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Advogada, coordenadora de Projetos CADH, mestre em Direitos e Garantias Fundamentais (FDV) e especialista em Direitos Humanos e Segurança Pública

Educação sexual abre as portas para sexualidade saudável e consciente

Quando se tem a informação adequada, as ocorrências de violência e abuso sexual, principalmente contra crianças e adolescentes, podem ser reduzidas

Publicado em 22/11/2021 às 02h00

Exercer a sexualidade com as informações necessárias para ser uma experiência positiva de vida é um direito fundamental, que está intimamente ligado ao direito à saúde e o direito à informação.

Falar sobre sexo de forma linear, não vulgar e abertamente é uma prática ainda tímida em nossa sociedade que reflete o comportamento de acordo com a estrutura cisheteronormativa, que rotulou como sexo adequado aquele praticado entre um homem e uma mulher, na penumbra, em ambiente privado, silenciosamente, dentro de um contrato e para fins de procriação.

Com essa tendência, a educação sexual é distorcida e atacada pelos conservadores fariseus de plantão que, em alguns casos, têm o discurso diferente de suas práticas usuais.

Os direitos sexuais mantêm sua gênese em aderência com a luta de mulheres por igualdade de gênero, sendo a educação e a informação os seus principais mecanismos metodológicos, que tem uma dupla função, possibilitar que cada pessoa compreenda as potências de seu corpo visando o bem-estar e coíba tipos recorrentes de abusos e violências sexuais.

Quando a informação e a educação são libertadoras, elas aram o terreno para o surgimento de práticas e condutas saudáveis que colocam o sexo em um patamar de naturalidade, simplicidade e prazer, sem culpa, assim como deve ser. Conhecer o corpo é o primeiro passo para saber tomar decisões e identificar doenças. Para saber o momento adequado para iniciar as experiências é necessário ter informações descontaminadas de ideologias fundamentalistas que enxergam na tutela e no controle dos corpos a saída para outras questões que são de responsabilidade das políticas públicas.

Outra função desempenhada pela educação sexual é o enfrentamento à violência e ao abuso sexual. Quando se tem a informação adequada, as ocorrências de tais práticas repulsivas, principalmente contra crianças e adolescentes, podem ser reduzidas, acionando-se as redes de proteção, que, diante do menor sinal que é dado pela vítima, devem atuar e amenizar os traumas.

Reconhecer o próprio corpo, dialogar sobre as vivências sexuais, reconhecer o direito ao prazer sexual e refletir sobre a construção dos papéis de homens e mulheres em nossa sociedade é fundamental para a mudança de paradigma. E, assim, uma vida mais feliz.

Viver a vida sexual sem amarras, com responsabilidade, com prazer e livre de discriminação são garantias da efetivação dos direitos sexuais, que incluem o direito a viver a sexualidade: sem medo, vergonha, culpa, falsas crenças e outros impedimentos à livre expressão dos desejos; independentemente do estado civil ou condição física; escolher o/a parceiro/a sexual sem discriminação, com liberdade e autonomia para expressar sua orientação sexual, livre de violência, discriminação e coerção, e com o respeito pleno pela independência corporal do/a outro/a; praticar a sexualidade independentemente de penetração; não abrir mão da prática do sexo seguro, para prevenir gravidez não desejada e as doenças sexualmente transmissíveis, incluindo o HIV-Aids.

A escolha por informar é a mais adequada para, inclusive, se a pessoa optar, de forma consciente e livre, por esperar.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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