No último dia 12 de março, foi noticiado na Folha de São Paulo o lançamento de um fundo com milhões da venda de parte do negócio para investir em impacto social. A operação teve como responsável o CEO e fundador do Grupo Gaia, João Pacifico. Um investidor de 45 anos que assume o ativismo social, principalmente vinculado ao Movimento dos Trabalhadores sem Terra. Calcula-se que mais de R$ 22 milhões foram investidos para o MST.
A atuação de João Pacífico no mercado financeiro, além de investir, é permeada pela crítica à ganância e pela defesa de que os ricos paguem mais impostos. Em vídeo postado recentemente em uma rede social, que conta com mais de 157 mil seguidores, advoga a construção de um mercado financeiro mais humano.
O Grupo Gaia nasceu em 2009, com o objetivo de intervir no mercado financeiro, para que este seja mais humano. Contando com mais de R$ 20 bilhões, era composto por empresas de investimentos de impacto e tradicional.
Em março de 2022, a parte da empresa que atuava com investimentos tradicionais foi vendida, e os recursos oriundos dessa negociação doados para organizações da sociedade civil criadas com objetivos de fazer investimentos sociais de impacto. Todo o lucro do Grupo Gaia é destinado a causas sociais por meio de projetos próprios.
A ação diferenciada de João Pacífico, além dos milhares de likes recebidos, possui outros frutos, como o lançamento de emissões de Certificados de Recebíveis do Agronegócio. Essas ações renderam ameaças de todos os lados, mas que não prejudicaram as operações financeiras.
O caso coloca no centro da Faria Lima, a famosa Avenida de São Paulo hospedeira de bancos e grandes escritórios, a desigualdade social, decorrente da distribuição violadora de recursos econômicos, que tem lastro na história social brasileira e na construção de um Estado que a perpetua, quando não tem robustez de intervenção.
A produção de riqueza não é problema. O problema é a não distribuição dessa riqueza para todos, ocasionando a acumulação de riqueza por poucos. A questão central está na não distribuição de riquezas, produtora de uma sociedade desigual.
Entre os dois extremos, onde a maioria tem pouco ou quase nada e a minoria detém o poder econômico, encontramos uma classe média que se acha elite, e serve aos interesses dos mais ricos, cumprindo o papel de fiadora da manutenção das riquezas acumuladas.
Quando se catapulta alguém para dentro do sistema, apostando no capital financeiro que não tem partido, cor, sexo e ideologia, inicia-se um movimento de minar o sistema e redistribuição.Assim as mudanças são semeadas.
Como bem alertou o CEO do Grupo Gaia: “Talvez você não sabia, mas no fundo está com o MST.”, que a despeito de toda movimentação de criminalização que suporta é o maior produtor de arroz orgânico não somente do Brasil, mas também da América Latina e autor de um modo de gestão de acesso aos direitos fundamentais garantista e inclusivo.