O homem que confessou ter assassinado com requintes de crueldade o empresário Dante Brito Michelini, 75 anos, se tornou réu em ação penal. O crime aconteceu em janeiro, mas o corpo só foi descoberto no início de fevereiro, no sítio onde a vítima residia, em Meaípe, Guarapari.
Ao aceitar a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES), o Juízo da 1ª Vara Criminal da cidade informa que William Santos Monzoli, 29 anos, vai responder por homicídio consumado, cometido por motivo torpe, em razão de ter sido agredido anteriormente pela vítima e por acreditar que ela seria estupradora.
O crime, segundo o descrito na decisão, foi praticado mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. “Haja vista a diferença de idade e compleição física entre ambos, e por meio cruel, uma vez que a vítima foi golpeada com socos até desmaiar e teve a cabeça decepada pelo réu, além de violação de domicílio, dano qualificado, ocultação e vilipêndio a cadáver”.
Em depoimento à polícia, William relatou que veio da Bahia para Guarapari por orientação da sua tia, tendo chegado dias antes do réveillon e ficado na região de Meaípe, próximo ao restaurante do Curuca e do Gaeta.
Um galpão abandonado no sítio Pequeira foi utilizado por ele para dormir. Mas foi descoberto e acabou sendo espancado e expulso por Dante, dono do espaço. No dia seguinte ficou sabendo que a vítima era um dos acusados pelo estupro e morte de uma criança. Mas não há confirmação, segundo o MP, de que ele tivesse ciência de que se tratava do Caso Araceli.
“Ele tomou conhecimento que a vítima havia estuprado uma garotinha, informando que moradores do bairro Meaípe gozaram do declarante, por ter apanhado de um estuprador, com isso ficou com ódio”, relatou o texto judicial sobre o depoimento do réu.
William decidiu então retornar ao sítio para se vingar. A vítima o reconheceu, entraram em luta corporal e ele matou Dante. O acusado decepou a cabeça da vítima e, após um tempo, a jogou no Canal de Guarapari.
Antes de deixar o local, incendiou a propriedade com um isqueiro do próprio Dante. Ele contou aos policiais que ficou revoltado com fotos de crianças que viu nas paredes. O teto da casa acabou ruindo, aumentando a destruição do espaço.
Um dia após o crime, William voltou ao sítio para conversar com o corpo sem cabeça enquanto fumava um cigarro de maconha. Foi preso no dia 28 de janeiro, cerca de oito dias após o crime, ao ser flagrado em uma tentativa de roubo. Contra ele havia um mandado da Justiça da Bahia por descumprimento de medida protetiva.
Semanas depois confessou o assassinato de Dante, cujo corpo só foi encontrado no dia 3 de fevereiro, quando caseiros foram ao local, preocupados com o desaparecimento da vítima e encontraram a casa destruída.
Na mesma decisão o Juízo da 1ª Vara Criminal de Guarapari decretou a prisão preventiva de William. Ele segue detido em unidade prisional em São Mateus.
Contestação
A defesa de William não foi localizada, mas o espaço segue aberto à manifestação. No processo, os advogados que o representam contestaram a denúncia do MP, com o argumento de que o depoimento de réu, prestado à polícia, seria nulo.
Por sua vez, o MP foi contrário aos argumentos da defesa, apontando a regularidade da investigação e requerendo a continuidade do processo.
No momento, as duas manifestações aguardam análise e decisão do juiz. Caso ele determine o prosseguimento do caso na Justiça, a próxima etapa será a designação de audiência de instrução, a primeira fase do procedimento do júri.