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Mestre em Direitos e Garantias Fundamentais. Pesquisa questões referentes a gênero, discursos, poder e violências contra mulheres

Violências que buscam silenciar mulheres seguem sem resposta

Assassinato de Marielle Franco completou 1000 dias sem que o Estado brasileiro respondesse à pergunta que ecoa e que muitos fingem não ouvir: quem mandou matá-la?

Publicado em 09/12/2020 às 05h00
Atualizado em 09/12/2020 às 05h04
 Placas de sinalização da Avenida Princesa Isabel, em Vitória, receberam adesivos com o nome de Rua Marielle Franco, vereadora defensora dos direitos humanos assassinada em março de 2018
Avenida em Vitória recebeu adesivos de Rua Marielle Franco para lembrar os 1000 dias do assassinato. Crédito: Fernando Madeira

Ontem foi o marco de 1000 dias desde o assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes. Mil dias sem que o Estado brasileiro respondesse à pergunta que ecoa e que muitos fingem não ouvir: quem mandou matar Marielle?

Diante dessa pergunta, entendo que não há que se falar em impunidade pura e simplesmente. Esse discurso de impunidade não pode continuar sendo reproduzido sem maior criticidade em um país que tem quase 800 mil pessoas presas. A punição é feita sim e cotidianamente. 

Por outro lado, podemos falar em uma seletividade no que se investiga e pune ou não. Aí entra o assassinato de Marielle e Anderson. E entram também tantas outras violências que estão cada vez mais afloradas no nosso país e que se assemelham no modus operandi do tratamento do Estado brasileiro com relação à investigação e resposta para esse assassinato político de gênero de Marielle.

A deputada federal Talíria Petrone deixou o Rio de Janeiro com sua filha por receber ameaças de morte e não ter até hoje nenhuma resposta de proteção por parte do Estado. Carol Dartora, primeira vereadora eleita negra de Curitiba recebeu ameaça de morte em um e-mail recheado de ódio e racismo. 

O autor das ameaças justificava a intenção de matá-la pelo fato de ele estar desempregado e ela ganhar um salário de vereadora “apenas por ser macaca”. Benny Briolly, primeira vereadora trans eleita em Niterói, também está sendo ameaçada de morte e, segundo as ameaças, será feito o mesmo que fizeram com Marielle.

Esses três foram só alguns exemplos do que as mulheres – e a maioria mulheres negras – eleitas estão sofrendo ultimamente sem que o Estado brasileiro consiga responder efetivamente. Não é de hoje que as mulheres, ao ocuparem os espaços reservados historicamente aos homens, são agredidas. Verbal e fisicamente, não há por eles nenhuma vergonha ou medo de agredir. Não há vergonha ou medo de não aceitar a democracia, a representativa, a luta de cada um e de cada grupo por seus direitos.

Dizem que muitas pessoas que atacam o fazem para repelir algo que incomoda internamente. Repelem antes que os atinjam. Talvez seja esse o caso. A intenção de silenciar para sempre as mulheres eleitas que vão ocupar o espaço que, sim, também é nosso.

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