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Economia

O que é powershoring e qual é o potencial para o Litoral Sul do ES?

É uma oportunidade para municípios da microrregião expandirem e diversificarem a suas atividades econômicas, por meio da geração e distribuição de energia solar para outras regiões

Publicado em 30 de Março de 2024 às 01:30

Públicado em 

30 mar 2024 às 01:30
Sávio Bertochi Caçador

Colunista

Sávio Bertochi Caçador

O powershoring é à instalação de indústrias em locais com alto potencial de energias renováveis, como eólica e solar. A implementação dessas novas indústrias é uma forma de descentralização das cadeias globais de valor a partir da produção de energia em países/regiões onde existem fontes renováveis disponíveis com grande potencial – caso do Brasil.
A microrregião Litoral Sul é formada pelos seguintes municípios: Alfredo Chaves, Anchieta, Iconha, Itapemirim, Marataízes, Piúma, Presidente Kennedy e Rio Novo do Sul. Em 2002, 50% do PIB dessa microrregião eram do setor industrial e 39% de serviços, ao passo que, em 2021, 71% do seu PIB eram da indústria e 25% de serviços, segundo dados do IJSN. Outro dado interessante desse período é que a microrregião representava 5% do PIB estadual, em 2002, chegou ao pico de 21%, em 2014, e passou para 14%, em 2021.
O que mudou na estrutura produtiva do Litoral Sul nesse período de quase 20 anos? A resposta do aumento da participação no PIB estadual e na participação da indústria está na atividade de extração de petróleo e gás natural no mar capixaba. Para ser mais específico, essa atividade tem gerado arrecadação de rendas petrolíferas para os municípios de Anchieta, Itapemirim, Marataízes, Piúma e Presidente Kennedy.
Já a explicação para essa queda na participação do PIB estadual a partir de 2014 está na paralisação da Samarco por conta do desastre ambiental da sua barragem em Mariana-MG, mas que gradativamente vem retomando suas atividades.
Rendas petrolíferas, como royalties e participações especiais, entre outros, são compensações financeiras devidas à União, estados e municípios pelas empresas que produzem óleo e gás natural no território brasileiro. No caso específico de royalties, entre 2020 e 2023, esses cinco municípios do Litoral Sul arrecadaram R$ 1,7 bilhão, corrigidos pelo IPCA, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP).
É um volume razoável de recursos (com estimativa de manter patamar elevado) e é nisso que reside boa parte, senão toda, da explicação para o aumento de participação dessa microrregião no PIB estadual, principalmente na atividade industrial. É o que esclarece também municípios como Anchieta (R$ 190 mil), Itapemirim (R$ 164 mil) e Presidente Kennedy (R$ 580 mil) terem PIBs per capita bem superiores ao estadual (R$ 45 mil), em 2021.
No fundo, esses municípios não estão experimentando uma expansão de sua base produtiva com geração de empregos e renda a partir da extração de petróleo e gás, mas, sim, tendo seus PIBs “inflados” pelas rendas petrolíferas.
Como a atividade de extração de óleo e gás se baseia em um recurso não renovável, portanto finito, faz muito sentido as localidades que arrecadam rendas petrolíferas empregarem esses recursos para fomentar e financiar outras atividades produtivas, diferentes da atividade petrolífera.
É o que o Espírito Santo tem feito, por exemplo, com o seu Fundo Soberano. Nesse sentido, pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF) divulgaram um estudo muito interessante sobre fundos soberanos subnacionais – Rio de Janeiro e Espírito Santo, estaduais; e Ilhabela-SP, Maricá-RJ e Niterói-RJ, municipais – e como eles podem ser usados para financiamento do desenvolvimento sustentável e da infraestrutura com vistas a transição climática.
Presidente Kennedy já possui um fundo de desenvolvimento municipal e que vem produzindo resultados promissores para a localidade. Dessa forma, a ideia é que os municípios de Anchieta, Itapemirim, Piúma e Marataízes se inspirem nos exemplos de Presidente Kennedy, Ilhabela-SP, Maricá-RJ e Niterói-RJ, e criem seus fundos municipais para financiar o desenvolvimento sustentável e a infraestrutura.
Um tema específico e relevante para o ES que esses fundos municipais de desenvolvimento sugeridos poderiam priorizar é o financiamento de projetos de geração distribuída de energia solar. Isso pelos seguintes motivos:
1) dados da Agência de Regulação de Serviços Públicos do ES (ARSP) mostram que 46% da energia elétrica consumida no ES é importada de outras regiões do país;
2) a produção de energia renovável no Estado foi de 11,1% em 2021, o que significa um grande leque de oportunidade de investimentos em energias limpas no ES;
Perspectivas do Porto Central, terminal portuário de águas profundas em Presidente Kennedy, no Sul do Espírito Santo
Perspectivas do Porto Central, terminal portuário de águas profundas em Presidente Kennedy, no Sul do Espírito Santo Crédito: Porto Central/Youtube/Reprodução
3) a microrregião Litoral Sul, segundo estudo da ARSP, possui as melhores condições de radiação solar do Estado, essencial para a geração de energia fotovoltaica;
4) o mercado livre de energia tem crescido no Brasil e no ES, cujos players podem se tornar em importantes compradores dessa energia para distribuí-la e comercializá-la com outras regiões do Estado e do país;
5) Programa Gerar, que fomenta o uso de energias renováveis;
6) esses investimentos podem dinamizar a economia da região e, quiçá, atrair mais negócios correlatos à cadeia produtiva de energia solar, gerando empregos e renda – estudo feito pelo Sebrae, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a Organização dos Estados Iberoamericanos (OEI) mostram o potencial dessa cadeia.
Portanto, o powershoring representa uma oportunidade para municípios da microrregião Litoral Sul do ES expandirem e diversificarem a suas atividades econômicas, por meio da geração e distribuição de energia solar para outras regiões.

Sávio Bertochi Caçador

E economista, doutor em Economia pela Ufes, professor e consultor

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