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Empreendedorismo

Sobrevivência disfarçada: a conta chegou e Bolsonaro não está pagando

Não há interesse por parte do governo que as pessoas não morram de fome; aliás, vejo essa demora como um artifício já que, quanto mais tempo a renda básica demorar a chegar às mulheres necessitadas, mais forçadas elas se sentirão a quebrar o isolamento

Publicado em 08 de Abril de 2020 às 05:00

Públicado em 

08 abr 2020 às 05:00
Renata Bravo

Colunista

Renata Bravo

Jair Bolsonaro
Presidente Jair Bolsonaro Crédito: Isac Nóbrega/PR
Sabemos que seguir as recomendações de especialistas não é o forte de Jair Bolsonaro. Ele não acolhe as indicações da Organização Mundial da Saúde que o mundo inteiro está cumprindo, muito menos o que a ONU aponta com relação a proteção das mulheres nessa crise mundial pela qual estamos atravessando.
Em março, a ONU Mulheres para as Américas e Caribe divulgou recomendações para que mulheres e igualdade de gênero sejam incluídas na resposta à pandemia da Covid-19. Constatou-se – a partir de pesquisas, diferentemente do que faz o atual governo - que as mulheres continuam sendo as mais afetadas pelo trabalho não-remunerado, que a redução da atividade econômica afeta, em primeira instância, trabalhadoras informais, além de afetar de forma particular as trabalhadoras domésticas.
Dentre as recomendações estão a adoção de medidas de compensação direta para trabalhadoras informais, incluindo trabalhadoras da saúde, trabalhadoras domésticas, migrantes e dos setores mais afetados pela pandemia, para que seja possível manter a geração de renda e os meios de subsistência das mulheres mais afetadas, e a promoção de estratégias específicas para o empoderamento e recuperação econômica das mulheres, considerando programas de transferência de renda.
A Renda Básica Emergencial (RBE), assim como foi e continua sendo com o Bolsa Família, está no sentido adequado dessas recomendações e tem vital importância para milhões de mulheres brasileiras. Com o Bolsa Família, Dona Inês disse: “Foi a única coisa que me deu crédito na vida. Antes eu não tinha nada”.
Recomendo que vejam o que Dona Inês e outras mulheres disseram em Vozes do Bolsa Família: autonomia, dinheiro e cidadania. Agora com a RBE, as mulheres que estão no front dos serviços de atenção e cuidado, dentro e fora de suas casas, poderão passar por esse período com um pouco menos de abalo emocional e financeiro. A preocupação pela qual todos estamos passando ficará mais atenuada para essas mulheres que, além do temor de perder a vida e perder entes amados, têm a preocupação em não perder nenhum parente de fome.
Bolsonaro demorou dias para sancionar a RBE e o governo federal ainda está há mais de uma semana dizendo que vai regularizar, que vai pagar, sempre com promessas e sem planejamento. Não há interesse por parte do atual governo que as pessoas não morram de fome; aliás, vejo essa demora como um artifício já que, quanto mais tempo a renda básica demorar a chegar às mulheres necessitadas, mais forçadas elas se sentirão a quebrar o isolamento social para conseguir se manter financeiramente. Assim, a RBE é também uma política de saúde pública já que colabora para manter a quarentena e previne a superlotação dos leitos hospitalares.
Especialmente a partir do governo Temer, vem-se criando a ilusão de que a sobrevivência disfarçada de empreendedorismo seria a solução para o Brasil, mas em tempos de isolamento social e impossibilidade de “empreender”, essa fantasia se desmonta e a realidade salta aos olhos. Para Bolsonaro, tem sido mais fácil construir a falácia da meritocracia, pois, assim, ele não precisa implementar políticas públicas. Só que a hora de pagar essa conta chegou e Bolsonaro não está pagando. Quem tem fome, tem muita pressa, então, #PagaLogoBolsonaro.

Renata Bravo

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