Os casos de golpes já representam a maioria dos crimes patrimoniais registrados no Espírito Santo, com uma forte concentração em sete cidades. Juntas, elas somam 67,17% dos registros de estelionato e fraude no Estado, que totalizaram 26.009 casos no primeiro semestre deste ano.
São elas:
Vila Velha - 3.978 registros
Serra - 3.697 registros
Vitória - 3.545 registros
Cariacica - 2.568 registros
Linhares - 1.373 registros
Cachoeiro de Itapemirim - 1.205 registros
Guarapari - 1.105 registros
Os dados mostram que o Espírito Santo reflete a situação nacional, em que o estelionato se consolidou como o principal crime patrimonial. Parte do total inclui as tão temidas fraudes eletrônicas.
No ano passado, esta modalidade de fraude apresentou um crescimento de 19,5%. Foram 24.247 casos contra 20.176 em 2024.
Um crescimento, de acordo com o delegado Ícaro Olimpio, adjunto da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), que já era esperado. Em 2025, esses crimes representaram 46,82% das ocorrências e começaram a se destacar em relação a forma clássica e presencial do estelionato.
No Estado, relata o delegado, têm sido mais frequentes os golpes do falso advogado, falso gerente e falsa central telefônica. “Os criminosos se passam por gerentes ou servidores públicos e conseguem que as pessoas instalem aplicativos ou cliquem em links, o que abre uma porta de acesso aos dispositivos, ao celular e às contas bancárias”, relata.
Situações em que é utilizada a chamada engenharia social, que reúne um conjunto de técnicas de manipulação para convencer a vítima a revelar dados, instalar aplicativos, entregar cartões, fornecer códigos de autenticação ou realizar transferências.
No Brasil, segundo informações do Anuário da Segurança Pública, o ranking dos golpes e fraudes mais comuns sofridos pelos brasileiros são: clonagem/troca de cartão (45%); golpe do WhatsApp (34%); falsa central bancária (31%); golpe do Pix (24%); uso indevido de CPF via SMS (13%); leilão ou loja falsa (10%).
Investigação complexa
No primeiro semestre deste ano, segundo dados do Observatório da Segurança Pública, o Espírito Santo registrou 37.762 casos de crimes patrimoniais, incluindo os casos de furto e roubo a pessoas, residências, comércio e transporte coletivo. O estelionato ocupou a maior porção, com 26.009 ocorrências.
Segundo o delegado, por suas características, as fraudes eletrônicas demandam uma investigação complexa, com pedidos feitos ao Judiciário, e por vezes mais demorada, o que também prolonga a marcha dos inquéritos policiais.
Há informações no cenário nacional de que este tipo de fraude seja praticado por grupos que contam com incentivo e financiamento de facções criminosas, como um braço econômico. Mas, no Espírito Santo, este tipo de característica ainda não foi identificado.
“Por aqui ainda não identificamos, em nossas investigações, elementos que apontem, de forma clara, as ligações desses criminosos com os faccionados, ou que comprovem o envolvimento tanto nas fraudes eletrônicas quanto no tráfico de drogas”, explicou o delegado.
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