Quase uma década após o assassinato da médica Milena Gottardi, um dos condenados como mandante do crime, o ex-policial civil Hilário Antônio Fiorot Frasson, pode ir para o regime prisional semiaberto em maio do próximo ano.
Frasson era ex-marido da vítima, morta em setembro de 2017. Quatro anos após o crime, ele foi sentenciado a cumprir detenção de 31 anos, 3 meses e 22 dias.
Segundo informações sobre o cumprimento de sua pena, ele já completou 11 anos e 6 meses de detenção. Pelas contas atuais, faltariam cerca de nove meses para que ele possa progredir para o semiaberto em maio do próximo ano.
Trata-se de um regime intermediário, onde ele pode passar o dia fora da prisão, trabalhando em um local conveniado com a Secretaria de Estado da Justiça (Sejus), responsável pela gestão das unidades prisionais, com autorização judicial. É uma oportunidade para o detento começar a ter acesso à vida fora dos muros da prisão.
Precisa cumprir outras metas
Mas além de cumprir o prazo inicial da pena, para conquistar o benefício previsto na execução penal, ele precisará passar por outros critérios. Um deles é obter um atestado de conduta carcerária que pode ser emitido pela direção da unidade prisional.
Hilário está detido na Penitenciária de Segurança Média 1. A informação é de que ele tem uma boa conduta, não possui nenhum procedimento de descumprimento de regras, e trabalha diariamente, o que tem ajudado a diminuir a sua pena.
Por lei, a remição (redução) da pena pode ser conquistada com estudo, leitura e trabalho. Como o ex-policial já possui o ensino superior, resta a ele as duas últimas opções. Desde que foi detido, em setembro de 2017, ele conseguiu reduzir 928 dias da pena, o equivalente a 2 anos e 6 meses.
Outra barreira a ser ultrapassada será o exame criminológico, realizado por uma equipe multidisciplinar que avalia se o preso está ou não apto a progredir de regime prisional. Cumprindo as três etapas, ele poderá migrar para o semiaberto.
A defesa de Hilário informou que só se manifesta sobre o assunto no processo.
Os condenados
Além de Frasson, outras cinco pessoas foram sentenciadas em agosto de 2021 pelo assassinato de Milena Gottardi, ocorrido em setembro de 2017. Confira:
Esperidião Carlos Frasson, pai de Hilário (ele e o filho são apontados como mandantes do crime)
Dionathas Alves Vieira (executor do crime)
Valcir da Silva Dias (intermediou a negociação entre mandantes e executor)
Hermenegildo Palauro Filho (intermediou a negociação entre mandantes e executor)
Bruno Broetto (deu apoio, fornecendo a moto usada no dia do crime)
Dos seis, Bruno é o único que saiu em livramento condicional em outubro de 2025. Os demais seguem presos. Hermenegildo e Esperidião já contam com mais de 60 anos.
Milena foi baleada na cabeça no estacionamento do Hospital Universitário Cassiano Antonio Moraes (Hucam), onde trabalhava, e teve a sua morte declarada no dia seguinte, deixando duas filhas, que na época tinham um ano e dez meses e nove anos.
De acordo com o Ministério Público Estadual (MPES), o motivo do crime foi porque Hilário não aceitava a separação, o que o fez "nutrir um sentimento de ódio contra a médica".
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