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Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

Aliança do PSB com a Rede mantém Sérgio Sá vivo na eleição em Vitória

Vice-prefeito terá como vice Laís Garcia, porta-voz da Rede, na eleição a prefeito da Capital. Entenda os bastidores dessa composição, na qual pesaram fortemente a conjuntura nacional e a vontade de Marina Silva de formar uma frente de centro-esquerda para 2022

Publicado em 11/09/2020 às 05h04
Laís Garcia (Rede) será vice na chapa de Sérgio Sá pela Prefeitura de Vitória
Laís Garcia (Rede) será vice na chapa de Sérgio Sá pela Prefeitura de Vitória. Crédito: Amarildo

Sacramentada na noite desta quinta-feira (10) nas respectivas convenções municipais, a aliança em Vitória da Rede Sustentabilidade (partido de Audifax Barcelos) com o PSB (partido de Renato Casagrande) tem um resultado prático incontestável: apoiado agora pela Rede, o vice-prefeito, Sérgio Sá (PSB), está mais vivo que nunca na disputa pela Prefeitura de Vitória.

A chapa já foi batida: ao seu lado, Sá terá como candidata a vice-prefeita a professora Laís Garcia, porta-voz estadual e nacional do partido de Marina Silva. A coligação, à qual podem chegar outras siglas, já tem até nome: “Vitória Um Passo Adiante”. Além da Rede e do PSB, já conta com o PROS e com o Partido da Mulher Brasileira (PMB).

Além de questões práticas locais, pesaram muito a favor desse arranjo o atual cenário político nacional, a correlação de forças durante o governo Bolsonaro e a proximidade entre as duas legendas no chamado “campo progressista”.

Ao lado de outras siglas (PV e PDT, sobretudo, além do Cidadania), Rede e PSB estão juntas, desde o primeiro semestre, em um movimento de oposição a Bolsonaro chamado “Janelas pela Democracia”, que pode culminar com a formação de uma frente única de centro-esquerda em torno de um mesmo candidato à Presidência da República em 2022.

Nunca é demais lembrar que, em 2014 – ainda sem a Rede oficialmente homologada pelo TSE –, Marina Silva concorreu à Presidência, pela segunda vez, pelo PSB, que lhe emprestou sua legenda e lhe deu abrigo temporário para poder disputar aquela eleição. Inicialmente, Marina seria vice do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos. Com a morte de Campos, em agosto de 2014, ela ascendeu à cabeça da chapa, ficando em 3º lugar naquela corrida presidencial.

A influência da conjuntura nacional dessa aliança local em Vitória ficou patente nesta quinta-feira, durante a convenção da Rede, realizada de maneira on-line. Para não deixar dúvida quanto à união de forças, o PSB participou da convenção na “tribuna de honra”, representado pelo presidente do partido em Vitória, Juarez Vieira, e pelo próprio Sá, que discursou já na condição de companheiro de chapa da redista Laís Garcia.

Em nome da Rede, além de Laís e do presidente municipal da sigla, Gean Jaccoud, participaram as suas principais autoridades estaduais e nacionais, como o prefeito da Serra, Audifax Barcelos, o senador Fabiano Contarato, o porta-voz nacional, Pedro Ivo, e Marina Silva em pessoa.

Em quase todas as falas, foi destacada precisamente a afinidade ideológica e programática que une as duas legendas. A ideia foi sintetizada nesta declaração dada por Marina: "Vitória é uma espécie de selo dessa aliança que estamos construindo em outras partes do país". De acordo com a ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente, a aliança agora concretizada na capital capixaba deve servir como “exemplo”:

"Estamos dando um sinal para o Brasil. É possível uma união desse campo que estamos tentando construir. A Rede, o PSB, o PDT, o PV, o Cidadania... esses partidos estão dialogando. E aí a gente vê vocês realizando isso em Vitória na prática. Porque uma coisa é a gente discutir isso nacionalmente. É quase uma abstração. Outra coisa é vermos concretamente essa aliança acontecer, como vocês estão fazendo em Vitória. Serve de exemplo para o resto do Brasil."

