Nas últimas semanas, um vírus passou a integrar a cartela de causas de enfermidades, fazendo com que a população do mundo precisasse aprender a enfrentar, por meio de ações simples, e que compõem as recomendações para a manutenção da saúde primária, um “novo mal”. Medidas singelas são capazes de afastar a doença causada pelo Covid-19 (Coronavírus), pertencente a uma família viral conhecida desde a década de 1960, de acordo com o Centro de Vigilância Epidemiológica de São Paulo.
A confirmação da chegada do coronavírus ao Brasil demandou das autoridades medidas ajustadas para a identificação de possíveis infectados, adequação de protocolos para a contenção da proliferação, antecipação de campanhas de vacinação da gripe e reforço de orientação para adoção de práticas simples de higiene.
Em meio ao que parece ser o caos, um feito possui denotada relevância, diante da confirmação dos primeiros casos no Brasil. Refiro-me ao trabalho das cientistas brasileiras do Instituto Aldofo Lutz, em parceria com a Universidade de São Paulo e a Universidade de Oxford, que descobriram a configuração do vírus e sequenciamento do genoma, se tornando elementar para a compreensão e encaminhamentos de medidas para o controle.
A descoberta, que levou somente 48 horas, considerado tempo recorde conforme site Mundo Negro, possui uma importância enorme para a identificação do fenômeno, sua origem, possíveis mutações e, principalmente, formas de enfrentá-lo.
A importância desse feito ganha um peso extraordinário, em meio a tantos ataques reducionistas suportados pelas mulheres e academia, quando tomamos conhecimento que a equipe que alcançou esse resultado destacável para a resolução dessa questão é coordenada por uma cientista mulher, negra e bolsista, pós-doutoranda da Faculdade de Medicina da USP, doutora Jaqueline Goes de Jesus.
Na semana do Dia Internacional da Mulher, o feito da doutora Jaqueline indica o quanto a violência, invisibilidade e discriminação produzidas por machismos, misoginias e preconceitos sufocam a ciência, e consequentemente, o quanto o mundo poderia ter evoluído se as mulheres de todas as partes do mundo não fossem interrompidas pela brutalidade de uma sociedade, que ainda se encontra contaminada pelo vírus do poder sectarista insistente na redução de pessoas, considerando o gênero, cor da pele, situação socioeconômica e lugar onde vive.
Ao longo da história, a Ciência sempre foi ocupada por mulheres que contribuíram, e muito, para a alcance de descobertas importantíssimas, e que em muitos casos foram atribuídas aos seus companheiros, vide o caso de Mileva Maric Einstein, sendo relegadas ao papel de coadjuvantes.
A mulher é protagonista de seu tempo, dona da sua história e comandante do seu leme. Histórias como a de Jaqueline, que existem milhares nesses rincões, que fazem ciência com o objetivo de imprimir qualidade para a vida do povo, lutam por um mundo melhor na contramão do poder imposto por poucos que não contribuem em nada, precisam se tornar corriqueiras, para que, de uma vez por todas, o mundo entenda e respeite, que o lugar da mulher é onde ela quiser e do jeito que quiser.