“Eu quero o sol / Ao despertar / Brincando com a brisa / Por entre as plantas / Da varanda / Em nossa casa (...) E é tão gostoso ter / Os pés no chão e ver / Que o melhor da vida / Vai começar” (“O Melhor Vai Começar”, Guilherme Arantes)
Início de ano é sempre um momento de esperanças de que as coisas vão melhorar, afinal é o começo de um novo ciclo.
Não faltam, porém, motivos para pensar ao contrário, pois 2023 não foi nada fácil. Além da guerra na Europa, tivemos o início de outro conflito no Oriente Médio e tensões até aqui perto, na América do Sul. E o que dizer da crônica violência urbana brasileira? Sem falar da crise climática, com tempestades torrenciais no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, longa seca na úmida Amazônia, além de um calor infernal como nunca tinha sido visto em outras partes do país.
É possível que alguém até diga que nada disso se compara ao período da pandemia que atravessamos pouco tempo atrás; mas o homem sempre quer o melhor para si, então nenhuma tragédia que traga sofrimento é desejável ou comparável. Entretanto, é também esse mesmo homem – ser racional – quem mata outro ser vivo por motivos que não seja o de alimentar-se.
De qualquer modo, é certo que entre os homens há aqueles altruístas, pessoas que só querem fazer o bem aos demais. Mas nem era necessário que a maioria fosse assim, desde que tampouco houvesse tanta amargura, maldade e inveja no mundo, pois já seria suficiente para termos menos martírio a nossa volta.
E não dá pra colocar toda a culpa das catástrofes climáticas no El Niño ou La Niña, já que temos suficiente sabedoria para saber que muita coisa poderia ser evitada se agíssemos de modo preventivo, nos amparando mutuamente.
As enchentes, por exemplo, poderiam ser combatidas com proteção e limpeza dos cursos d´água e suas margens, evitando alagamentos. Ah, e fazer o correto descarte do lixo doméstico!
Outra medida, em locais com histórico de problema de enchentes, são as piscinas ou reservatórios de retenção, capazes, inclusive, de contribuir com o problema de abastecimento de água em épocas de estiagem. Aliás, será que os governos locais e o federal já estão tomando medidas que possam amenizar o problema das populações urbanas da região amazônica, caso haja novos períodos de seca?
Quanto ao calor, a água também é elemento fundamental para combatê-lo, pois além do indispensável banho refrescante, precisamos nos hidratar bebendo mais água para poder reequilibrar nosso corpo. E, como já falamos anteriormente neste mesmo espaço, ações como a expansão da arborização urbana são fundamentais para atenuar o desgaste que sentimos com as temperaturas elevadas, como as ocorridas há pouco tempo.
Ainda assim, o que cada um de nós vem fazendo para evitar o desperdício de água?
Se o aquecimento global é atribuído à emissão de CO2, parte da solução do problema seria diminuirmos os deslocamentos de mercadorias e população, e assim teríamos menos veículos à combustão trafegando por estradas e ruas. Os veículos elétricos são até bem-vindos, mas o descarte das baterias – altamente agressivas ao meio ambiente – ainda é um problema pouco debatido.
E se precisamos nos alimentar, a implantação de fazendas urbanas, com controle preciso da água para irrigação e no combate às pragas, talvez seja um dos caminhos que teremos que adotar cada vez mais, afinal elas proporcionariam deslocamentos menores entre produção e consumo.
É claro que a questão da alimentação, por si só, já é um enorme desafio, mas não pela falta ou baixa produção de alimentos, e sim por sua distribuição e custo, pois grande parte da população mundial não tem acesso ou recursos financeiros para manter uma dieta mínima e saudável, enquanto numa parte do planeta muita coisa é desperdiçada, indo parar no lixo.
Enfim, se não faltam problemas, não faltam opções para enfrentá-los. E você, caro leitor, o que pretende fazer para nos trazer esperança neste novo ano?