Afinal, o deputado estadual Marcelo Santos (Podemos) é ou não é candidato a prefeito de Cariacica na eleição de novembro? No momento, essa é a grande interrogação que paira no mercado político da cidade. E a resposta para ela pode redefinir os rumos do processo eleitoral no município. Perguntamos ao próprio Marcelo. Ele mantém o mistério:
“Hoje, a minha decisão é: 50% de ser candidato e 50% de não ser, por conta de toda a discussão que temos feito com o governo Casagrande e com os demais Poderes. São muitas questões que envolvem essa decisão, que pretendo tomar até o fim do mês.”
Ou seja, a decisão do deputado, por enquanto, é não ter decisão alguma. Mas ele estipula prazo pessoal para tomá-la: os próximos quinze dias.
Marcelo enfatiza que essa decisão está sendo tomada em diálogo estreito com Renato Casagrande (PSB), apresentando-se como um soldado leal do governador (e antigo, de outras guerras): “Eu não tenho relação com o governador há um ano, ou de agora. Tenho com ele uma relação que construí ao longo da minha vida pública. E nós temos dialogado muito sobre isso”.
“Isso” é a eventual candidatura a prefeito de Cariacica. Sem rodeios, o deputado afirma que a ideia conta com a simpatia do governador e que está conversando com Casagrande para que ele o ajude a encorpá-la. Mas ressalva que a nova ordem ditada pela pandemia pode mudar os planos:
“O governador sempre foi muito simpático à minha entrada na disputa em Cariacica. A gente tem uma relação muito forte com relação a isso. Mas, com o advento da pandemia, que pegou a todos nós de surpresa e gerou problemas enormes, a gente tem conversado isso par e passo.”
Na entrevista do deputado à coluna (reproduzida na íntegra abaixo), ele não chega a dizer isso textualmente, mas, preparando o terreno para possível desistência da candidatura, sinaliza que, para o próprio governo Casagrande, como esse parceiro que não tem faltado, ele pode ser mais útil atuando na Assembleia Legislativa nos próximos meses.
Marcelo enfatiza a importância que terá a Assembleia durante a próxima fase da pandemia e, principalmente, no período pós-pandemia, no que tange à votação de projetos fundamentais que o Palácio Anchieta deverá enviar à Casa de Leis, relacionados, inclusive, a um ajuste fiscal que será inevitável para responder à queda sem precedentes, já observada este ano, na arrecadação estadual.
"Como é que vai se comportar a receita no ano que vem? Como é que será a peça orçamentária do próximo ano? Tudo isso vai cair no colo da Assembleia. E aí o que tenho discutido com o governador: vamos avaliar isso. Os prazos eleitorais foram alterados. Então tem um tempo ainda para eu maturar isso e dialogar mais, como tenho feito, com os Poderes…"
Para resumir, se for mesmo candidato a prefeito, Marcelo acredita que o será com o apoio do governo estadual. Mas, se não o for e continuar cooperando com o Palácio Anchieta na Assembleia, ele garante que vai apoiar em Cariacica outro candidato que também esteja integrado ao projeto político-eleitoral liderado por Casagrande no Espírito Santo.
“Se eu for, eu não tenho dúvidas de que terei o apoio do Palácio. Se eu não for, eu, juntamente com o governo, estarei apoiando uma candidatura, porque não serei omisso.”
Confira abaixo a entrevista completa do deputado.
Deputado, o senhor disputará novamente a Prefeitura de Cariacica?
Não tenho a decisão firmada. No cunho pessoal, a minha vontade é ser candidato. Mas, pela experiência que adquiri ao longo destes anos todos de vida pública, não posso dizer que a minha vontade se sobrepõe aos problemas que vamos enfrentar. Tenho conversado muito com o governador Renato. Não agora, mas desde lá de trás. Ele sempre foi muito simpático à minha entrada na disputa em Cariacica. A gente tem uma relação muito forte com relação a isso. Mas, com o advento da pandemia, que pegou a todos nós de surpresa e gerou problemas enormes, a gente tem conversado isso par e passo. Além das mortes, dos nossos irmãos e irmãs que morreram, a pandemia gerou complicações, como alterações na legislação e no calendário eleitoral. Somado a isso, a Assembleia naturalmente será palco agora de muita coisa, ainda neste ano e no ano que vem. Serão decisões que poderão no primeiro momento soar antipáticas, mas serão decisões que teremos que tomar e que serão importantes para o futuro do Estado.
Como o quê? Ajuste fiscal?
