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Férias

Por que é tão complicado fazer turismo no Brasil?

Não é só Guarapari no verão, com  problemas de falta d’água, de recolhimento de lixo e de sinal de internet: grandes destinos do país também falham em oferecer boas experiências ao turista

Publicado em 08 de Fevereiro de 2024 às 01:30

Públicado em 

08 fev 2024 às 01:30
Tarcísio Bahia

Colunista

Tarcísio Bahia

“Quando você chegar / Quando você chegar / Quando você chegar / Numa nova estação / Te espero no verão” (“Prefixo de Verão”, Banda Mel)
Que o verão é a estação mais animada no Brasil, todos nós já sabemos. O calor nos impulsiona a sair de casa, pegar um vento na cara, ir para as praias, parques, encontrar os amigos e, principalmente, viajar.
O maior faturamento do setor do turismo ocorre no verão, quando os hotéis e pousadas ficam lotados, enquanto aeroportos, rodoviárias e estradas em intensa movimentação no vai e vem de gente circulando. Bares e restaurantes enchem de gente, afinal a maioria das pessoas encontra-se em férias, pois todos querem aproveitar o período para sair da rotina do resto do ano.
É uma “via de mão dupla”, de um lado o setor de serviços, do outro a população, ambos aguardando ansiosamente a chegada do verão. Uns faturando alto, outros gastando, e todo mundo feliz. Bem, nem tão feliz assim, pois tampouco faltam problemas, quase todos eles recorrentes e que poderiam muito bem ser evitados.
E os problemas que os turistas sofrem são tanto estruturais quanto operacionais.
Até tivemos a modernização de diversos aeroportos país afora, graças aos editais de concessão do governo federal. Mas no caso das rodoviárias, a situação é mesmo dramática, com estruturas antigas, obsoletas, e sem conforto ao viajante, afinal elas nem sequer possuem climatização (então já dá pra imaginar o que é ficar esperando embarcar num ônibus, antes de pegar a estrada, nesse calorzão de verão, né?).
E o que falar das nossas rodovias, onde milhares de acidentes fatais ocorrem todos os anos. É certo que há muita imprudência dos motoristas, mas não se pode minimizar as condições das estradas brasileiras, sejam elas federais ou estaduais. Traçado ruim, pavimento deteriorado, ausência de sinalização, enfim, muita coisa junta e misturada pondo em risco a vida dos viajantes, além, é claro, de trabalhadores como são os motoristas de caminhões e ônibus.
Mas não são esses os únicos problemas estruturais à espera dos turistas, pois ao chegarem às cidades eles encontrarão muitas delas com problema de falta d’água, de recolhimento de lixo e de sinal de internet, esgoto jorrando à céu aberto (muitas vezes chegando às praias), e até engarrafamentos (gente, será que vale mesmo a pena viajar???).
Esse é o caso, por exemplo, de Guarapari, famoso balneário e o principal destino turístico de veraneio do Espírito Santo. Todos os anos a cidade lota de turistas que, junto com a descontração que rola nas areias, enfrentam as mesmas mazelas (falta d’água, esgoto, etc.) e que se somam a outras mais, já que a questão da balneabilidade das praias vem provocando surtos de doenças, algo ainda mais grave.
Até mesmo coisas simples de resolver são ignoradas, afinal até existem placas informando que o uso de caixas de som é proibido nas praias, mas o que se vê, ou melhor, se ouve, é um som ensurdecedor, deixando claro que o que falta mesmo é fiscalização da prefeitura. Nesse caso, já estamos falando de questão operacional e não estrutural.
Mas quanto a isso, ainda cabe acrescentar a buraqueira das ruas, que não só incomoda quem dirige, mas dá uma péssima impressão ao visitante, que não tem como levar somente boas lembranças dos dias ali passados.
Neste ponto a gente se pergunta, afinal, o que fez a prefeitura da cidade para se preparar para o verão, para a chegada de milhares de turistas? Aparentemente, nada.
Poderia ser um caso isolado, mas não é. E aí nos damos conta que esse é um ano de eleições municipais. Sorte dos governantes que turistas não votam nas cidades em que se hospedam, mas nas que residem.
Também se poderia pensar que se trata de situações que não são encontradas em grandes cidades que também são grandes destinos turísticos, como é o caso de Rio de Janeiro ou Salvador, por exemplo.
Cristo Redentor, no Rio de Janeiro
Cristo Redentor, no Rio de Janeiro Crédito: Riotur/Divulgação
Estive em Salvador semanas atrás, cidade que adoro, a que vou quase todos os anos, pois tenho parentes lá. Ainda assim, mesmo com a simpatia típica do baiano, não faltaram experiências desagradáveis, principalmente no que tange ao atendimento em bares e hotéis, com atendentes mal preparados. E não dá nem para justificar o infortúnio sofrido em função da famosa malemolência, pois o que fica evidente é o pouco treinamento dado àqueles que deveriam oferecer um serviço admirável ao turista, um cliente como qualquer outro.
Por fim, o Rio, cidade maravilhosa onde nasci, linda por natureza, com enorme alegria, mas também com uma violência urbana sistemática e crônica que afeta tanto moradores quanto visitantes.
Turistas ou não, viajar nos proporciona lembranças, experiências, e elas também podem influenciar nossas decisões, inclusive na hora de escolhermos quem governará nossas cidades, cujas eleições estão chegando.

Tarcísio Bahia

Arquiteto, professor da Ufes e diretor do IAB/ES. Cidades, inovacao e mobilidade urbana tem destaque neste espaco

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