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Orlando Caliman

Artigo de Opinião

É economista e pesquisador
Orlando Caliman

O peso do setor atacadista na economia capixaba

Apesar do cenário favorável, o setor enfrentará desafios importantes com a reforma tributária
Orlando Caliman
É economista e pesquisador

Publicado em 02 de Junho de 2026 às 10:00

Publicado em 

02 jun 2026 às 10:00

O setor atacadista consolidou-se como um dos principais pilares da economia do Espírito Santo. Ele cumpre papel estratégico na transformação produtiva, na arrecadação de tributos e na integração logística do Estado aos mercados nacional e internacional.


Nos últimos dez anos, o setor ajudou a diversificar e tornar mais complexa a nossa economia. Com forte presença do comércio e da logística, o Espírito Santo se firmou como um verdadeiro “hub” logístico do país.


Esse avanço deveu-se em grande medida ao incentivo fiscal do Compete Atacadista. O mecanismo acelerou a consolidação do Estado como polo logístico nacional, dinamizando o comércio interestadual, o transporte, a armazenagem e a distribuição.

Galpão logístico, armazenamento, mercadorias
Galpão logístico Freepik

Os números traduzem essa força. Entre 2017 e 2024, o fluxo comercial do Espírito Santo com os demais estados (soma de entradas e saídas de mercadorias) saltou de R$ 210,1 bilhões para R$ 908,5 bilhões, segundo o Confaz. É um crescimento de 332%, equivalente a 4,3 vezes o PIB estadual.


Segundo pesquisa realizada pelo Sincades, estima-se que o atacado capixaba faturou cerca de R$ 200 bilhões. Desse total, R$ 172 bilhões vieram de vendas para fora do Estado, dos quais 70% são para o Sudeste, o que representa aproximadamente 34% das vendas interestaduais do Espírito Santo.


O reflexo aparece também na arrecadação. O ICMS gerado pelo setor passou de R$ 1,87 bilhão em 2016 para R$ 6,64 bilhões em 2025, alta de 255%, enquanto a arrecadação total do tributo cresceu 82% no mesmo período. 


Os municípios foram diretamente beneficiados: as transferências subiram de R$ 470 milhões para R$ 1,66 bilhão, ampliando a capacidade de investimento das prefeituras.


Mas o impacto vai além dos impostos. Cada aumento nas vendas do atacado movimenta produção, renda e empregos, ativando transporte, armazenagem, serviços logísticos e o mercado de galpões.


Apesar do cenário favorável, o setor enfrentará desafios importantes com a reforma tributária. Com o IVA, as vendas interestaduais deixarão de ser tributadas na origem e passarão a ser cobradas no destino. Empresas hoje instaladas no Espírito Santo podem ser atraídas por outros estados, mais próximos dos grandes mercados consumidores.

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Parte das operações realizadas aqui pode migrar, com efeitos negativos sobre a arrecadação e sobre atividades ligadas ao setor, especialmente transporte, armazenagem e logística.

Por isso, é fundamental que, com os investimentos em rodovias e ferrovias, o Estado e o setor privado construam estratégias para uma transição menos onerosa  e, se possível, geradora de novas oportunidades.


Um caminho é migrar o atual incentivo fiscal para um novo modelo de atração de investimentos, que combine instrumentos como crédito subsidiado, private equity, fundos garantidores e outros mecanismos financeiros. 


O importante é preservar a competitividade conquistada e dar segurança a quem já investe no Estado. O Espírito Santo tem trajetória, infraestrutura em expansão e maturidade institucional para enfrentar esse desafio.

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