No artigo passado, falei de um supermercado sem estacionamento que mudou a dinâmica do seu entorno na Praia do Canto. Pequeno detalhe, que não é um pequeno detalhe. Aquele episódio me fez colocar outros óculos, outro chapéu e olhar com mais atenção para o que vem acontecendo aqui no nosso Estado. Sem desqualificar o mundo lá fora. Mas é aqui que eu vivo, aqui que eu ando, aqui que eu respiro. E quem lê esta coluna, imagino, é do mesmo perfil.
Vitória vive um momento singular. Uma série de intervenções públicas começa a redesenhar a silhueta de uma das mais antigas capitais do Brasil, fundada em 1551, mais velha do que muita capital que a gente reverencia.
Na semana passada, no dia 2 de abril, foi inaugurado o Cais das Artes. Quinze anos de espera, paradas, promessas. Mas ficou pronto. Projeto do arquiteto Paulo Mendes da Rocha, Prêmio Pritzker, o Nobel da arquitetura, o complexo chega ao mundo com a exposição “Amâzonia”, de Sebastião Salgado, póstuma e deslumbrante, que já passou por Paris, Roma, Londres, Rio e São Paulo. A primeira parada é aqui. Entrada gratuita. O Espírito Santo entrou, com estilo, no mapa artístico do Brasil.
E o Canal de Camburi? Uma intervenção espetacular dentro do projeto Vitória de Frente para o Mar. São R$ 219,9 milhões de investimento, 3,3 quilômetros de orla sobre a água, marina, atracadouros flutuantes, restaurantes, ciclovias e passarelas conectando a Praia do Canto ao Pontal de Camburi. Uma cidade-ilha que finalmente olha para o próprio mar. Como velejador, me emociono só de imaginar. Quem navega, sabe: a relação de uma cidade com sua orla diz muito sobre seu caráter.
Mas não é só a Capital. Rodo muito pelo interior e pelo litoral e o que eu vejo me surpreende sempre. Anchieta vira canteiro de obras de alto padrão. Guarapari é o único município balneário do Brasil ligado à Capital por duas rodovias duplicadas: duas. E a paisagem da estrada transforma o passeio numa música de Caetano. Venda Nova do Imigrante cresceu de um jeito que me deixou perplexo: obra por toda parte, cidade bonita, forte, vibrante. E Santa Teresa? Acabei de voltar da Itália em março e, domingo passado, senti-me passeando pelas vilas italianas de novo. História preservada, desenvolvimento equilibrado, investimentos em infraestrutura. Uma joia.
Os números confirmam o que os olhos já enxergam: o Produto Interno Bruto (PIB) do Espírito Santo cresceu 3,9% em 2025, acima da média nacional de 2,3%. Taxa de desemprego de 2,4%, uma das menores do país. Economia que movimenta R$ 248 bilhões por ano. Indústria, agronegócio, serviços, tudo crescendo junto. Este Estado pequeno em terras e gigante em competência vem silenciosamente construindo uma das melhores histórias do Brasil contemporâneo.
Costumo dizer que o Espírito Santo é um gigante adormecido. Mas olhando para tudo isso, acho que já é hora de rever a metáfora. O gigante acordou. Está de pé. E começa a andar com um “passão” de quem tem muito a mostrar ao mundo.