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'Repulsa': a mensagem do governo brasileiro que convocou embaixador argentino após discurso de Milei em lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro

Convocação de embaixador estrangeiro para conversa com chanceler é medida séria nas relações internacionais e demonstração de desagrado com a outra nação.

Publicado em 27 de Julho de 2026 às 06:35

BBC News Brasil

Publicado em 

27 jul 2026 às 06:35
Imagem BBC Brasil
Crédito: AFP via Getty Images
O Ministério das Relações Exteriores convocou, no domingo (26/07), o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para "transmitir a repulsa" do governo brasileiro em relação a comentários feitos pelo presidente Javier Mileidurante a convenção do PL no sábado (25/07).
"Não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao Chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro", disse o Itamaraty em nota.
"É especialmente lamentável que esse episódio infamante envolva o presidente de um país com que o Brasil mantém 203 anos de amizade e cooperação e que tem, no Brasil, o seu principal sócio comercial", afirma ainda a nota divulgada pela pasta.
Também no domingo, o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, foi chamado para prestar esclarecimentos ao Itamaraty sobre a relação entre os dois países.
A convocação de um embaixador estrangeiro para uma conversa com o chanceler é uma medida séria nas relações internacionais e uma demonstração de desagrado com a outra nação.
E chamar um embaixador brasileiro que está em missão no exterior para consultas, como fez o Itamaraty, também demonstra, na linguagem diplomática, enorme descontentamento com o país anfitrião.

O que aconteceu?

Javier Milei fez as declarações que causaram a crise diplomática durante a confirmação da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, em um evento realizado em São Paulo no sábado.
Em um discurso inflamado de quase meia hora, o presidente argentino chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de "lixo careca", por ter negado pedido de visita a Jair Bolsonaro (PL), em prisão domiciliar.
Na última semana, a defesa do ex-presidente pediu autorização ao ministro, que é relator do caso, para o encontro com o argentino. Moraes negou a solicitação.
Após enaltecer suas políticas econômicas na Argentina, Milei também criticou o socialismo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e as suas políticas sociais.
"Esse é o método que tem operado em toda a região: causar desequilíbrio econômico com o objetivo de 'comprar' votos para não perder o poder nas eleições seguintes", afirmou.
Milei, que tenta se posicionar como o líder da direita na América Latina, associou a candidatura de Flávio a uma "transformação política em curso" na região. Segundo ele, países da América Latina estão se alinhando à direita e abandonando a esquerda, movimento ao qual o Brasil pode se juntar com a eventual eleição de Flávio.
Durante o discurso em espanhol, parte dos correligionários que ocupavam o auditório no estádio do Pacaembu deixou o local.
Imagem BBC Brasil
Crédito: Allison Sales/NurPhoto via Getty Images
Além de participar do evento de lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro, Javier Milei também foi recebido pelo governador de São Paulo e pré-candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), no Palácio dos Bandeirantes.
O presidente argentino recebeu a Ordem do Ipiranga, a mais alta honraria concedida pelo Estado de São Paulo.
Em uma espécie de turnê pela América Latina, Milei seguirá, depois do Brasil, para a posse de Keiko Fujimori no Peru. Em seguida, irá para o Equador, onde deve realizar conversas com o presidente, também conservador, Daniel Noboa, segundo a Reuters.
Na sequência, o argentino visitará a Colômbia para a posse de Abelardo de la Espriella, um outsider da direita radical que acaba de vencer as eleições presidenciais no país.
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