Como se vê, visando ao fortalecimento de uma frente única de centro-esquerda para a corrida presidencial de 2022, Marina gostaria de ver alianças entre esses partidos citados por ela (ou pelo menos parte deles) em outras cidades importantes nessas eleições municipais. Mais que projeções para o futuro, a ex-ministra ressaltou o passado político recente que estreitou a relação entre Rede e PSB, quando da sua passagem temporária pelo partido do falecido Eduardo Campos e do governador Renato Casagrande, também enaltecido por ela:

"Acho que uma aliança com o PSB aí é voltar um pouco às origens. Tenho muita gratidão pelo gesto que o Eduardo fez quando a Rede teve o registro negado [em 2014]. O Eduardo, o Carlos Siqueira [presidente nacional do PSB], o Casagrande, que é um amigo que tenho da época em que atuamos no Senado [2007/2010, mas Marina foi ministra do Meio Ambiente em parte desse período]. Tenho essa gratidão e esse reconhecimento."

Em Vitória, o Cidadania tem candidato próprio a prefeito: o deputado estadual Fabrício Gandini, apoiado pelo atual prefeito, Luciano Rezende (do mesmo partido). O PV está na coligação de Gandini. O PDT, também citado por Marina, ainda não se definiu em Vitória.

LAÍS GARCIA

Em sua fala, a agora vice de Sérgio Sá, Laís Garcia, também sublinhou os pontos de contato entre a sua Rede e o PSB do vice-prefeito: "Quando a Rede era só um movimento, o PSB foi um dos primeiros a reconhecer a Rede como partido", salientou a ex-secretária de Direitos Humanos, de Assistência Social e de Meio Ambiente da Serra.

Ela também enfatizou que as duas agremiações estão juntas nacionalmente no movimento “Janelas pela Democracia”. “As alianças são feitas dentro do campo das ideias e dos programas", salientou, chamando Marina de “mantenedora de sonhos”.

CONTARATO

"O PSB tem identidade, sim, com a Rede. A luta pela inclusão de todos tem que ser premissa para todos os partidos", também enfatizou o senador Fabiano Contarato.

SÉRGIO SÁ

Sérgio Sá não fugiu à regra: "Nossa sinergia e nossa identidade ideológica vão nos fortalecer e nos tornar gigantes nessa caminhada."

Mas ele também não deixou de ressaltar o benefício mais prático de tal aliança para ele: a de segurá-lo firme no páreo – segundo ele, “mais seguro” – em um momento decisivo: o de separar quem é quem neste processo eleitoral, quando algumas candidaturas se mantêm enquanto outras não restam de pé:

"A nossa aliança vai nos fortalecer e nos tornar competitivos para apresentarmos o nosso programa de governo construído a quatro mãos. Estou muito feliz e muito mais seguro com a parceria da Laís e de vocês. Vamos oferecer à cidade de Vitória um novo momento, com uma cidade muito mais inclusiva, humana, inteligente e sustentável."

MÁQUINA DE ELOGIOS

Cumprindo à risca o que se espera de um candidato a prefeito que acaba de receber uma adesão importante, Sérgio Sá, na convenção da Rede, foi uma verdadeira máquina de distribuir elogios a todos os novos aliados eleitorais.

Para Marina Silva: "Para todos nós é uma referência. Pautou sua vida na ética e nos interesses coletivos, sobretudo nos dos mais vulneráveis. É muito importante para o Brasil e para o mundo."

Para Contarato: “Orgulha muito a todos os capixabas. Todo capixaba tem que se orgulhar de ter um senador como o senhor."

Para Audifax: “É um prefeito diferenciado."

Para Roberto Martins: “Brilhante vereador."

Mas foi para Laís Garcia que ele reservou as palavras mais abonadoras: “Tenho que estudar e me capacitar porque, para caminhar do lado dela, tenho que ter metade do potencial dela."

RETRIBUIÇÃO

Candidata a vice-prefeita na chapa do vice-prefeito, Laís Garcia retribuiu: “Gostaria de apresentar [Sérgio Sá] a vocês com muito carinho. Tem muita competência técnica. Foi vereador, foi secretário. Conhece a cidade. Sabe das necessidades da cidade. Pode contar com a gente, Sérgio. Vamos levantar essa bandeira, pois entendemos que temos identidade programática e temos projetos para apresentar à cidade."

AUDIFAX BARCELOS

Audifax desejou força aos novos parceiros de chapa em Vitória: “São dois jovens sérios e íntegros, que têm muito a oferecer à Capital. Muita força para os dois!" Chamou Sá de "nosso futuro prefeito" e Laís de "nossa vice-prefeita".

Como curiosidade, após celebrar o casamento da Rede com o PSB e de Laís Garcia com Sá, o prefeito foi cuidar do seu. Pediu licença a todos e saiu da sala virtual antes do fim da convenção, pois era o aniversário da primeira-dama, Mara Barcelos. “Vou dar uma volta com ela.”

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