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Paulo Gustavo: quem sempre nos fez rir, agora nos faz chorar

Sentir a morte do humorista é refazer o sentimento de perda, de saudade de muitos Paulos, Marias, Josés, Pedros, que deixam de brilhar no palco das nossas vidas para brilhar numa outra dimensão da existência

Publicado em 06/05/2021 às 02h00
O ator Paulo Gustavo
Paulo foi alguém mais do que presente no palco da cultura, se fez presente no palco da vida de muitos brasileiros. Crédito: Globo/João Miguel Júnior

A terça-feira (4) não terminou do modo que queríamos. Às 21h12 perdemos uma peça importante da cultura brasileira. Partiu do palco, da trama, das telas, ele, Paulo Gustavo. Quem arrancou tantas gargalhadas nossas, agora arranca lágrimas. Ao longo dos seus 50 dias de hospital, os brasileiros estiveram juntos, rezando, torcendo, enviado boas energias. Isso revelou que Paulo foi alguém mais do que presente no palco da cultura, se fez presente também no palco da vida de muitos brasileiros.

A morte trouxe à tona um Paulo Gustavo mais do que o ator de TV, mas alguém tão humano com a vida e tão sensível às causas da vida. O padre Julio Lancellotti revelou nas redes sociais que o humorista doou R$ 1,5 milhão para a construção do centro de tratamento de câncer. Segundo o padre, o ator doou os valores para as Obras Sociais Irmã Dulce (Osid).

"Muita gente não sabe, mas o ator Paulo Gustavo era grande benemérito das Obras Sociais Irmã Dulce (Osid). Paulo Gustavo doou R$ 600 mil para a construção de uma unidade de oncologia da Osid". Após o início das obras, o humorista voltou a doar. "Em 2017, quando a obra de construção iniciou, ele visitou o espaço. O apoio não parou por aí. Segundo a superintendente da Osid e sobrinha de Santa Dulce, Maria Rita, Paulo Gustavo doou à instituição um total de 1,5 milhão". Como realçou a Instituição da Irmã Dulce em publicação: “Com um coração grandioso, ele amou os pobres e doentes de Dulce, deixando suas pegadas na casa do Anjo Bom e sua presença nos corações dos acolhidos por ela”.

Paulo foi alguém muito além da “Minha Mãe é uma Peça”. Por isso, fiz questão de iniciar esse artigo dizendo que perdemos uma peça. Paulo foi uma das peças que a pandemia ceifou de nosso meio. Paulo foi uma das 400 mil peças que compunham o elenco de brasileiros - de anônimos a famosos -, que foram presença significativa na vida de muitos, e que a pandemia ceifou. Sentir a morte dele é refazer o sentimento de perda, de saudade de muitos Paulos, Marias, Josés, Pedros, que deixam de brilhar no palco das nossas vidas para brilhar numa outra dimensão da existência.

Hoje, somos convidados a assumir um gesto que antes era comum fazermos: dar uma salva de palmas. Sempre que uma peça de teatro ou uma apresentação termina, batemos palmas. Hoje é esse dia. Terminou uma grande peça no Brasil, mas a peça não terminou com aquelas gargalhadas, terminou com lágrimas emotivas, sentidas e saudosas. Hoje, vamos aplaudir um Paulo silenciado, um Paulo que passou a se esconder para sempre nas cortinas azuladas do infinito, brilhando como uma estrela no imenso palco do universo.

Por cada sorriso, por cada gargalhada, por cada gesto generoso, pela sensibilidade, por cada ser que seu jeito revelou existente em nós, por ter coragem de levar ao teatro uma vida real. Gratidão!

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta

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