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CPI da Covid segue um rumo que envergonha os brasileiros

Quantos homens desequilibrados, sem tato, paladar e sensibilidade para dirigir e interferir numa pauta tão acentuada

Publicado em 20/05/2021 às 02h00
Ex-secretário especial de Comunicação Social da Presidência da República Fabio Wajngarten presta depoimento à CPI da Covid
Ex-secretário especial de Comunicação Social da Presidência da República Fabio Wajngarten prestou depoimento à CPI da Covid. Crédito: Edilson Rodrigues/Agência Senado

A cada dia um novo capítulo. A cada capítulo um personagem novo se apresenta como protagonista a partir de atitudes e comportamentos desastrosos que não só ofendem “o ser político”, mas diminuem a humanidade parlamentar. Quantos homens desequilibrados, sem tato, paladar e sensibilidade para dirigir e interferir numa pauta tão acentuada. A CPI da Covid-19 vem evidenciando as categorias que temos no Congresso Nacional.

Ontem à tarde, inebriado pelo vexame e encorajado pelo bom senso, Paulo Coelho escreveu: "A CPI está mostrando ao Brasil: o descalabro, a falta de humanidade, o fanatismo, a falta de princípios, de dignidade, e de vergonha daqueles que estão atualmente no governo. O Brasil entristece seus cidadãos, e vira motivo de riso do mundo inteiro”. Assim, tomo três pontos fundamentais apontados pelo escritor que colocam o Brasil à beira do desastre moral e que merecem ser diluídos e melhor compreendidos: fanatismo, desumanidade e princípios.

Vamos começar pelo cerne de tudo, o fanatismo. Se buscarmos as origens dessa palavra, vamos desenrolar o carretel que tece o cenário atual e costura a situação que vivemos nesse momento. Fanático, diz o Aurélio, é “aquele que segue cegamente uma doutrina ou partido, o termo não está ligado unicamente a doutrinas políticas ou religiosas, pois tudo aquilo que leva o indivíduo ao exagero é considerado como forma de fanatismo”.

O fanatismo nasce da cegueira, e da cegueira, os excessos. A cegueira se encarrega de não ver o essencial, porque quase sempre ele está no mais profundo. Contudo, os excessos são mais pomposos e delirantes. É dessa cegueira que padece muitos brasileiros e parlamentares. Faltam olhos para o essencial e sobram cegos para os exageros.

Depois temos a desumanidade. Quer no governo, quer na militância, é crescente o número de seres menos humanos. E claro, o fanatismo não vê o essencial que é a humanidade, mas segue aos exageros provocados pela desumanidade. Desumanidade está interligada à incapacidade de se colocar no lugar do outro, no lugar da sensibilidade, no lugar dos sentimentos. A esses restam a dureza, a frieza e a indiferença. Talvez poderíamos dizer que a indiferença vem dominando a CPI. A resposta de muitas perguntas é a indiferença.

Por fim restam os princípios. Quais são eles? Quais os que sustentam esse momento tão avassalador que vivemos no Brasil? Silêncio. É difícil mesmo a gente dar respostas a perguntas desse naipe. Mas podemos aqui destacar: princípios de interesse, de poder, de inverdades. A negação é a marca da CPI. O banco da verdade e da transparência se tornou o banco da negação.

A impressão que carregamos nesse momento pode ser: quanto mais CPI, mais vergonha ao Brasil. É um fato que ter a imagem de Renan Calheiros numa mesa de apuração de verdade é desmoralizante. Sua imagem e seus comportamentos comunicam ao país que ele não é a “persona grata” para ocupar a função que ocupa. Todavia, a CPI segue um rumo que envergonha brasileiros e estrangeiros.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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