Na última terça-feira (16), tiveram início as campanhas eleitorais. A partir de então, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva escolheu a porta de uma fábrica na Região Metropolitana de São Paulo para marcar o início oficial da campanha à Presidência da República. Já Bolsonaro iniciou sua campanha em Juiz de Fora, onde sofreu o atentado em 6 de setembro de 2018, quando fazia campanha de rua como candidato e participava de um ato no centro da cidade mineira. Simone Tebet iniciou falando com o setor da Cultura, na residência do casal Teresa e Cândido Bracher ligados ao Banco Itaú, na capital paulista. Já Ciro Gomes inicia campanha em bairro de São Paulo e defende renda mínima.
O objetivo de uma campanha eleitoral é sempre trabalhar a identificação do público para com o candidato e do candidato para com o público. E para entendermos esse processo precisamos compreender a imagem, o que cada um deles deseja passar a partir do seu programa estratégico, do seu caminho programático. Logo, para entendermos para onde vamos, precisamos dedicar o nosso olhar por onde eles começaram.
Por isso, fiz questão de iniciar o artigo de hoje trazendo manchetes do início da campanha, por onde elas começaram. Lula inicia na fábrica. Bolsonaro onde sofreu o atentado. Tebet na cultura, e Ciro na periferia. Claro, aqui estamos trazendo o nome das principais cabeças da corrida eleitoral, segundo as pesquisas e gráficos eleitorais. A partir desse início de cada um, podemos compreender o rumo e qual a imagem que eles desejam passar para seu público e seu eleitorado.
Precisamos sempre estar atentos ao fato de que em marketing tudo é estratégia, tudo é pensando, do aperto de mão à cor da gravata. Do olhar ao lugar em que estão sentados ou caminhando, das palavras, acenos e discursos.
O que esperar dessa campanha? Para onde vamos? Essa leitura sempre precisa ser feita com as lentes do hoje, portanto, da polarização. Eleições polarizadas são sempre diagramadas a partir de polos: temos um polo da direita e outro da esquerda. Ambos com argumentos e razões para estarem onde estão. Muito provavelmente esta campanha será mais de engajamento do que de conversão de eleitorado, uma campanha mais para endossar convicções do que atrair eleitores perdidos pelo meio.
Mas em campanha eleitoral tudo pode mudar, tudo pode acontecer. A partir dessa semana, gráficos e números passarão a fazer parte dos nossos dias. Lá no final poderemos chegar com um gráfico eleitoral diferente e alterado, mas também poderemos chegar com o mesmo cenário de hoje. Para onde vamos pode ser para onde a campanha vai.