O exercício do jornalismo não é fácil, mas às vezes nos proporciona momentos muitos especiais e a oportunidade de conhecer personagens bem marcantes. Nenhum deles até hoje me marcou tanto como a senhora Leopoldina Nascimento, ou, simplesmente, dona Leopa, que se foi na madrugada desta sexta-feira (9), aos 115 anos de idade. Por mais de uma década, a velhinha simpática, sempre com um sorrisão no rosto, ostentou o "título" de eleitora mais velha do Espírito Santo.
Sua história de vida se confunde com a do Brasil República. Era um exemplo de simplicidade, bom-humor, lucidez e consciência política. Até o fim, fez questão de ir às urnas, a cada dois anos. Assim, a cada par de anos, entrevistar a senhora negra, filha de escravos, era uma espécie de agradável tradição da Editoria de Política.
Em duas dessas oportunidades, nas eleições de 2008 e 2014, fui o repórter responsável por entrevistá-la. Na última ocasião, em um asilo em Cariacica, promovemos um encontro único, entre ela e o adolescente Calebe. O rapaz (também negro) completaria 16 anos no dia da votação, o que o tornava o eleitor mais jovem do Espírito Santo naquele pleito. Desse encontro nasceu poesia (gênero amado por ela). E é a história desse abraço, a última vez que vi dona Leopa, que recontamos abaixo, em versos:
Poema para Dona Leopa - parte 1
Poema para Dona Leopa - parte 2