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Vilmara Fernandes

Os casos que vão movimentar o júri de Vitória no segundo semestre

A lista inclui feminicídios e homicídios cujas vítimas, em alguns casos, são jovens; entre as armas utilizadas estão facas, objetos contundentes e um carro

Publicado em 07 de Julho de 2026 às 03:30

Públicado em 

07 jul 2026 às 03:30
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes

Júri / Tribunal do Júri
Arte - Camilly Napoleão com Adobe Firefly

Entre os casos que serão julgados em Vitória neste segundo semestre, estão crimes de grande repercussão envolvendo jovens, alguns assassinados de forma brutal. A lista dos processos que passarão pelo crivo dos jurados também inclui feminicídios, e um deles pode ser o júri popular mais longo desde a pandemia.


De acordo com as sentenças do Juízo da 1ª Vara Criminal de Vitória, responsável pelo Tribunal do Júri da Capital, entre as armas utilizadas para consumar as mortes nos quatro principais processos descritos abaixo estão facas, objetos contundentes e um carro. Confira:


1 - Atropelamento e morte da modelo e ciclista Luísa Lopes

A jovem Luísa Lopes tinha 25 anos quando foi atropelada e morta quando atravessava, com sua bicicleta, a Avenida Dante Michelini. Foi atingida pelo carro da corretora de imóveis Adriana Felisberto Pereira, 33 anos, que será julgada no dia 5 de agosto, a partir das 9 horas.


Segundo denúncia do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), Adriana dirigia “sob efeito de álcool e de medicamentos de uso controlado” em direção ao município da Serra. Ela guiava seu carro a uma velocidade média de 72 km/h, em um trecho onde a máxima permitida é de 60 km/h.


Foi quando atingiu a ciclista, que acabara de iniciar a travessia da via na faixa de pedestres. A jovem foi projetada a uma distância de 40 metros. Quando o júri foi marcado, a defesa de Adriana informou que ela foi surpreendida pela ação inesperada de Luísa ao entrar na via sem cautela.


2 - Assassinato de jovem na Rua da Lama

A vítima, Breno Rezende de Carvalho, de 25 anos, foi morta com uma facada após uma discussão pelo pagamento de uma cerveja no valor de R$ 16, a qual já havia sido quitada. Ele estava com amigos em um bar na Rua da Lama pertencente ao empresário Vilson Luiz Ballan, que, em interrogatório à Justiça do Espírito Santo, confessou o crime.


Toda a cena foi registrada por câmera de videomonitoramento. O júri popular será realizado no dia 27 de agosto, no Fórum Criminal de Vitória. 


No processo, Ballan alegou “não se recordar dos detalhes do crime devido ao uso de álcool e à mistura de remédios, que ele fazia há mais de três anos”. Ele expressou  arrependimento, pedindo perdão à família de Breno e à sua própria família, atribuindo a tragédia à sua condição de intoxicação.


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3 - Namorada morta a facadas

Ana Carolina Rocha Kurth, 24 anos, foi assassinada com mais de 40 facadas no dia 15 de maio de 2023. O acusado é o seu namorado, Matheus Stein, que vai enfrentar o júri no dia 17 de setembro.


A denúncia do Ministério Público do Espírito Santo (MPES) aponta que ela e Matheus mantinham um relacionamento amoroso marcado por brigas motivadas pelo ciúmes do jovem, e que uma suspeita de traição teria motivado o assassinato.


Quando o júri foi agendado, o advogado Homero Mafra, que representa Stein, assinalou que a expectativa é de que os jurados reconheçam a condição de saúde de Matheus: “Médicos já atestaram a insanidade do meu cliente e que ele não pode ser julgado ou punido por ter doença mental”.


4 - O feminicídio da professora em Jardim Camburi

Estará no banco dos réus o engenheiro Patrick Noé dos Santos Filgueira, acusado pelo feminicídio de sua esposa, a professora Danielly Wandermurem Benício, que lecionava Geografia em uma escola particular de Vitória. O crime ocorreu em dezembro de 2017.


O júri deve ser um dos mais longos após a pandemia, com duração prevista de uma semana, a partir do dia 3 de novembro. A expectativa é de que sejam ouvidas 24 pessoas, além do interrogatório do réu.


O advogado de defesa de Patrick não foi localizado, mas o espaço segue aberto à manifestação.


Há a expectativa ainda de que outros casos possam ser agendados nos próximos meses, mas estes aguardam decisões de recursos apresentados pelas defesas. Também estão previstos julgamentos de casos de homicídios e tentativas de assassinato cometidos por lideranças do tráfico de drogas ou a mando delas.


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Vilmara Fernandes

É jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi repórter nas editorias de Política, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como repórter especial com foco em matérias investigativas em diversas áreas.

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