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Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

Ibope: Arnaldinho é ameaça real para Max Filho e Neucimar em Vila Velha

Com baixíssima rejeição e a dez pontos dos líderes na pesquisa Ibope, vereador se apresenta como alternativa viável para o eleitor que busca uma "cara nova" e não quer votar de jeito nenhum no prefeito ou no ex-prefeito

Publicado em 16/10/2020 às 05h02
Atualizado em 16/10/2020 às 12h49
Arnaldinho persegue Max Filho e Neucimar em Vila Velha
Arnaldinho persegue Max Filho e Neucimar em Vila Velha. Crédito: Amarildo

O desempenho do vereador Arnaldinho Borgo (Podemos) é o ponto a ser sublinhado na primeira pesquisa A Gazeta/Ibope sobre a disputa pela Prefeitura de Vila Velha. Essa é a informação que me fez parar e dizer “opa, temos algo aqui”, ao passar os olhos pelos números. Não, Arnaldinho não é o líder dessa primeira pesquisa, divulgada nesta quinta-feira (15), a exatos 31 dias do 1º turno. Ele não é nem o 2º colocado. Na verdade, está em 3º lugar e, se a eleição fosse hoje, estaria fora do 2º turno. Por que, então, julgamos imprescindível colocar a lupa sobre o vereador?

Para resumir: potencial de crescimento. Arnaldinho desponta como ameaça real aos dois medalhões, Max Filho e Neucimar Fraga, que, para nenhum surpresa, saem na liderança.

Na intenção de voto estimulada, o levantamento do Ibope traz o prefeito Max Filho (PSDB) em 1º lugar, com 26%, tecnicamente empatado com o ex-prefeito Neucimar Fraga (PSD), citado por 24% dos entrevistados. Em seguida vem Arnaldinho, com 14%. E bem atrás, Mônica Alves (PSOL) e Amarildo Lovato (PSL), com 3% cada um, seguidos por outros com ainda menos menções.

A disparada inicial de Max e Neucimar está dentro do normal e do esperado. O que explica essa liderança dos dois arquirrivais na primeira perna da corrida é o recall político da dupla. Após tantos mandatos exercidos e eleições disputadas, ambos estão mais que presentes na memória do eleitorado canela-verde.

Desde o ano 2000, essa é a 9ª eleição disputada por Neucimar (só não esteve nas de 2004 e de 2010). Foi prefeito de 2009 a 2012, não conseguiu se reeleger e, desde então, disputou (e perdeu) todas. Quanto a Max, do ano 2000 para cá, esse é o 7º pleito a que ele concorre. Isso sem contar os vários que disputou antes, para vereador, prefeito e deputado estadual.

Ocorre que toda essa rodagem política tem seus bônus e ônus. E, se o bônus é a lembrança, o ônus é o desgaste, a fadiga de material, que se reflete no índice de rejeição bem alto no caso de Neucimar (36%) e espantoso no caso de Max (44%). É muita gente pré-disposta a não votar de jeito nenhum nos dois (lembrando que, nesta pergunta, o entrevistado podia citar mais de um nome).

E aí aparece Borgo, que, vale a rima, está no jogo. Na estimulada, ele parte de um bom patamar. Max e Neucimar já o veem pelo retrovisor. Ao contrário dos dois medalhões, o vereador tem rejeição muito baixinha: só 7%. Esses dados, combinados, significam um potencial maior de crescimento. Arnaldinho certamente não é tão conhecido como Max e Neucimar, mas isso pode contar a seu favor, e ele não pode ser subestimado.

Para não ir muito fundo, basta dizer que Arnaldinho é o candidato a vereador mais votado da história de Vila Velha, feito atingido por ele em 2016: 5.392 votos. Em 2012, em sua primeira eleição para a Câmara, teve 2.027. Cresceu muito em quatro anos.

No dia 3 de outubro, em entrevista à coluna, o presidente estadual do MDB, Lelo Coimbra, lamentou muito a perda de Arnaldinho para o Podemos. Não perdoa o deputado Hércules Silveira, presidente do partido em Vila Velha, por ter negado legenda ao vereador, forçando-o a migrar para o Podemos e depois levando o MDB para a chapa de Neucimar. “É um rapaz que sabe se articular”, elogiou-o Lelo.

Outro ponto relevante é que, ainda que num estilo às vezes meio espalhafatoso, Arnaldinho fez um mandato inteiro de oposição a Max na Câmara de Vila Velha. E Max, repito, está muito rejeitado. Arnaldinho pode capitalizar essa rejeição ao prefeito, apresentando-se como o maior crítico da atual gestão no Legislativo municipal, nos últimos anos.

O desenho geral da pesquisa também o favorece, numa disputa com excesso de candidatos (11). Lá na frente, sobressai a dupla de veteraníssimos da política local. Lá atrás, muito atrás (de 3% para baixo), os outros oito competidores. Enquanto isso, Arnaldinho brota ali, isoladão, exatamente no meio da corrida, posicionado entre os dois corredores de elite e o pelotão de retardatários. Oferece-se, assim, como alternativa realmente viável a Max e Neucimar.

Então, vendo essa pesquisa, se eu sou um eleitor de Vila Velha que busca "renovação política", ou pelo menos uma "cara nova", se eu não quero de jeito nenhum votar de novo nos dois que estão na ponta, vou procurar quem são as outras opções. E aí todos os outros candidatos estão muito lá embaixo. Um ou outro até pode crescer, mas há pouco tempo para isso, e haja anabolizante para um candidato hoje atrofiado, com 3% ou menos, ganhar tanta musculatura.

Por eliminação e até por uma questão de voto útil, Arnaldinho pode vir a atrair os votos de quem não deseja votar nem em Max nem em Neucimar, mas não quer “desperdiçar o voto” em alguém que está muito lá embaixo, aparentemente sem chances.

NUEVO, PERO NO MUCHO

Entre Neucimar e Max, o vereador de 37 anos pode emergir como “a novidade”, ainda que, diga-se de passagem, não seja uma cara política assim tão nova e ainda que essa “renovação” no caso dele (como em tantos outros casos) possa ser bastante relativizada.

Para começar, Arnaldinho Borgo é filho de político: seu pai era Arnaldo Borgo, falecido há pouco tempo, chefe da Ciretran Vila Velha e vereador da cidade nos anos 1980, pelo MDB e pelo grupo de Gerson Camata e de Max Mauro (pai, por sua vez, de Max Filho). Pessoalmente, o vereador carrega alguns trejeitos de político experiente. Além disso, está encerrando o seu 2º mandato consecutivo na Câmara: oito anos de vereança. Na gestão Rodney Miranda, chegou a ser secretário municipal de Assistência Social.

Enfim, politicamente, ele pode até ser um “não tão novo” disfarçado de “novíssimo”, mas pelo menos é mais jovem, nunca foi prefeito e não se chama nem Max nem Neucimar. Conforme indica a pesquisa Ibope, são esses fatores que ele pode usar a seu favor para crescer e chegar na dupla Neucimax.

Bom lembrar, ainda, que o eleitor de Vila Velha é exigente (ou, se o leitor preferir, “mal-humorado”) e não reelege um prefeito desde 2004 (o próprio Max Filho).

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