Durante uma ação da Polícia Militar em Colatina, o jovem Danilo de 20 anos, foi morto. Ele não obedeceu a uma ordem de parar o veículo que conduzia e os policiais efetuaram disparos, quando 44 tiros atingiram o carro e cinco encontram alvo no peito da vítima.
O jovem não tinha antecedentes criminais e não havia arma dentro do veículo, e mesmo que tivesse, não há justificativa para profissionais da segurança pública descarregarem dezenas de munições em um veículo por não parar em uma abordagem.
O caso causou comoção na cidade ao noroeste do Estado e a manifestação de várias instituições que pugnaram por apuração e providências. No entanto, a morte de Danilo, infelizmente é mais uma dessa natureza, que revela a gravidade que estamos enfrentando no Brasil e também no Espírito Santo quanto à violência policial e à letalidade decorrente em ações policiais.
Embora o Espírito Santo esteja numa decrescente de homicídios, conforme anunciado, dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), operado pelo Ministério da Justiça, apontam um aumento no número de mortes por intervenção policial no Espírito Santo em 2024. No ano passado foram registrados 73 casos, em comparação ao ano de 2023 que foram registradas 58 mortes, portanto, houve um aumento de 15 mortes, colocando o Estado em 18º lugar no ranking.
Isso revela que estamos diante de uma metodologia do confronto que não é eficaz para a redução da violência e enfrentamento das desigualdades, o que ainda cria possibilidades para o aumento da violência estatal.
A política estatal do confronto, perceptível na fala das autoridades, tais como as de que bandidos iriam “sair daqui no saco preto”, somada aos relatos nas comunidades periféricas de que em casos de morte por intervenção policial a corporação remove os corpos do local para encaminhar ao Departamento Médico Legal (DML) antes de a perícia chegar, cria a fórmula perfeita da impunidade e legitima a ação.
O enfrentamento dessa questão passa por formação e treinamento fundamentados nos princípios de Direitos Humanos, por acompanhamento biopsicossocial dos profissionais da segurança pública, pela transformação na cultura bélica de que o outro é inimigo e precisa ser abatido e pela mudança de posturas narrativas das autoridades da área que podem funcionar como uma autorização para matar.
Esse jogo precisa ser do ganha-ganha, ou seja, todas as pessoas precisam ganhar em dignidade, respeito e cidadania. É impossível construir um espaço social justo e igualitário tendo pessoas sendo exterminadas todos os dias nas franjas da sociedade e ao som do silêncio permissivo das ditas “pessoas de bem”.