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Operação Decanter

Ex-secretário da Fazenda é réu em ação contra máfia do vinho no ES

A denúncia do Ministério Público contra 19 pessoas foi aceita pela Justiça; o grupo reúne, além do ex-secretário, empresários, contadores e delegado

Publicado em 08 de Abril de 2025 às 03:30

Públicado em 

08 abr 2025 às 03:30
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes

Máfia do vinho
Crédito: Arte - Camilly Napoleão com Adobe Firefly
Quase um ano após terem sido denunciados pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES) por participação em organização criminosa e falsidade ideológica, em um  esquema para sonegação de impostos, um grupo de 19 pessoas se tornou réu em ação penal. Dele fazem parte empresários, contadores e um delegado, além do ex-secretário de Estado da Fazenda, Rogelio Pegoretti Caetano Amorim.
O total sonegado, segundo levantamento da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz), é de R$ 320 milhões, presentes nos 21 autos de infração já expedidos pela Receita estadual.
Na decisão judicial do dia 25 de março é dito: “Analisando todo o conteúdo dos autos verifico que estão presentes todos os requisitos necessários à propositura de ação penal (prova da existência do crime e indícios suficientes de autoria)”, informa o juiz Flávio Jabour Moulin, da 6ª Criminal de Vila Velha, titular do processo. 
E cita os nomes dos acusados:
  • Otoniel Jacobsen Luxinger
  • Adilson Batista Ribeiro
  • Ricardo Lucio Corteletti
  • Gessio Oliveira Pereira
  • Sergio Ricardo Nunes De Oliveira
  • Ramon Rispiri Vianna
  • José Gabriel Paganotti
  • Frederico de Lima e Silva Leone
  • Wagney Nunes de Oliveira
  • Alexandre Soares De Oliveira
  • Hugo Soares de Souza
  • Henrique Couto Vidigal
  • Guilherme Tarcisio Silva
  • Joabe Lopes De Souza
  • Givanildo Padilha de Avila Siqueira
  • Geraldo Ludovico
  • Adriano Badaró Albano
  • Rogelio Pegoretti Caetano Amorim
  • Andrea Silva

Negado

Alguns pedidos apresentados na denúncia foram negados e outro aceito parcialmente. São eles:
  • Suspensão das atividades das empresas investigadas - Foi negado com o argumento de que poderia ter impactos sobre empregados, fornecedores e demais envolvidos na cadeia produtiva, com reflexos sociais e econômicos
  • Suspensão dos registros profissionais dos contadores - Foi aceito parcialmente, suspendendo a atividade contábil exclusivamente em relação às empresas investigadas
  • Afastamento do delegado -  O pedido foi negado, sendo informado que não há “prova inequívoca”  de que ele tenha utilizado o cargo para a prática direta de crimes, nem que sua manutenção na função comprometa as apurações
  • Afastamento do ex-secretário de função no Tribunal de Contas - Foi negado por inexistência de vínculo direto entre as acusações e as atuais funções que ele desempenha
Por nota, o Ministério Público informou que vai recorrer contra a decisão, contestando os pedidos negados. Em relação à sonegação fiscal, uma nova denúncia pode ser apresentada, assim que forem concluídos todos os trâmites relacionados aos autos de infração  na Sefaz.

A fraude

A investigação da fraude fiscal estruturada no comércio de bebidas alcoólicas teve início na Sefaz, após ser identificada pelos auditores fiscais da Receita Estadual. O fato foi comunicado ao Ministério Público e culminou, em 2022, na realização da Operação Decanter, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate à Sonegação Fiscal (Gaesf), do MPES, em parceria com a Fazenda estadual. Sete pessoas foram presas, incluindo o ex-secretário.
De acordo com a Sefaz, após a operação foram lavrados 21 autos de infração, que totalizaram cerca de R$ 320 milhões, o total da sonegação. Também foram emitidos 17 Termos de Imputação de Responsabilidade Tributária (TIR), incluindo como co-responsáveis os sócios administradores das empresas envolvidas na fraude e seus contadores.
Atualmente, está sendo aguardado o prazo de contestações dos autos de infração e dos TIRs, e ainda os prazos para as inscrições dos débitos na dívida ativa, a ser feito pela Procuradoria Geral do Estado (PGE). Somente após estas etapas é que o MPES pode fazer uma segunda denúncia em relação à sonegação fiscal.
Por nota a Sefaz informa que a decisão da Justiça de aceitar a denúncia é “fundamental não apenas para a efetiva recuperação dos valores devidos, mas também garantir a responsabilização penal dos envolvidos". Destaca também a atuação dos auditores fiscais da Receita Estadual, cujo trabalho no combate à sonegação fiscal auxiliou o MPES no apontamento dos autores dos crimes contra a ordem tributária e na busca por punição.
“É um trabalho que propicia a melhora do mercado, retirando do ambiente empresas que causam concorrência desleal, por se beneficiarem da fraude. Importante destacar que as investigações continuam e a partir das evidências coletadas nesta operação, outros alvos e fraudes serão alcançadas, reforçando assim o compromisso da Receita Estadual com a legalidade, a justiça fiscal e a transparência”, destacou a Sefaz.

O que diz a defesa

A defesa de Hugo Soares de Souza é realizada por Homero Mafra, que informou que não iria se manifestar no momento.
O advogado Lucas Melo Borges de Souza, faz a defesa de Wagney Nunes de Oliveira e Alexandre Soares de Oliveira. Por nota disse:  "Nós provaremos a inocência dos nossos clientes no decorrer da ação penal. E, no momento, não teceremos outros comentários, pois ainda não tivemos acesso à integra dos meios e elementos de provas colhidos durante a Operação Decanter".
O delegado Henrique Couto Vidigal foi demandado, mas não retornou o contato. Procurada, a Polícia Civil informou que a Corregedoria da corporação instaurou uma Investigação Sumária (IS) para analisar o caso no âmbito administrativo. “Ela visa analisar os fatos para confirmar a existência ou não de eventuais irregularidades cometidas pelo servidor”.
Acrescenta que após a finalização das diligências, a IS é concluída e poderá gerar a instauração de um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD), caso seja constatada transgressão por parte do servidor investigado. Informa que não houve determinação judicial para afastamento do delegado do cargo e nem suspensão do seu salário.
O ex-secretário Rogelio Pegoretti não retornou os contatos  e não informou o responsável atual por sua defesa. Os representantes  dos demais réus não foram localizados, mas o espaço segue aberto para suas manifestações.

Vilmara Fernandes

É jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi repórter nas editorias de Política, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como repórter especial com foco em matérias investigativas em diversas áreas.

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