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À Flor da Pelles

No sexo: não se compare e evite frustrações

A sexóloga Virgínia Pelles explica que muitas pessoas idealizam uma relação sexual no estilo “50 Tons de Cinza” e se esquecem que nos filmes tudo é ficção

Publicado em 28 de Fevereiro de 2020 às 15:22

Públicado em 

28 fev 2020 às 15:22
Virgínia Pelles

Colunista

Virgínia Pelles

É possível superar o desgaste do relacionamento e voltar a ter prazer Crédito: shutterstock
Muitas pessoas não possuem maturidade suficiente para terem redes sociais. Elas se frustram ao comparar o que veem na “timeline” com suas próprias vidas, esperando estilos de viver e relacionamentos que não são reais.
Por conta dessas frustrações, há quem apresente dificuldade em adquirir ou manter um estado de excitação sexual. Muitas pessoas idealizam uma relação sexual estilo “50 Tons de Cinza”, um relacionamento de filme romântico, mas esquecem que nos filmes só os finais são felizes. Idealizam momentos como os das fotografias de redes sociais e se cobram por não realizarem tudo aquilo. Fatores psicológicos como ansiedade, estresse e depressão, ligados algumas vezes a essas frustrações, colaboram com esse quadro.
A cobrança social tem sido tão grande, que mulheres se casam com o sonho de uma lua de mel perfeita e cinematográfica, mas acabam vivendo momentos de dor durante as relações sexuais. Algumas nem conseguem ter relação. Em alguns casos há associação com trauma sexual prévio, mas em outros são sentimentos de culpa e cobrança. É bom ressaltar que dor na relação sexual não é normal, mas é bem comum, por isso vale a pena procurar um profissional habilitado para um exame físico minucioso.
E no caso dos homens, muitos se sentem retraídos em procurar ajuda médica para problemas de caráter sexual. Quanto mais cedo assumirem que podem precisar de apoio e aconselhamento profissional, mais qualidade de vida ganham. É importante partilhar para não sofrer.
Para evitar as frustrações, o primeiro passo é a comunicação: converse sobre tudo o que sente, evite o distanciamento emocional e conflitos. Segundo, passe mais tempo fazendo coisas úteis, limite seu tempo nas redes sociais. Terceiro, se for comparar algo em sua vida, compare com os anos vividos anteriormente, nunca com a vida alheia, precisamos de parâmetros iguais para entrarmos em um processo comparativo. Quarto, aprenda que nem tudo que é postado é verdade, existem casais que vivem em guerra enquanto nas redes sociais são puro amor. Quinto, seja grato (a), pois “a gratidão é virtude das almas nobres” (Esopo). Vamos buscar uma vida mais livre, sem autocobranças e sem tanto sofisma.

Virgínia Pelles

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