Ajuste fiscal, não tenha dúvida disso. Muita demanda em cima do governo, porque a sociedade, por mais que ela entenda que estamos vivendo uma pandemia, quando a curva de queda do contágio chegar a um nível bem tolerável, ela vai continuar cobrando saúde, educação, segurança, no mesmo nível que cobrava antes da pandemia. E o Estado tem que dar uma resposta. Para dar resposta, ele terá que começar a definir uma relação de prioridades muito mais afinada. E aí você já tem um corte de 20%, do próprio pulso do governador, no orçamento de 2020. Como é que vai se comportar a receita no ano que vem? Como é que será a peça orçamentária do próximo ano? Tudo isso vai cair no colo da Assembleia. E aí o que tenho discutido com o governador: vamos avaliar isso. Os prazos eleitorais foram alterados. Então tem um tempo ainda para eu maturar isso e dialogar mais, como tenho feito, com os Poderes…
Se estou entendendo direito, se o senhor for candidato a prefeito, o senhor quer ser o candidato do Palácio Anchieta?
Não é que eu queira ser o candidato do Palácio Anchieta. Eu tenho uma relação estreita com o governador, que não é de agora. Então, naturalmente, se eu firmar a decisão de ser candidato, naturalmente eu tenho a simpatia do governador e do Palácio Anchieta. Eu não estou aqui brigando por essa questão. Estou aqui dizendo da minha relação, que é de muitos anos. Eu não tenho relação com o governador há um ano, ou de agora. Tenho com ele uma relação que construí ao longo da minha vida pública. E nós temos dialogado muito sobre isso. Então, hoje, a minha decisão é: 50% de ser candidato e 50% de não ser, por conta de toda essa discussão que temos feito, com o governo e com os demais Poderes. São muitas questões que envolvem essa decisão, que pretendo tomar até o fim do mês.
Até o fim de julho?
Eu quero tomar até o final de julho.
Em contrapartida, se essa sua decisão for a de não ser candidato a prefeito, o que fará o senhor na eleição em Cariacica? Nesse caso, o senhor pode ou até deve apoiar um candidato a prefeito também integrado a esse movimento do Palácio Anchieta?
Se eu for, eu não tenho dúvidas de que terei o apoio do Palácio. Se eu não for, eu, juntamente com o governo, estarei apoiando uma candidatura, porque não serei omisso.
Mas necessariamente uma candidatura que também faça parte desse movimento político-eleitoral liderado pelo governador Renato Casagrande?
Claro! Eu não vou destoar dessa relação. Se eu tenho uma relação de compromisso e de fidelidade com ele, tenho tocado isso ao longo desse tempo todo, no governo anterior dele, no seu mandato de senador, quer dizer…
"E aí, eu não sendo candidato, vou seguir um caminho isolado? Não. Naturalmente, vou pedir a ele [Casagrande] que me ajude a encorpar esse projeto. E, eu não sendo, quero também fazer parte do grupo. Faço parte do grupo dele e quero encorpar também uma candidatura, caso eu não seja candidato."
Nesse caso, quem poderá contar com esse seu apoio? Euclério Sampaio, por exemplo?
Não tenho essa avaliação. Respeito todos os candidatos colocados. Não fechei porta para conversar com ninguém. Naturalmente vou conversar com o governador se a minha decisão for não. E se for sim, também, no mesmo caminho que te falei. Mas, não sendo candidato, eu quero discutir com ele e vou apresentar para ele as preocupações que tenho: principalmente, que seja alguém que tenha preparo, relacionamentos, alguém que possa agregar valor à cidade para que ela possa enfrentar os desafios que todo gestor vai enfrentar por conta da pandemia e dos seus efeitos.
Alguns líderes políticos de Cariacica acreditam que o senhor não será candidato a prefeito, entre outros motivos, porque, no fundo, pretende ser candidato à presidência da Assembleia na próxima eleição interna da Mesa Diretora. Isso está no seu radar?
Não, não está no meu radar. O nosso presidente é o Erick Musso, seguindo o caminho que ele está seguindo, de relacionamento estreito com o governo e, por mais que possa ter estremecido, realinhou essa relação. E tem a relação dele com o plenário. Desde a chegada do Erick à presidência, eu nunca postulei e não tenho plano de postular a presidência da Assembleia Legislativa.
E o seu candidato à presidência, então, é o Erick?
Hoje, nós não podemos nos dar ao luxo de pensar em nada em relação a isso. Mas o Erick tem o meu respeito, tem o meu carinho, e até então não apareceu nenhum nome que possa substituí-lo. Até então, ninguém apareceu para substituir o Erick.