ASSINE
É publicitário. Uma visão mais humanizada dos avanços tecnológicos e das próprias relações sociais tem destaque neste espaço. Escreve às quintas

Os 'influencers' e a internet como espaço de ideias polarizadas

On-line, as diferenças seguem sendo dizimadas por discursos carregados de ódio, vingança e luta por ideais individualizados

Publicado em 29/04/2021 às 02h00
Pessoa no celular
Todos viram na internet um espaço de exposição de si mesmo, das suas ideias, das suas crenças e suas carências. Crédito: Freepik

Já faz algum tempo que por aqui nos encontramos com o tema do julgamento do outro na internet, pessoas como juízes das outras, e por aí vai. Dado o crescimento dos chamados "influencers" (influenciadores digitais), bem como a onda polarizada que veio da direção da política e perpassa toda a nossa vida, torna-se interessante voltar ao ponto para pensar, analisar e sacar perguntas (ao invés de respostas) sobre algumas pregações que marcam presença na internet.

Hoje, existem influencers para tudo e para todos, e isso é crescente. Todos viram na internet um espaço de exposição de si mesmo, das suas ideias, das suas crenças e suas carências. Assim, nota-se em gênero inúmeras pessoas gastando energia para defender suas verdades frente às outras para ganhar likes, engajamentos e envolvimento. Nunca na História tantas pessoas gastaram tanta energia para terem razão.

Ter razão significa ter uma verdade para sustentar, repito, sustentar, porque todas as vezes que as verdades entram em confronto, geram atritos e terminam em ofensas e apuros ao invés de terminarem em compreensão e valorização das diferenças. As diferenças, por sinal, seguem sendo dizimadas por discursos carregados de ódio, vingança e luta por ideais individualizados.

Me recordo de uma jovem bem instruída que me dizia: “Já pensou se a internet fosse um espaço onde as diferenças pudessem viver em paz?”. Daí eu disse a ela: "Já pensou se as sociedades todas pudessem se achar, se harmonizar nas diferenças?”. Ela parou, me olhou e disse:  "Então a internet só está refletindo a sociedade, né?!”.

Pois é, o digital reflete o real. As redes externas revelam o nosso interno. É lei da vida! Por outro lado, a impressão da jovem bem instruída é a de todos nós: parece que a internet se tornou espaço absoluto para evidenciar o que não é tão bom numa sociedade. Por outro lado, precisamos pensar que a internet é extensão (para uma base) da sociedade, ela é feita pela sociedade e sendo assim, não dá para dissociar.

O que fazer diante disso? Esta é a pergunta: a tutela da situação está na minoria que acredita que tudo pode ser diferente e na nossa capacidade crítica de ver e pensar o mundo. Mas nunca, jamais, iremos construir criticidade vendo ou sustentando quem crê como nós, quem pensa como nós, ou tem os mesmos jeitos que os nossos.

É preciso expandir, nadar contra a maré, como diríamos no popular. Aliás, é nadando contra o mar que (com esforço e muito fôlego) chegamos a lugares mais profundos e menos turbulentos. Quanto mais profundidade, menos turbulência. Quem precisa gritar para defender, ser turbulento para gerir suas ideias, talvez possa estar dizendo que vive no raso. É preciso discernir: quem estamos ouvindo? Como estamos ouvindo? Quem é esse que me influencia?

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais
Internet Redes Sociais Tecnologia

Se você notou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, clique no botão e nos avise, para que possamos corrigi-la o mais rápido possível

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.