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Desumanização do outro

Sociedade da eliminação: sementes do horror não podem voltar a germinar

Diante do crescimento de grupos neonazistas no Brasil ao longo dos últimos anos, Conselho Nacional de Direitos Humanos tenta compreender esse perigoso fenômeno para pensar políticas que possam erradicá-lo

Publicado em 01 de Julho de 2024 às 02:30

Públicado em 

01 jul 2024 às 02:30
Verônica Bezerra

Colunista

Verônica Bezerra

O movimento que tem suas origens assentadas na intolerância e preceitos racialistas, surgido na década de 1920 na Alemanha, tornou-se uma ideologia política, que ainda encontra ecos contemporâneos em sociedades atuais.
A lógica de eliminar o outro que é diferente se espraiou para outros países, que juntamente com a Alemanha, contabilizaram cerca de 6 milhões de judeus, 7 milhões de civis soviéticos, 3 milhões de prisioneiros de guerra soviéticos, 1,8 milhões de civis poloneses não-judeus, 312 mil civis sérvios, 250 mil pessoas com deficiência institucionalizadas, 250 ciganos, 1.900 Testemunhas de Jeová, 70 mil criminosos reincidentes considerados antissociais, número indeterminado de alemães oponentes políticos ou ativistas e milhares de homossexuais, de acordo om a Enciclopédia do Holocausto.
Quase 100 anos do início de uma das violações de direitos humanos mais graves da humanidade, essa ideologia hedionda ainda possui adeptos e seguidores, o que tem sido objeto de investigação por parte do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), que há alguns meses vem desenvolvendo um trabalho de apuração do crescimento de células neonazistas no país, sendo inclusive criada uma relatoria especial sobre o tema.
Na semana passada, a CNDH desembarcou no Rio de Janeiro, com objetivo de ouvir vítimas, autoridades e especialistas sobre o neonazismo no Brasil. O Estado de Santa Catarina também foi visitado pelo Conselho, que está programando visitas a outras unidades da federação.
A demanda para mergulhar em um tema que lacera tantas cicatrizes ainda sensíveis em milhares de pessoas vem da necessidade de impedir que as sementes do horror voltem a germinar, podendo fazer nascer uma sociedade da eliminação.
Diante do crescimento de grupos neonazistas no Brasil ao longo dos últimos anos, que inclusive já fora levado ao Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), por meio de relatório preliminar, entregue na sessão de abril deste ano, e a sua possível conexão transnacional com a extrema-direita, de acordo com a Agência Brasil, o CNDH tenta compreender esse perigoso fenômeno para pensar políticas que possam erradicá-lo.
A importância de se pensar mecanismos de controle pelos poderes constituídos, em vários campos, como educação e cultura, é urgente, considerando o cenário atual que é avaliado como alarmante, a partir da dados oriundos de inquéritos da Polícia Federal e denúncias recebidas pela Central Nacional de Crimes Cibernéticos mantido pela organização não governamental SaferNet com o apoio do Ministério Público Federal (MPF).
Um estudo da antropóloga Adriana Dias constatou que as células de grupos neonazistas cresceram 270,6% no Brasil, no período entre janeiro de 2019 e maio de 2021, se espalhando por todas as regiões do país, sendo impulsionado pela disseminação dos discursos de ódio e de narrativas extremistas. De acordo com a pesquisa, no início de 2022, haviam mais de 530 núcleos extremistas no país, sendo compartilhado, pelos seus integrantes, conteúdos de ódio contra feministas, judeus, negros e população LGBTQIAP+.
Casos concretos também constaram no relatório, tais como apreensão de artefatos ligados ao nazismo, como fardas, armas, bandeiras, artigos e peças decorativas com imagens e símbolos com o rosto de Hitler e a suástica. E ainda, o crescimento de ataques em escolas, lembrando que em diferentes ocorrências o agressor fazia uso de simbologia neonazista.
O Brasil, enquanto uma jovem democracia e que precisa de proteção, necessita de mecanismos de enfrentamento a esse mal que, ao que parece, não foi erradicado por completo no mundo, considerando que existem pessoas que ainda vivem uma vida tranquila e feliz, em uma cômoda zona de interesse, em meio ao caos e atrocidades perpetrados por seres humanos contra outros seres humanos.

Verônica Bezerra

Advogada, coordenadora de Projetos CADH, mestre em Direitos e Garantias Fundamentais (FDV) e especialista em Direitos Humanos e Seguranca Publica

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