Em 1991, vinte e três feministas de diferentes países se reuniram nos EUA e criaram o movimento educativo de massa conhecido como “16 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres”, com o objetivo de ser mais um instrumento na luta pela erradicação desse tipo de violência.
A mobilização inicia-se no dia 25 de novembro, em que se celebra o Dia Internacional de Luta contra a Violência contra a Mulher em homenagem as Las Mariposas, três irmãs dominicanas que foram assassinadas nesse dia, em 1960, pelo fato de enfrentar a ditadura de Rafael Leónidas Trujillo.
No Brasil, o início desse movimento é antecipado para o dia 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra, considerando a dupla discriminação que a mulher negra sofre com a violência, como parte de uma estrutura racista, misógina e homofóbica, confirmado pelos números da violência. De acordo com o monitoramento do “Um Vírus e Duas Guerras”, realizado por sete veículos de jornalismo independente com o objetivo de monitorar a violência contra a mulher em tempos de pandemia, ocorreu um feminicídio a cada nove horas entre março e agosto desse ano, constituindo uma média de três mortes por dia no Brasil.
Para enfrentar essa situação nos dias atuais, 159 países aderem a esse movimento, que tem seu término no dia 10 de dezembro, quando celebra-se o Dia Internacional dos Direitos Humanos. No Brasil, temos então, a partir das peculiaridades das violações que por aqui acontecem, 21 dias de ativismo, em que reflexões, atividades e manifestações compõe o repertório de luta contra todo tipo de violência e discriminação.
Esse período ainda contempla mais duas datas necessárias de luta, que é o 1º de dezembro, Dia Mundial de Combate à Aids, e 6 de dezembro, Dia de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres. No Brasil, nesse ano, a mobilização foi inaugurada com a realidade crua do racismo e da violência representado pelo assassinato de João Alberto Silveira Freitas em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. O crime de racismo, por mais que autoridades tentem minimizar, desvelam a face mais perversa de uma estrutura social que foi talhada pela exploração e aniquilamento do outro enquanto ser sócio-cultural-político.
Movimentos de lutas por direitos e contra a violência, como o que estamos vivenciando entre os dias 20 de novembro e 10 de dezembro, são indispensáveis para que as heranças de um processo de exploração que no Brasil data desde 1500, e que continuam fazendo suas vítimas, possam ser enfrentadas por meio de processos de lutas antirracista e antifascista, para que as gerações futuras, que estão sendo forjadas agora, tenham a compreensão que o outro, mesmo diferente de mim, é igual em direitos e dignidade.