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Vilmara Fernandes

Cinzas da Justiça: incêndios que apagaram provas e histórias de crimes no ES

Nos últimos 36 anos, cartórios e fóruns foram destruídos por incêndios; dois deles ocorreram em Cariacica, mas houve casos no interior do Estado

Publicado em 27 de Julho de 2026 às 03:30

Públicado em 

27 jul 2026 às 03:30
Vilmara Fernandes

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Vilmara Fernandes Vilmara Fernandes


O incêndio que destruiu 2,1 milhões de processos em um arquivo geral na Serra não foi o único a atingir edificações do Tribunal de Justiça do Espírito Santo. Em quase quatro décadas, as chamas reduziram a cinzas relatos de milhares de histórias de crimes, disputas, dramas familiares e outros documentos de registro da vida cotidiana.


Levantamento realizado pela coluna a partir de 1990, período em que foi possível obter imagens, revela a destruição de fóruns e cartórios tanto na Grande Vitória quanto no interior do Estado. Na maior parte dos casos a polícia apontou ação criminosa.


As unidades atingidas foram reformadas, reconstruídas ou tranferidas para outros locais, e os processos que ainda estavam tramitando, precisaram ser restaurados, segundo informações divulgadas na ocasião pela TV Gazeta ou por A Gazeta (impresso e digital). Confira, abaixo, alguns desses casos:


1 - Fórum de Cariacica - 5 de setembro de 1990

As chamas começaram por volta das 3 horas e atingiram o 3º e 4ª andar do Fórum de Cariacica, que, na época, funcionava em um prédio na Avenida Expedito Garcia, em Campo Grande. Foram destruídos quase 2 mil processos, inquéritos e provas de duas varas criminais e de uma cível. 


Na ocasião, moradores da região foram acordados com o barulho das armas e munições armazenadas nos cartórios. Atingidas pelo fogo, os artefatos dispararam em várias direções, impedindo a entrada de quem tentava controlar as chamas. O incêndio foi considerado criminoso.


2 - Cartório da 1ª Vara Criminal de Vitória - 1º de janeiro de 2000

O ano se iniciava quando os bombeiros foram acionados para controlar um incêndio que atingiu a 1ª Vara Criminal de Vitória, responsável pelo Tribunal do Júri. A sala do cartório, onde ficavam armazenados os processos, funcionava no 1º andar do prédio localizado na Cidade Alta.


Laudo da Polícia Civil concluiu que o incêndio foi criminoso. Os bombeiros encontraram uma garrafa de álcool utilizada pela pessoa que entrou no local após quebrar a vidraça de uma janela. Por conta dos estragos, a pauta dos júris daquele ano só pode ser iniciada em março, e dezenas de processos foram perdidos. 


3 - Fórum de Cariacica - 25 de maio de 2000

Pela segunda vez, o prédio que abrigava o fórum do município foi alvo de um incêndio. Em cerca de 20 minutos, o terceiro andar foi destruído. Cerca de 5 mil processos da 2ª e 3ª Varas Cíveis, além de outros da Vara da Fazenda Pública Municipal e Estadual, e outros da Vara de Órfãos e Sucessões deixaram de existir. Metade do acervo atingido era composta por processos já arquivados. As investigações policiais apontaram origem criminosa. 


4 - Fórum de Anchieta - 26 de outubro de 2000

As chamas destruíram móveis e documentos da sala da Defensoria Pública. A ação rápida dos bombeiros evitou que chegassem aos cartórios de imóveis, criminal e o de registro civil. Mas o objetivo, segundo as apurações da época, era o Cartório Eleitoral. Relato da ocasião foi  de que a entrada, segundo a polícia, ocorreu por uma pequena janela, foi utilizado gasolina e um pavio de 6 metros de comprimento. 


5 - Fórum de Conceição do Castelo - 11 de janeiro de 2002

Dois cartórios foram atingidos por um incêndio: o criminal e o eleitoral, com destruição de processos e documentos. As chamas começaram a se espalhar por volta das 3 horas e foi contido na metade da manhã. O incêndio foi considerado criminoso, com o objetivo de destruir processos e documentos públicos.


6 - Cartório de Registro Civil de Itapemirim - 1 e 4 de maio de 2022

Foram duas ocorrências com diferença de três dias entre elas. A primeira foi uma tentativa de incêndio no dia 1º, um domingo,  classificada como criminosa pela Polícia Civil. Janelas e alguns documentos foram danificados.  Na madrugada do dia 4 aconteceu o incêndio que destruiu 90% do acervo. Investigações da Polícia Civil indicaram que o objetivo foi destruir provas de documentos fraudados.


7 - Arquivo Geral do Tribunal de Justiça - 21 de julho de 2026

O galpão, localizado em Jardim Limoeiro, na Serra, tinha 10.632m². A principal estrutura do local abrigava o acervo de 2,1 milhões de processos, destruído pelas chamas. Também foram consumidos cerca de 10.700 ítens, entre estantes utilizadas no galpão e outros materiais, como cadeiras, consideradas bens inservíveis, que seriam destinados a leilão, um prejuízo estimado de R$ 1 milhão.


A apuração ainda está sendo realizada pelos bombeiros e pela Polícia Civil. É estimado que seja o incêndio com a maior destruição de processos. Segundo o Tribunal, o material que estava no local envolvia casos arquivados e a metade já estava digitalizada.


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