paulo para concorrer à Prefeitura de Vitória. Em setembro, Luiz Paulo não conseguiu a legenda do PSDB, mas estava apto para disputar, graças a essa decisão.

CÂMARA DE VITÓRIA ARQUIVA IMPEACHMENT

Na sessão desta terça-feira (10), o plenário da Câmara de Vitória decidiu arquivar duas denúncias, movidas separadamente pelos advogados André Moreira (PSOL) e Carlos Zaganelli (DEM) – ambos candidatos a vereador – contra o prefeito Luciano Rezende (Cidadania), por causa da realização do comício de campanha de Gandini, com a presença de Luciano, diante de cerca de 2 mil pessoas, no dia 2 de novembro, no clube Álvares Cabral. Moreira e Zaganelli pediam a instauração de processo de cassação do mandato do prefeito. Trocando em miúdos, pediam o impeachment do prefeito.

Se a Câmara tivesse recebido a denúncia, deveria ter formado Comissão Processante constituída por cinco vereadores. Mas a maioria votou pelo arquivamento, definido por 7 votos a 5. Para que a denúncia fosse aceita, eram necessários oito votos (maioria absoluta).

A DIVISÃO (ELEITORAL) DOS VOTOS

Votaram pelo arquivamento os aliados do prefeito: Luiz Emanuel (Cidadania), Denninho (Cidadania), Vinicius Simões (Cidadania), Luiz Paulo Amorim (PV), Wanderson Marinho (PSC), Max da Mata (Avante) e Nathan Medeiros (PSL). O último é candidato a vice-prefeito de Gandini. O penúltimo é coordenador da campanha.

Do lado derrotado, votaram pelo recebimento da denúncia os adversários de Luciano e Gandini: Sandro Parrini (DEM), Roberto Martins (Rede), Davi Esmael (PSD), Mazinho (PSD) e Neuzinha de Oliveira (PSDB). Os dois últimos são candidatos a prefeito contra a situação.

Opositor de Luciano e apoiador de Pazolini na disputa pela prefeitura, o presidente da Casa, Clebinho (DEM), não votou, conforme o Regimento Interno, mas fez questão de registrar que, se pudesse, teria votado pela aceitação da denúncia.

JÁ ASSEMBLEIA ARQUIVA A EDUCAÇÃO

Enquanto isso, na Assembleia Legislativa, a sessão desta quarta-feira (11) foi marcada por uma cena constrangedora. Deve ser a tensão pré-eleitoral. Durante um pronunciamento de Sergio Majeski (PSB), vazou um áudio de Theodorico Ferraço (DEM), que falava ao telefone com alguém enquanto participava da sessão remotamente.

Em alto e bom som, pôde-se ouvir o deputado de Cachoeiro dizendo xingamentos da pior espécie ao seu interlocutor. Majeski ficou como se vê na foto abaixo. E depois pediu desculpas aos espectadores que tiveram que ouvir aquilo. Theodorico, motivo de toda a confusão, parece nem ter reparado.

Majeski ficou assim, petrificado, ao ouvir palavrão vazado de conversa de Theodorico Ferraço
Majeski ficou assim, petrificado, ao ouvir palavrão vazado de conversa de Theodorico Ferraço. Crédito: Reprodução TV Ales

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