O setor atacadista consolidou-se como um dos principais pilares da economia do Espírito Santo. Ele cumpre papel estratégico na transformação produtiva, na arrecadação de tributos e na integração logística do Estado aos mercados nacional e internacional.
Nos últimos dez anos, o setor ajudou a diversificar e tornar mais complexa a nossa economia. Com forte presença do comércio e da logística, o Espírito Santo se firmou como um verdadeiro “hub” logístico do país.
Esse avanço deveu-se em grande medida ao incentivo fiscal do Compete Atacadista. O mecanismo acelerou a consolidação do Estado como polo logístico nacional, dinamizando o comércio interestadual, o transporte, a armazenagem e a distribuição.
Os números traduzem essa força. Entre 2017 e 2024, o fluxo comercial do Espírito Santo com os demais estados (soma de entradas e saídas de mercadorias) saltou de R$ 210,1 bilhões para R$ 908,5 bilhões, segundo o Confaz. É um crescimento de 332%, equivalente a 4,3 vezes o PIB estadual.
Segundo pesquisa realizada pelo Sincades, estima-se que o atacado capixaba faturou cerca de R$ 200 bilhões. Desse total, R$ 172 bilhões vieram de vendas para fora do Estado, dos quais 70% são para o Sudeste, o que representa aproximadamente 34% das vendas interestaduais do Espírito Santo.
O reflexo aparece também na arrecadação. O ICMS gerado pelo setor passou de R$ 1,87 bilhão em 2016 para R$ 6,64 bilhões em 2025, alta de 255%, enquanto a arrecadação total do tributo cresceu 82% no mesmo período.
Os municípios foram diretamente beneficiados: as transferências subiram de R$ 470 milhões para R$ 1,66 bilhão, ampliando a capacidade de investimento das prefeituras.
Mas o impacto vai além dos impostos. Cada aumento nas vendas do atacado movimenta produção, renda e empregos, ativando transporte, armazenagem, serviços logísticos e o mercado de galpões.
Apesar do cenário favorável, o setor enfrentará desafios importantes com a reforma tributária. Com o IVA, as vendas interestaduais deixarão de ser tributadas na origem e passarão a ser cobradas no destino. Empresas hoje instaladas no Espírito Santo podem ser atraídas por outros estados, mais próximos dos grandes mercados consumidores.
Parte das operações realizadas aqui pode migrar, com efeitos negativos sobre a arrecadação e sobre atividades ligadas ao setor, especialmente transporte, armazenagem e logística.
Por isso, é fundamental que, com os investimentos em rodovias e ferrovias, o Estado e o setor privado construam estratégias para uma transição menos onerosa e, se possível, geradora de novas oportunidades.
Um caminho é migrar o atual incentivo fiscal para um novo modelo de atração de investimentos, que combine instrumentos como crédito subsidiado, private equity, fundos garantidores e outros mecanismos financeiros.
O importante é preservar a competitividade conquistada e dar segurança a quem já investe no Estado. O Espírito Santo tem trajetória, infraestrutura em expansão e maturidade institucional para enfrentar esse desafio.