Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Virgínia Pelles

O dia em que uma mancha vermelha na camisa salvou meu casamento

Imediatamente o ciúme me cegou, mas havia uma explicação para a situação que só foi resolvida com o diálogo

Publicado em 25 de Março de 2019 às 19:35

Públicado em 

25 mar 2019 às 19:35
Virgínia Pelles

Colunista

Virgínia Pelles Virgínia Pelles
Crédito: Pixabay

Uma vez fui lavar uma camisa do meu marido e encontrei uma mancha vermelha. Perguntei à senhora que estava me ajudando com a casa: “O que será isso?” Ela, sem dúvidas, apenas confirmou o que já imaginava: batom. Nossa, eu estava grávida, meu chão abriu na hora. Naquela época me sentia muito insegura, era extremamente ciumenta. Não sabia o quanto minha imaginação mentia pra mim.

Sofria horrores imaginando coisas, criando “teorias e conspirações”. Liguei para o marido, falei até... posso dizer que o matei em palavras, pedi o divórcio. Vivenciava com minhas pacientes inúmeras traições no período da gestação, ele também sabia o quanto eu temia. E não aceitei.

Mas ele insistiu tanto, que chegou em casa e me perguntou o que havia na bolsa. Respondi: “Isso não interessa, mas só tinha uma sacola vermelha e a blusa”. Bem, depois de muito falar e brigar, entendi, era um dia de chuva, ele foi de moto com galocha plástica para o trabalho e esqueceu os sapatos, acabou se molhando muito, por conta disso comprou um par de sapatos (que vieram na sacola vermelha) e uma camisa, tirou a que estava molhada junto com a sacola na qual vieram os sapatos e colocou tudo na mochila. E a pergunta dele me fez refletir: “Você acha que traria para você lavar uma blusa suja de batom, ainda mais você estando grávida?” Fiz de tudo para a tal marca de “batom” sair, mas não saiu, era tinta mesmo, e tinha mancha em vários lugares, foi aí que dei conta de que havia pisado na bola. E no final acabei pedindo desculpas por tamanha falta de respeito de minha parte, acusei sem nem questionar, sem nem deixar ele se defender.

A pessoa ciumenta é assim mesmo, ela sente medo da perda, sente raiva quando as coisas saem do seu controle. Eu poderia não ter acreditado e colocado tudo a perder. Mas preferi me redimir. Meu maior erro durante muitos anos foi exigir a mudança dele, pois sempre o achei implicante e desrespeitoso, e o ciumento é assim, ele acredita que o outro tem que respeitar seu ciúme “louco”.

Mas quem tem o ciúme é que precisa mudar, na maioria dos casos não tem a ver com o comportamento do parceiro (a), mas tem a ver com o ciumento, pois essa pessoa tem baixa autoestima ou insegurança (e isso eu tinha de sobra). A baixa autoestima bloqueia o desenvolvimento do amor próprio, por conta disso surge o medo de ser abandonada, rejeitada ou trocada, sem perceber tudo isso, muitas pessoas se tornam possessivas e controladoras, sufocando dessa forma a outra pessoa com a qual se relaciona. E na maioria dos casos isso tudo vem atrelado a experiências anteriores, seja devido a decepções em relacionamento vividas pela pessoa que manifesta o ciúme ou mesmo com pessoas próximas a ela que tiveram problemas desse tipo, e o ciumento acabou acompanhando esse relacionamento, podendo até mesmo ser experiências vividas pelos pais.

Que fique claro que não se exclui a conduta do parceiro (a), até porque tem uns que só ajudam a piorar, se ele ou ela não é uma pessoa confiável, mentindo com frequência e deixando de ser transparente, isso só piora as coisas. Mas o que acontece muitas das vezes é que o ciúme estimula a conduta negativa do parceiro, principalmente se for uma pessoa implicante. Mas é importante tomar a culpa para si, só assim é possível identificar o erro e dessa forma corrigi-lo.

E a mudança começa por você e se inicia agora.O ciumento precisa entender o quanto é libertador. É necessário elevar a autoestima da pessoa ciumenta, trabalhar o amor próprio para que se possa elevar o nível de segurança emocional interna. O fato é que combater o excesso de ciúme não é uma tarefa fácil, mas o sucesso garante a redução das brigas por desconfiança, restabelecendo a paz e a confiança no relacionamento.

Trabalhar a rejeição e o abandono ajuda também, muitas pessoas sofreram rejeição paterna, outras foram rejeitadas pela mãe por uma gravidez indesejada, ou mesmo na infância a mãe tinha hábito de deixá-la em casa sozinha para trabalhar, por exemplo, e por mais que isso tudo possa parecer não ter relação, fica registrado no subconsciente (HD se fosse um computador) e sem perceber essas informações estão armazenadas em nós. E quando algumas pessoas ficam expostas a esses sentimentos reagem de forma ciumenta. Quando mais nos conhecemos mais fácil se torna o equilíbrio emocional, por conta do amor próprio, da segurança e da confiança. Consequentemente o ciúme terá menos espaço, até ser erradicado das nossas reações.

Virgínia Pelles

Virgínia Pelles Virgínia Pelles

{{ndFunctionFirstNotNull(post.original_author.attributes_map.descricao_de_colunista.value,post.original_author.biography)}}

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
5 dicas para escolher a roupa ideal para correr com conforto
Urna eleitoral, eleições
ES registra 47 denúncias de assédio eleitoral no trabalho em 2026
Manifestantes pedem justiça por motoboy morto em acidente em Colatina
Família e motoboys fazem protesto por morte de trabalhador em Colatina

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados

Fale com a gente

Escolha o canal de sua preferência para assinar A Gazeta ou tirar dúvidas.