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Virgínia Pelles

Rosa ou azul: o que falta para todo lado é o respeito

Devemos respeitar o direito à diversidade das expressões de gênero e à identidade biológica. E complemento: sejamos menos heteronormativos e mais receptivos

Publicado em 04 de Janeiro de 2019 às 20:09

Públicado em 

04 jan 2019 às 20:09
Virgínia Pelles

Colunista

Virgínia Pelles

Crianças brincando Crédito: Pixabay
A atual ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, também educadora, advogada e assessora parlamentar, disse “menino veste azul e menina veste rosa”. E não o menino TEM que vestir azul e a menina TEM que vestir rosa. Ela apenas se utilizou de uma figura de linguagem, a metáfora, assim como usam ao classificar o Outubro Rosa (uma campanha de conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama) e o Novembro Azul (uma campanha de conscientização sobre doenças masculinas, com ênfase na prevenção precoce do câncer de próstata).
Infelizmente, muitos falam, mas poucos conhecem o assunto a fundo, vamos lá tentar resumidamente entender isso:
Sexo biológico: é a genitália, devido a combinação de cromossomos, que se definem fêmea (XX), macho (XY) e intersexo/intersexual = hemafrodita (é qualquer variação de caracteres sexuais, incluindo cromossomos, gônadas e/ou órgãos genitais que dificultam a identificação de um indivíduo como totalmente feminino ou masculino). No último caso, podemos classificar em 3 situações: hermafroditismo verdadeiro, as crianças nascem com os dois órgãos sexuais bem formados, possuindo os órgãos internos e externos de ambos os sexos, incluindo ovários, útero, vagina, testículos e pênis; pseudo-hermafroditismo masculino, a criança nasce como do sexo masculino (cromossomos XY) embora os órgãos sexuais externos não se desenvolvam completamente; pseudo-hermafroditismo feminino, a criança nasce como do sexo feminino (cromossomos XX), embora o clitóris desenvolva-se excessivamente adquirindo um formato semelhante a um pênis (clitoromegalia).
Identidade de gênero: é como a pessoa se reconhece, como mulher, homem ou nenhum deles, independentemente de sua anatomia. Vamos às classificações: pessoas que acreditam que essa identidade corresponde ao sexo biológico, ao qual se nasce são classificadas como cisgêneros, e para outras pessoas que têm uma expressão ou identidade de gênero diferente a do sexo atribuído são os transgêneros. Ser transgênero é algo independente da orientação sexual. Podem se identificar como assexuais (nenhuma ou raros momento de atração sexual), bissexuais (atração por pessoas do mesmo gênero e do gênero oposto), heterossexuais (atração pelo gênero oposto), homossexuais (atração pelo mesmo gênero) ou pansexuais (atração por todos os gêneros). E os transexuais são pessoas que sentem que sua identidade de gênero é diferente do seu sexo biológico, algumas apresentam até desejo de mudar seu corpo, através de cirurgias e/ou tratamentos.
Uma observação:
Lésbica é a designação atribuída a mulheres homossexuais, bissexual é a atração por todos os gêneros, gay é a designação dada a homens homossexuais, trans é a designação dada às pessoas transgêneros e transexuais, intersexo é designação dada a uma pessoa que tem orgãos genitais/reprodutores (internos e/ou externos) masculinos e femininos, em simultâneo – por isso a sigla LGBTI.
Orientação sexual: refere se à sexualidade da pessoa e por quem ela sente atração afetivo – sexual. A orientação sexual não é necessariamente ligada ao gênero, podendo ser heterossexual, homossexual ou bissexual.
Expressão de gênero: diz respeito ao comportamento, forma de vestir, forma de apresentação, aspecto físico, gostos e atitudes. Podendo se expressar de uma forma ambivalente, uma combinação de traços físicos e aparência com ambos os sexos, e não permitir que identifique seu sexo claramente, sendo assim uma pessoa andrógina.
Heteronormatividade (do grego hetero, “diferente”;, e norma, “esquadro”; em latim): conceito ou ideologia de que somente os relacionamentos heterossexuais são normais, e desta forma acaba marginalizando e excluindo as orientações sexuais que se apresentam de forma diferente.
Homonormatividade: ação depreciativa como um homossexual se refere a outro, quando esse segundo não corresponde às normas sociais e comportamentais idealizadas pelo autor, em questão.
E por aí vai. Alguns falam em ideologia de gênero, afirmando que ninguém nasce homem ou mulher, menino ou menina, mas que cada indivíduo deve construir sua própria identidade.
Creio que falar em ideologia de gênero seja uma expressão errada, porque ideologia é a reunião de ideias do que um grupo considera politicamente correto, não é algo universal. O termo identidade atende melhor, pois se trata de como todos se veem e se sentem, de uma forma geral.
Por isso é preciso ter cuidado ao usar a expressão “ideologia de gênero”, pois discussões ligadas ao gênero (identidade de gênero) não se tratam de uma ideologia, mas sim de é um conjunto de valores e ideias sobre um assunto que atenda toda a todos.
E na verdade o que falta para todo lado é o respeito, pois devemos respeitar o direito à diversidade das expressões de gênero e à identidade biológica que estabelece que não existem pessoas iguais, somos únicos. E como disse uma amiga e também sexóloga Elaine Pessini: “Biologicamente, menino e menina estão bem definidos na barriga da mãe. Criança não pensa em sexo, o sexo e a ‘maldade’ estão na cabeça de nós, adultos. Explicando, menino é menino e menina é menina, isso é o sexo biológico, que diz respeito às características que têm ao nascer... Sejamos mais resilientes e menos resistentes”.
E complemento: sejamos menos heteronormativos e mais receptivos. A criança deve ser criança, tratada e respeitada como uma, independentemente de qualquer questão política, religiosa ou racial, assim como devemos respeitar as diferenças. Muitas pessoas não respeitam os religiosos por serem ateus, e vice-versa. Para um bem comum, o respeito deveria ser implementado e praticado por todos, só assim todos saem ganhando.
 

Virgínia Pelles

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