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Luiz Paulo da Silva Araújo Filho

Artigo de Opinião

É desembargador e presidente do Tribunal Regional Federal da 2ª Região
Luiz Paulo da Silva Araújo Filho

Justiça que escuta, concilia e transforma

O TRF2 e a Justiça Federal do Espírito Santo vêm demonstrando que a Justiça pode — e deve — ser mais acessível, próxima e humana
Luiz Paulo da Silva Araújo Filho
É desembargador e presidente do Tribunal Regional Federal da 2ª Região

Publicado em 03 de Junho de 2026 às 14:00

Publicado em 

03 jun 2026 às 14:00

A Justiça só cumpre plenamente sua missão quando consegue alcançar a vida real das pessoas. Esse é o desafio diário do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, responsável pela Justiça Federal no Espírito Santo e no Rio de Janeiro: transformar decisões judiciais em respostas concretas para a população, especialmente para aqueles que mais dependem do poder público para garantir direitos básicos.


No Espírito Santo, a atuação da Justiça Federal está presente em demandas que impactam diretamente o cotidiano da população capixaba — desde ações previdenciárias e assistenciais até conflitos fundiários ligados à função social da moradia e da terra.


Os números ajudam a dimensionar essa presença. Em 2025, a Seção Judiciária do Espírito Santo recebeu mais de 28 mil novas ações e realizou cerca de 195 mil despachos e decisões judiciais. Foram mais de 30 mil processos baixados, alcançando um índice de atendimento à demanda superior a 108%. Na prática, isso significa que a Justiça Federal solucionou mais processos do que o total de novas ações recebidas no período.

Justiça Federal no Espírito Santo Ricardo Medeiros

Mas, por trás das estatísticas, existem histórias humanas.


Grande parte dos processos envolve cidadãos em busca de aposentadorias, benefícios assistenciais, medicamentos, tratamentos médicos ou reconhecimento de direitos sociais. 


Apenas os pedidos ligados ao Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS), destinado a idosos e pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade, representaram mais de 500 julgamentos em 2025.


Outro aspecto fundamental da atuação do TRF2 no Espírito Santo é a interiorização da Justiça. Além da estrutura em Vitória, a Justiça Federal está presente em Cachoeiro de Itapemirim, Colatina, Linhares, São Mateus e Serra, aproximando magistrados, servidores e canais de atendimento da realidade do interior capixaba.


Essa aproximação também vem sendo fortalecida pelos Pontos de Inclusão Digital (PIDs), que ampliam o acesso da população aos serviços da Justiça Federal, inclusive em municípios sem varas federais. 


Já existem unidades em Ponto Belo, Fundão, São Domingos do Norte e Marechal Floriano, oferecendo atendimento virtual, participação em audiências por videoconferência e apoio no encaminhamento de demandas judiciais.


A proximidade também se manifesta na busca por soluções consensuais. Em 2025, foram realizadas 126 audiências de conciliação e homologados mais de 500 acordos entre as partes, muitos conduzidos pelo Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc).

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Em tempos de polarização e descrença institucional, aproximar a Justiça da sociedade tornou-se um dos maiores desafios do Judiciário brasileiro. E isso não se faz apenas com tecnologia, produtividade ou modernização administrativa.


Faz-se, sobretudo, com presença.


Presença nos municípios do interior. Presença nos conflitos sociais. Presença nas demandas de saúde, previdência e assistência social. Presença na vida de quem mais precisa ser ouvido.


O TRF2 e a Justiça Federal do Espírito Santo vêm demonstrando que a Justiça pode — e deve — ser mais acessível, próxima e humana. Porque, no fim das contas, nenhum tribunal existe apenas para julgar processos. Existe para servir pessoas.

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