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Fiscalização

O aumento na venda de veículos novos e as medidas para coibir infrações

Venda de veículos novos em outubro de 2024 cresceu 20,66% em relação a outubro de 2023; números incluem automóveis, caminhões, ônibus e, principalmente, motos

Publicado em 04 de Dezembro de 2024 às 23:00

Públicado em 

04 dez 2024 às 23:00
Tarcísio Bahia

Colunista

Tarcísio Bahia

Segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) e divulgados pela Agência Brasil, a venda de veículos novos em outubro de 2024 cresceu 9,6% em relação a setembro e 20,66% quando comparado com outubro de 2023. Os números incluem não só automóveis, mas também caminhões, ônibus e, principalmente, motos.
O resultado disso é que as cidades, assim como as rodovias, estão sobrecarregadas, com um enorme fluxo de veículos transitando por elas diariamente, já que a frota não para de aumentar. E assim, os acidentes são cada vez mais frequentes, e que vão desde as pequenas batidas até as graves colisões e atropelamentos com mortes.
Veículos no trânsito do Rio de Janeiro
Veículos no trânsito: a despeito da imprudência dos condutores de veículos, o certo é que nossas estradas não são, em sua maioria, seguras. Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil
É claro que temos um histórico comportamental de motoristas imprudentes, que frequentemente desrespeitam a legislação de trânsito. Mas como se vê, porém, não tem fiscalização, e muito menos campanha educativa, que deem jeito de mudar essa triste realidade. A despeito da imprudência dos condutores de veículos, o certo é que nossas estradas não são, em sua maioria, seguras.
É o caso do trecho da BR 101 no Espírito Santo, já sob concessão, mas cujas obras de duplicação (que resolveriam radicalmente o problema dos graves acidentes, pois praticamente eliminam-se as colisões frontais) estão bastante atrasadas. Apesar dos argumentos da concessionária na dificuldade em obtenção de licenças ambientais como justificativa para boa parte do atraso no cronograma da duplicação, sabe-se que a questão financeira na arrecadação nas tarifas do pedágio também tem motivado o retardamento das obras.
Enquanto isso, nos resta assistir nos telejornais as inúmeras reportagens sobre mais um acidente com mortos e feridos ao longo de diversos trechos da rodovia.
A fiscalização por radares ao longo das estradas e em muitas vias urbanas tem sido uma das maneiras de tentar coibir a alta velocidade dos veículos, que é uma das causas de muitos acidentes. Agora já há até mesmo uma nova tecnologia sendo testada que medirá a velocidade média dos veículos, de modo que não adiantará o motorista reduzir a velocidade apenas nos trechos equipados com radares, pois o sistema detectará o tempo médio percorrido ao longo de um trecho rodoviário (tal como se fosse um Big Brother das estradas).
Trata-se de (mais) uma tentativa de punir aqueles motoristas que sempre tentam burlar as regras do trânsito seguro. E o que dizer dos motociclistas de entregas por aplicativos cometendo todo tipo de infração, como se já tivessem certeza que ficarão impunes?
Quem circula pelas cidades sempre vê inúmeras infrações serem cometidas, principalmente por carros e motos, que avançam o sinal vermelho, usam o celular com o veículo em movimento, fazem conversões proibidas ou sequer dão seta ao fazer uma conversão. Há também aquelas que não representam risco de acidentes, como é o caso de estacionar em vaga destinada à PCD (pessoa com deficiência) ou idoso, mas que representa um enorme desrespeito com aquelas pessoas que merecem toda consideração e respeito.
O certo é que as multas estão aí pra isso, para disciplinar o comportamento do motorista, fazendo doer principalmente no bolso. Segundo o Código Brasileiro de Trânsito (CTB) as multas são classificadas em leves, médias, graves e gravíssimas, cada uma delas com valores e pontuação específicos que imputam na CNH do condutor.
Um exemplo de multa leve é “estacionar o veículo sobre a calçada”, assim como “deixar de sinalizar com antecedência a manobra pretendida” (como fazer uma conversão sem dar seta) é uma multa média. Ou seja, situações que não representam risco ou possuem baixo risco de causar acidentes. Entre as multas graves, está “deixar de dar preferência ao pedestre que já tenha iniciado a travessia em vias transversais”.
Por fim, “fazer competição esportiva” e “deixar de dar passagem para veículos de socorro, incêndio e salvamento” são exemplos de infrações gravíssimas. Por outro lado, não consigo entender por que estar com o “licenciamento do veículo vencido” é uma multa gravíssima.
De acordo com dados do relatório Global Status Report on Road Safety, da Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil ocupa uma vergonhosa terceira posição em mortes no trânsito. A redução no número de acidentes nas vias urbanas e estradas brasileiras é, portanto, algo urgente que precisa de uma nova estratégia das autoridades de trânsito do país, pois os atuais instrumentos de regulação e fiscalização estão se mostrando ineficazes.

Tarcísio Bahia

Arquiteto, professor da Ufes e diretor do IAB/ES. Cidades, inovacao e mobilidade urbana tem destaque neste espaco

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