A despeito do enorme esforço de desmonte das nossas instituições estatais, o corpo técnico que lá permanece continua realizando arduamente seu trabalho, atendendo as demandas necessárias ao desenvolvimento do país.
É o caso do IBGE, que não só tem o grande desafio de realizar o Censo, que trará um retrato do que é o Brasil atual, mostrando para onde temos andado, como também continua realizando várias outras pesquisas capazes de fundamentar o planejamento das políticas públicas nos diversos níveis de governança.
Se em função da pandemia e da ameaça no orçamento para a sua realização provocou o adiamento do Censo, cuja coleta de dados finalmente se iniciará em agosto deste ano, em 2021 tivemos a publicação da Divisão Urbano-Regional do Brasil que nos mostra “a rede urbana brasileira, a hierarquia de seus centros e suas áreas de influência”.
Que o Brasil é cada vez mais urbano e também metropolitano não se tem mais dúvidas, a novidade agora é a ampliação no número de metrópoles, que passaram de 12 para 15, com a reconfiguração dos arranjos populacionais de Campinas, Florianópolis e Vitória, e que vem a ser a cidade onde moro atualmente.
A conceituação de uma metrópole leva em conta não só seu tamanho populacional e territorial, mas a extensão de sua área de influência espacial. Em geral, ela é resultado da continuidade urbana de vários municípios justapostos, configurando um grande aglomerado urbano, e que acaba tendo influência social, econômica e cultural sobre diversas outras cidades distantes do epicentro metropolitano.
Um aspecto curioso que a pesquisa do IBGE detectou foi justamente a redução da influência relativa do Rio de Janeiro. Se a crise econômica brasileira é crônica, é certo que no Rio a situação é ainda pior, potencializada por uma crise política-institucional sem precedentes, que levou governadores para prisão, fragilizou a sociedade, provocando a fuga de empresas e capital humano qualificado.
Em todo mundo há casos de grandes cidades que entraram em profunda decadência em todos os aspectos, isto é, tanto social, econômico, como culturalmente. Muitas conseguiram se reerguer, mas há também exemplos de regiões urbanas que até continuaram crescendo em termos populacionais, mas ao preço da piora da desigualdade socioeconômica, da qualidade de vida da sua população, das oportunidades de trabalho e emprego, da proteção ao meio ambiente, etc.
O Rio de Janeiro até diz ter tentado se inspirar em Barcelona, cujos Jogos Olímpicos de 1992 foram determinantes para o salto de desenvolvimento que a cidade deu a partir de então. Mas o que se sabe é que a capital fluminense vem piorando em diversos itens, exemplificado pela enorme vacância imobiliária, inclusive nas regiões central e portuária que se imaginava reerguendo-se após as Olimpíadas Rio 2016.
Já nos casos de Florianópolis e Vitória, cabe mencionar as excelentes colocações que ambas as cidades vêm obtendo em índices que medem qualidade de vida, oportunidades de negócios, gestão pública, entre outros indicadores, e que ajuda a entender a atratividade e liderança que exercem em relação aos municípios que as circundam e formam suas respectivas regiões metropolitanas.
Aliás, as duas capitais insulares contam ainda com destacada geografia que conforma, em ambos os casos, uma paisagem atraente, potencializando-as como destino turístico, que se soma a outros importantes indicadores que contribuíram para o posicionamento delas na nova Divisão Urbano-Regional do Brasil.
Como já mencionado antes, algumas metrópoles, notadamente na América Latina, África e sudeste asiático não são apenas gigantescas, mas também exercem grande influência em seus territórios circunvizinhos. Porém, não são bons exemplos de áreas urbanas que oferecem qualidade de vida aos seus habitantes. É certo que parte da população que migrou para tais cidades estava fugindo de uma miséria ainda maior que encontravam em suas regiões de origem.
A questão é que no tamanho em que se encontram, a gestão delas fica comprometida, num círculo vicioso de problemas muitos deles insolúveis para que as administrações municipais e/ou metropolitanas possam tentar converter tais áreas urbanas em locais aprazíveis, que promovam o bem estar da sua população.
No Brasil, além de Floripa e Vitória, há outras metrópoles que merecem atenção, observando como os modelos de governança ali adotados vêm permitindo o salto de desenvolvimento sustentável que se espera que seja dado pelas nossas cidades, afinal é nela que a maioria dos brasileiros vivem e trabalham.