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Vilmara Fernandes

Tiros na Leitão da Silva: condenações de réus somam 231 anos de prisão

Penas referem-se a nove tentativas de homicídio, associação criminosa e porte ilegal de arma de fogo; sentença foi lida por volta da meia-noite; defesas já recorreram

Publicado em 12 de Junho de 2026 às 00:28

Públicado em 

12 jun 2026 às 00:28
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes

Tiros e morte em perseguição na Leitão da Silva
Arte - Camilly Napoleão com Adobe Firefly

Um intenso confronto armado que transformou a Avenida Leitão da Silva em um cenário de guerra, em agosto de 2023, resultou na condenação de dois homens. Juntas, as penas dos réus somam 231 anos de prisão, referentes a nove tentativas de assassinato contra policiais, guardas municipais e um pedestre. A sentença foi proferida após dois dias de júri popular em Vitória.


O texto começou a ser lido pelo juiz Carlos Henrique Rios do Amaral Filho, titular da 1ª Vara Criminal de Vitória e responsável pelo Tribunal do Júri, por volta da meia-noite, estabelecendo as seguintes punições: 


  • Fernando João dos Santos - 90 anos, 6 meses e 22 dias de prisão 

  • Jhonatan dos Santos Silva - 141 anos e 5 meses de prisão por nove


As condenações são referentes aos ataques contra quatro policiais militares, quatro guardas municipais (um deles acabou ferido na ação) e um cidadão que passava pelo local. Na data do crime, o grupo furou bloqueios policiais e disparou contra as viaturas em meio ao trânsito congestionado da avenida (veja vídeo abaixo). 


Fernando foi condenado por seis tentativas de assassinato contra agentes de segurança, por ter sido preso antes. Jhonatan recebeu uma pena maior, referente a 9 tentativas de assassinato (8 agentes de segurança e um pedestre), por ter atentado contra a vida de mais policiais em sua fuga. 


Os dois foram também punidos pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo de uso proibido e associação criminosa.


Contra Jhonatan há ainda uma outra condenação, em outro processo, por porte de arma e tráfico, o que vai ser somado ao total da pena a ser cumprida.


Ao final da sessão, o promotor de Justiça Rodrigo Monteiro destacou que estava satisfeito com o resultado. “Mais uma vez o Tribunal do Júri de Vitória cumpriu o seu papel democrático, republicano, fazendo valer o Direito e a Justiça”.


Ele observou que o crime foi cometido em uma das ruas mais movimentadas da Capital, em um momento em que o trânsito estava congestionado, condição que poderia ter resultado em muitas vítimas fatais.


“Esperamos que o resultado tenha um efeito pedagógico e que os criminosos aprendam que as forças de segurança não têm que ser enfrentadas. Ordens de policiais e de guardas municipais têm que ser cumpridas. E os que forem para o enfrentamento, quando o caso chegar ao Tribunal do Júri, vão ser responsabilizados”, assinalou.


Perseguição e conflito



Segundo a denúncia do Ministério Público (MPES), os réus Fernando e Jhonatan, junto a Cleiton Gomes Serafim e um motorista não identificado, circulavam por Vitória em um Chevrolet Onix roubado. O veículo, suspeito de ter sido usado em um homicídio três dias antes do tiroteio, foi detectado pelo Cerco Inteligente na Avenida Fernando Ferrari, dando início a uma tentativa de abordagem.


Os suspeitos desobedeceram à ordem de parada e iniciaram uma fuga em alta velocidade por quatro bairros da capital. Após furar um bloqueio na Ponte da Passagem, eles entraram na Avenida Leitão da Silva, onde ficaram retidos pelo trânsito congestionado. Cercados por viaturas da Guarda Municipal e da Polícia Militar, os criminosos abriram fogo contra os agentes antes mesmo de desembarcar, momento em que o motorista do grupo conseguiu fugir.


O tiroteio transformou a avenida em um cenário de guerra. Cleiton Gomes Serafim desembarcou atirando, mas foi baleado e morreu no local. Enquanto isso, Fernando e Jhonatan saíram pelo lado oposto e fugiram a pé em direção ao bairro Itararé, mantendo o confronto com as guarnições, ação que resultou em um guarda municipal baleado.


Na tentativa de fuga pelas ruas adjacentes, os réus confrontaram outra equipe da PM, e um disparo feito por Jhonatan atingiu um pedestre no comércio local. A perseguição terminou minutos depois, quando ambos foram baleados e detidos: Fernando após se render e Jhonatan após tentar se esconder em uma residência. No trajeto, a polícia ainda apreendeu carregadores e uma granada descartados pelos homens.


As defesas dos condenados não foram localizadas, mas o espaço segue aberto à manifestações. Ao final da sessão do júri, os dois advogados recorreram da sentença.


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Vilmara Fernandes

É jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi repórter nas editorias de Política, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como repórter especial com foco em matérias investigativas em diversas áreas.

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