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Cidades

Projetos de mobilidade urbana andam tão lentos quanto o próprio trânsito

Eles vivem a contraditória situação de aparentemente “andarem em marcha lenta”, quase sem sair do lugar, como se fossem a metáfora do próprio trânsito engarrafado que querem ajudar a melhorar

Públicado em 

05 set 2024 às 03:00
Tarcísio Bahia

Colunista

Tarcísio Bahia

“Nesse calor das seis da tarde / Molhado de suor / Escorrendo pelo corpo / Pingando ao meu redor / Sinto arrepios / Vontade de te ver / Desejo estar contigo / Quero te querer / Eu quero....Hummmm / Quero te querer” (“Seis da tarde”, Ed Motta e Fran Bouéres)
Gostemos ou não, já faz parte da nossa rotina perder um enorme tempo no final de um dia desgastante sem poder fazer nada, a não ser esperar, esperar e esperar, até que o trânsito dê uma pequena desafogada e permita algum movimento para frente na vã esperança de que logo cheguemos em casa.
Seis da tarde... não tem jeito, só resta mesmo ter paciência.
Paciência que muitos motoristas às vezes não têm, e aí fecham cruzamentos, buzinam, só aumentando a tensão do momento e só piorando a situação que já estava muito ruim.
No horário de pico, o trânsito é péssimo em qualquer cidade, seja ela média,  seja ela, principalmente, grande, sem falar nas metropolitanas, cuja conurbação (que ocorre quando duas ou mais cidades se unem geograficamente) só faz aumentar o tempo pendular gasto para irmos de casa para o trabalho e vice-versa.
É claro que existem cidades com um sistema de transporte público de massa mais eficiente e confortável, que diminui o sofrimento do trabalhador. Mas esse não é bem o caso da maioria das cidades brasileiras, incluindo as que formam a região metropolitana da Grande Vitória.
Segundo dados da Pesquisa Mobilidade Urbana 2022, realizada por intermédio da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) em parceria com o Sebrae, os brasileiros que vivem nas capitais gastam em média duas horas por dia no trânsito em seus deslocamentos entre casa e trabalho ou estudo ou compras.
Além de um enorme desperdício de tempo, tal situação compromete a saúde dos brasileiros, afeta a produtividade do trabalhador, a concentração dos estudantes, enfim, reduz a qualidade de vida das pessoas.
O problema é que não há nenhuma perspectiva de mudança dessa realidade. Os projetos de mobilidade urbana vivem a contraditória situação de aparentemente “andarem em marcha lenta”, quase sem sair do lugar, como se fossem a metáfora do próprio trânsito engarrafado que querem ajudar a melhorar.
A despeito de parte das obras de mobilidade e de infraestrutura urbanas dependerem de recursos estaduais e federal (e às vezes até de organismos internacionais), nada melhor do que as eleições municipais para discutirmos tal questão, afinal a gestão do espaço das cidades cabe ao prefeito, sob o olhar dos vereadores.
É certo que por conta do pacto federativo, a arrecadação dos municípios é aquém da necessidade dos seus gastos, demandando repasses do governo federal ou do estado ao qual a cidade pertence. Apesar disso, os projetos e planos que visam organizar o território urbano, que efetivamente é onde as pessoas vivem, são de competência das prefeituras que, por sua vez, são fiscalizadas (ou pelo menos deveriam ser...) pelas câmaras de vereadores.
No entanto, ao que cabe nesse tema aos vereadores, o que mais temos visto é eles encaminharem projetos para alterar nome de ruas, homenageando algum desconhecido, e que normalmente só serve mesmo para complicar a vida de quem lá vive, pois o morador se vê obrigado a alterar seus dados cadastrais nas concessionárias de serviço públicos, bancos, empregadores, etc.
Mobilidade urbana, problema comum na Grande Vitória
Mobilidade urbana Crédito: Vitor Jubini
Mais importante do que nome de ruas é a gestão do uso do solo, que ocorre por meio dos planos diretores. O plano diretor, encaminhado pelo poder executivo municipal, tem sua discussão final e aprovação justamente pelas câmaras de vereadores.
Não faltam exemplos das consequências do mau uso do solo, como é o caso da orla marítima de Vila Velha e Guarapari, por exemplo, que não só adensaram o território num sistema viário inadequado (que contribui para os engarrafamentos), como também provoca sombra na areia das praias.
O zoneamento urbano, dado pelos planos diretores, é um dos instrumentos de controle que interferem na mobilidade das pessoas e veículos e, portanto, no trânsito, isto é, nos engarrafamentos.
São várias as atribuições de um plano diretor, todas elas diretamente ligadas ao modo como vivemos nas cidades. Ou seja, tá aí um tema que deve ser debatido por aqueles que desejam pleitear uma cadeira de prefeito ou de vereador nas próximas eleições, e que deveriam ser cobrado por nós, eleitores.

Tarcísio Bahia

Arquiteto, professor da Ufes e diretor do IAB/ES. Cidades, inovação e mobilidade urbana têm destaque neste espaco

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