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É publicitário. Uma visão mais humanizada dos avanços tecnológicos e das próprias relações sociais tem destaque neste espaço. Escreve às quintas

Na pandemia, outro vírus se prolifera no Brasil: o da fome

Mais de 116 milhões de brasileiros não têm comida suficiente ou passam fome, enquanto o país ganha 11 novos bilionários na lista da Forbes

Publicado em 08/04/2021 às 02h00
Atualizado em 08/04/2021 às 02h02
Desigualdade social - Uma pessoa em situação de rua dorme sobre um colchão, debaixo de uma placa publicitária com foto de comida, em Campo Grande, Cariacica
Desigualdade social no Brasil: vírus da fome pode matar mais do que a Covid-19. Crédito: Fernando Madeira

Duas matérias se chocam e nos chocam nesse momento de pandemia, sobretudo. Uma diz respeito ao vírus da fome. Mais de 116 milhões de brasileiros não têm comida suficiente ou passam fome, realça pesquisa. A outra diz respeito ao vírus da riqueza: no ano da pandemia, Brasil ganha 11 novos bilionários na lista da Forbes, destacou o "Valor Econômico". E aí? O que isso tudo comunica para nós e para o mundo? Esse é o assunto do nosso artigo nesta quinta-feira (8).

Penso ser oportuno analisarmos três pontos sobre o cenário em questão. A princípio, podemos supor que, do ponto de vista humanitário, alguma coisa está desequilibrada na economia. A balança está pendida mais para um lado do que para o outro. Depois, podemos realçar a própria pandemia, que apenas escancarou o camuflado no que tange a miséria. Por fim, eu destacaria a própria sensibilidade humana.

A nossa economia vem carrilhando e descarrilhando significativamente nos últimos tempos. Isso é um fato. A má gestão política, a corrupção, e os acordos sempre pautados em algum interesse, se encarregaram de não fazer justiça social. Os países ao nosso redor já iniciaram um processo de taxação de impostos a grandes fortunas. Não será nossa hora? Não será hora de quem acumulou muito dividir com os que não tiverem mesma oportunidade? Uns podem julgar essa lógica como comunista, como isso ou aquilo, mas é uma lógica humanitária e social, aliás o auxílio emergencial “segurou” a economia. O que isso quer dizer? Tire as conclusões!

Na mesma linha vem a pandemia. Tivemos e temos um presidente que prefere, sempre que pode, culpar o isolamento para explicar a fome. Ele foi “um profeta” dessa linha de raciocínio. Claro, se não há trabalho ativo, nem tampouco gente consumindo, a economia vai regredir. Mas o raciocínio pode ser outro: será mesmo culpa do isolamento, ou da sua má gestão e do seu negacionismo?

Será que uma imunização rápida e efetiva não seria capaz de balizar também a economia? Estamos assistindo aos Estados Unidos dando um show na campanha de vacinação. Como eu disse: nós estamos assistindo. A pressa em fazer acontecer nem sempre é inimiga da perfeição. Aliás, já dizia um ditado antigo: quem ama, tem pressa.

Por fim, resta a sensibilidade humana. Faltou sensibilidade na pandemia e falta. Falta sensibilidade entre e com as pessoas. Estamos tão preocupados com que comida poderá faltar para nós, que somos capazes de lotar nossas despensas, mas nos tornamos incapazes de pensar em quem não tem nem despensa e nem condições de comer. O vírus da fome pode matar mais do que a Covid-19.

Ainda não sabemos ao certo a procedência do coronavírus, mas o vírus da fome é proliferado na célula da ganância, e transmitido na matéria do egoísmo. A vacina para erradicar a letalidade desse vírus está nas mãos de todos nós e se chama vacina da solidariedade, vacina da vontade política, vacina da sensibilidade. Enquanto essas vacinas não forem produzidas em nós, a fome continuará a morar entre o abismo das fortunas e dos famintos.

*Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta

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