Como se sabe, a informática e, em seguida, a internet, provocaram uma radical transformação na vida humana. Lembro-me, por exemplo, da primeira vez que comprei uma passagem aérea pelo celular: rápido e sem gasto com papel. Que coisa prática! E, aí, vem à mente aquela época em que o bilhete para viajar de avião era comprado numa agência de viagem e semelhante a um talão de cheque preenchido à mão. Ah, até mesmo isto, o cheque como meio de pagamento, que praticamente desapareceu graças às inovações.
É certo que o mundo atual não se tornou um lugar mais seguro que no passado, pois se antes havia o risco de alguém furtar o talão de cheques, falsificar assinatura e passar um “voador”, hoje estamos sempre sob a ameaça de sofrer algum ataque de hacker invadindo contas bancárias e transferindo nosso dinheiro de modo criminoso.
Mas vejamos o caso da “Primavera Árabe”, quando a população oprimida de países de maioria muçulmana se opôs a governos totalitários por meio de articulação via internet, escapando assim ao controle ditatorial. Trata-se de algo impensável, se não fossem as novas ferramentas digitais de comunicação.
Não há como negar: a informática e a internet vieram para facilitar nossas vidas, mesmo que boa parte de tudo ainda ocorra de modo presencial.
Nesse sentido, para muita gente é até estranho ver como os Estados Unidos, a nação mais poderosa do mundo, ainda faz uso de um sistema eleitoral “arcaico”, com voto em papel, pelo correio, contagem manual e, consequentemente, lentíssimo, enquanto um país como o Brasil, com uma das maiores desigualdades do planeta e ainda considerado como “em desenvolvimento” faz uso da informática em suas eleições, garantindo agilidade no processo eleitoral.
E, justamente agora, estamos para enfrentar mais uma eleição, desta vez para escolher prefeitos e vereadores nos mais de cinco mil municípios brasileiros, sejam eles uma metrópole como São Paulo, com mais de 12 milhões de habitantes e mais de oito milhões de eleitores, sejam como a pequena Divino de São Lourenço, no Espírito Santo, com pouco mais de quatro mil eleitores. Talvez seja melhor expressar a diferença numericamente: São Paulo > 8.000.000 / Divino de São Lourenço > 4.000 = 2.000!
É claro que, com a pandemia, a despeito de todos os procedimentos protocolares sanitários adotados e divulgados no Brasil pelos TREs, é possível que haja uma abstenção recorde nesta eleição municipal de 2020.
A eficiência na gestão municipal deve (ou deveria) ser um dos principais pontos nos programas de governo dos candidatos a prefeitos. De fato, muitas cidades brasileiras já vêm implantando sistemas que visam melhorar a eficiência no monitoramento da dinâmica urbana e na resposta de demandas da população a partir de ferramentas digitais, impensáveis antes da informática e da internet.
Adota-se o termo de “cidade inteligente” para aquelas áreas urbanas dotadas de dispositivos que controlam, por exemplo, a sinalização semafórica em função do fluxo de pessoas e veículos transitando pelas vias urbanas, visando a promover a manutenção preventiva; a disposição de lixo nos pontos de coleta; o consumo de água nas diversas regiões da cidade; o fluxo de água na rede pluvial; a atividade comercial nos bairros e centros de compras; a matrícula escolar, bem como a entrada e saída diária dos alunos nas escolas, entre outros aspectos do dia a dia das prefeituras e dos cidadãos.
Todos os dias aparece um buraco novo no asfalto, provocado pela chuva e/ou pelo tráfego intenso; alguém joga lixo num lugar indevido; estoura um cano d’água; camelôs entram em conflito com comerciantes devidamente registrados; estudantes cabulam aula pra cometer algum tipo de inconformidade e por aí vai...
Para dar conta de tais problemas, uma ferramenta cada vez mais comum nas cidades brasileiras é o “Fala cidadão”, um aplicativo capaz de colocar o munícipe em contato rapidamente com as administrações municipais. Como funciona? Alguém passando numa rua qualquer, por exemplo, vê um buraco, tira uma foto com o celular, que já é logo localizado via GPS, abre um protocolo no mesmo momento pelo aplicativo instalado no seu smartphone, e assim a prefeitura logo enviará uma equipe para resolver o problema e, tão logo esteja resolvido o problema, o cidadão receberá uma mensagem confirmando a solução de sua demanda.
E assim os governos, e não só os municipais, mas também os estaduais e o federal, vão implantando sistemas de gestão totalmente baseados na informática e na internet, simplificando a vida do cidadão, que não precisará mais deslocar-se para alguma repartição pública para tratar de alguma questão do seu interesse, como uma matrícula do seu filho numa escola, agendamento médico num posto de saúde; um requerimento junto ao INSS; entre tantos problemas que qualquer pessoa precisa resolver com o poder público.
Bom seria, contudo, que no Brasil não houvesse mais de 11 milhões de analfabetos e mais de 42 milhões de pessoas sem acesso à internet, pois tais políticas públicas não foram pensadas considerando esse enorme contingente de brasileiros, afinal no mundo deles nada disso faz sentido...