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Futuro

Como ficam os direitos e os sentimentos em tempos de pandemia?

Os direitos e garantias que pareciam estar assegurados estão em xeque. Tudo pode mudar. Mais uma vez o “esquenta e esfria” da vida nos lembra que somente o que temos que ter agora é coragem

Publicado em 25 de Abril de 2020 às 05:00

Públicado em 

25 abr 2020 às 05:00
Verônica Bezerra

Colunista

Verônica Bezerra

Distanciamento social por causa do coronavírus
Distanciamento social por causa do coronavírus Crédito: Divulgação
Durante esses dias, vivemos muitos sentimentos, alguns ainda não mensurados, que perpassam todas as áreas da existência humana fazendo com que estejamos em permanente reavaliação. De nada temos mais certeza, até mesmo aqueles que achavam que tinham. Esses tempos que vivemos temos que reaprender que a vida é fugaz. As permanências se esvaem pelos dedos das mãos e não sabemos como será o amanhã, não havendo quem possa responder ao certo. Tudo é efêmero.
Os direitos e garantias que pareciam estar assegurados estão em xeque. Tudo pode mudar. Mais uma vez o “esquenta e esfria” da vida nos lembra que somente o que temos que ter agora é coragem, como bem nos advertiu Guimarães Rosa, dando conta de que a vida “aperta e afrouxa, sossega e depois desinquieta”, indicando ser necessário acostumar-se com as inconstâncias.
Muitas pessoas que pensavam estar com a vida tranquila, de uma hora para outra se depararam com o inconstante, e se ainda não se deram conta de que é preciso uma mudança brusca no viver, o sofrimento será mais aquilatado no futuro que está bem perto. A dimensão prévia a uma violação de direitos é sempre tomada por instantes estranhos em que se tem a noção do que está em jogo para se perder. E quando se perde algo que configurava como uma garantia, os sentimentos se misturam. No entanto, os dois sentimentos são antagônicos, mas complementares em momentos como esses.
Esses dois sentimentos que se instalam nesse momento vivenciado é o da saudade e do medo. Saudade de uma vida que já perdemos e não teremos de volta; e medo da vida que nos espera na porta de saída da quarentena, que traz na sua raiz uma numeração emblemática para a humanidade.
A saudade, enquanto sentimento do vazio, dá lugar ao medo, sentimento do preenchimento, e não damos contas de controlar os sentimentos que nos atravessam quando percebemos que os direitos de todos e todas, e principalmente daqueles mais vulnerabilizados, estão ameaçados de extermínio, sendo o primeiro deles: a vida.
A saudade dá espaço para o medo que nos sufoca, e, em muitos casos, imobiliza. A saída para isso é a coragem, para enfrentar toda a dificuldade que ainda está por vir, e não nos deixar imobilizar na luta por uma vida melhor do que a que tínhamos.

Verônica Bezerra

Advogada, coordenadora de Projetos CADH, mestre em Direitos e Garantias Fundamentais (FDV) e especialista em Direitos Humanos e Seguranca Publica

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