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Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente, informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

Alexandre Quintino: "Sou candidato à presidência da Assembleia"

Desafiando Erick Musso, aliado de Casagrande se apresenta como alguém capaz de dar ao governo "estabilidade" na relação com o Legislativo. Ele também descreve a nova cara que quer dar ao PSL no ES: "conservadorismo moderado, sem fanatismo nem extremismo"

Publicado em 15/07/2020 às 05h02
Atualizado em 15/07/2020 às 11h16
Alexandre Quintino está de olho na cadeira hoje ocupada por Erick Musso
Alexandre Quintino está de olho na cadeira hoje ocupada por Erick Musso. Crédito: Amarildo

O deputado estadual Alexandre Quintino não tem nada contra o atual presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso (Republicanos). Mas quer se sentar na cadeira hoje ocupada por Erick. Presidente estadual do PSL desde março, Quintino é pré-candidato à presidência da Assembleia na próxima eleição da Mesa Diretora – no momento, marcada para fevereiro de 2021. E verbaliza isso: “Eu me declaro pré-candidato à presidência da Mesa”.

Para suceder Erick Musso, o coronel da reserva da PMES (que não concorre a nada na eleição municipal de novembro) espera atrair o apoio de um aliado muito importante: o governador Renato Casagrande (PSB), que pode e deve ser o cabo eleitoral mais decisivo na próxima eleição interna do Legislativo estadual. Deputado de primeiro mandato, Quintino quer convencer o governador de que ele é a melhor opção para lhe assegurar algo essencial para o Poder Executivo: estabilidade política na relação com o Legislativo.

Na entrevista de Quintino à coluna, reproduzida abaixo, chamamos a atenção do leitor justamente para este detalhe: num aceno forte ao Palácio Anchieta, que também corresponde a uma alfinetada em Erick, o deputado enfatiza o termo “estabilidade” e vincula a si mesmo a esse conceito (implicitamente, em oposição ao atual presidente):

“Existe uma relação de confiança entre a minha pessoa e o governador. Ele sabe que a minha postura hoje como deputado e, se eu vier a ser o presidente da Assembleia, não será uma postura de instabilidade. E o que se busca em alguém que exerça a presidência de um Poder, além de conhecimento e sensatez, é a estabilidade de comportamento.”

Por que isso é uma espetada em Erick? Por causa do traumático episódio, não totalmente esquecido no Palácio Anchieta, em que o atual presidente da Assembleia antecipou e realizou, em 27 de novembro do ano passado, a eleição da Mesa que ficaria à frente da Casa no biênio 2021/2023, antecipando em mais de um ano a sua própria recondução à presidência. Isso foi feito à revelia do governador, que, muito contrariado, mobilizou outras instituições e usou toda a sua influência política para reverter esse desfecho.

A eleição foi invalidada, e a questão da data se encontra sub judice. No último dia 8, em 1º grau, a Justiça Federal decidiu que a eleição deverá ocorrer na data estipulada pelo texto original da Constituição Estadual de 1989: 1º de fevereiro de 2021 (o 3º ano da atual legislatura). Mas a decisão, tomada em ação movida pela OAB-ES, só passa a valer se for referendada pela 2ª instância – no caso, o TRF-2.

Seja qual for a data, Erick é pré-candidatíssimo à reeleição. Mas o acordo que ele tinha com Casagrande (de não interferência do Palácio em sua reeleição) é considerado zerado por interlocutores do governador. E, aproveitando essa brecha, Quintino agora se coloca, buscando pregar em Erick a ideia de instabilidade e, em si mesmo, a ideia oposta.

Em tempo: desde o fim do ano passado, Erick se empenha em reconstruir a boa relação institucional com o governo, muito abalada no citado episódio. Até que ponto conseguirá restabelecê-la? A resposta pode vir na próxima disputa interna da Casa de Leis, na qual Erick agora tem Quintino, mais do que nunca, como concorrente declarado. Um concorrente mais ligado politicamente ao governador do que ele.

Confira, abaixo, a entrevista de Alexandre Quintino, na qual o deputado também fala da nova cara que quer dar ao PSL no Espírito Santo, a partir do conceito de “conservadorismo moderado”: direita sim, mas sem fanatismo nem extremismo.

Sob a sua direção, como presidente estadual, o “novo PSL” hoje apoia o governo Casagrande?

Esse “novo PSL” é um PSL independente e que vai trabalhar com isenção. A gente apoia as ações estruturantes do governo do Estado. A gente apoia as ações que venham a trazer benefícios coletivos. Mas o PSL não é um partido preso aos interesses do governo, como alguns estão falando pejorativamente. Muito pelo contrário: é um partido independente.

E do ponto de vista político-ideológico? Sob a sua presidência, como podemos caracterizar o PSL agora no Espírito Santo? Continua sendo, essencialmente, um partido de direita?

O PSL continua sendo um partido conservador. Mantém a mesma ideologia do PSL. Porém, sem extremismo e sem fanatismo. Nós estamos na direita, mas uma direita sóbria, sensata, equilibrada. O fanatismo traz uma cegueira e o extremismo traz um excesso. Então não queremos trabalhar nem com fanatismo nem com extremismo, e sim no “conservadorismo moderado”.

“Conservadorismo moderado”. O senhor poderia explicar melhor esse conceito?

O nosso conservadorismo e a nossa preservação da família passam pelo respeito às pessoas, pelo respeito às divergências, pelo respeito ao contraditório, pelo respeito às escolhas. Em alguns momentos, o extremismo ultrapassa a discordância e adentra a agressão, quer seja verbal, quer seja física. Esse conservadorismo que nós estamos preferindo é aquele no qual prevalece o respeito às pessoas e à dignidade da pessoa humana, independentemente da escolha que ela tenha.

Mudando de assunto, o senhor se declara pré-candidato à presidência da Assembleia Legislativa, na próxima eleição da Mesa Diretora?

Eu me declaro pré-candidato à presidência da Mesa Diretora. Eu me considero pré-candidato à presidência.

E o senhor já está se articulando para isso, buscando apoios, conversando com os demais deputados? Acima de tudo, o senhor tem o apoio do governador Renato Casagrande para atingir esse objetivo?

Uma das minhas motivações para exercer essa função é que me sinto preparado para o exercício da presidência da Assembleia Legislativa, não só a nível de conhecimento como também a nível de articulação dentro da Assembleia. Eu sou muito bem articulado, tenho relacionamento com os meus pares de maneira muito respeitosa, e os meus pares também respeitam as minhas posturas e as minhas atitudes na Assembleia, inclusive as divergentes, dentro do respeito ao contraditório e nos limites da democracia. Quanto a apoio do governador, ele na verdade ainda não declarou apoio a nenhum candidato. Existe uma relação de confiança entre a minha pessoa e o governador. Ele sabe que a minha postura hoje como deputado e, se eu vier a ser o presidente da Assembleia, não será uma postura de instabilidade. E o que se busca em alguém que exerça a presidência de um Poder, além de conhecimento e sensatez, é a estabilidade de comportamento. E ele me conhece há muito tempo. Ele sabe que, pode até haver alguns momentos em que a Assembleia vai se posicionar de maneira contraditória à dele, mas tudo feito respeitando-se os princípios democráticos e de maneira estável.

O senhor está construindo esse apoio do governador diretamente com ele?

Não, eu tenho trabalhado na Assembleia Legislativa de maneira sóbria, de maneira correta, a ponto de que o governo olhe para mim e possa ver em mim uma pessoa com capacidade e idoneidade para assumir a função.

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