Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

“Vai um leitinho aí?”

O leite virou símbolo do governo Bolsonaro para mostrar seu autoritarismo

O jogo da ministra Damares desde o início do governo é este: não há investimento em políticas públicas de qualidade, não há gestão de recursos, de políticas, de ações para os mais vulnerabilizados socialmente

Publicado em 03 de Junho de 2020 às 05:00

Públicado em 

03 jun 2020 às 05:00
Renata Bravo

Colunista

Renata Bravo

Damares Alves, ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos
Damares Alves, ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos Crédito: Marcelo Camargo | Agência Brasil
“Vai um leitinho aí?” Foi assim que Damares Alves, a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos começou um vídeo publicado no último fim de semana, no seu Twitter, com legenda homônima. Segundo ela, deveríamos celebrar com leite o trabalho da “maior ministra que esse país já teve” (se referindo a Tereza Cristina), a fim de “incentivar todo mundo a consumir esse líquido maravilhoso”.
O leite é mais um símbolo que o governo Bolsonaro passou a usar na última semana para demonstrar seu autoritarismo, genocídio, desprezo pelas vidas, já que a imagem do líquido é um dos artifícios utilizados para afirmar de forma criminosa e desumana a inimaginável superioridade de brancos. De forma bem articulada, todos os escalões desse governo agem para transmitir a mensagem do momento e Damares não estaria fora desse teatro.
Em vez de encenar o cinismo do jogo fascista do atual governo federal, Damares deveria investir para colocar o mínimo de dignidade na mesa de mais de 11,5 milhões de mulheres que são mães solo e que assumem sozinhas o sustento de seus filhos. Segundo pesquisa do Instituto Locomotiva, em 31% das casas sustentadas por essas mulheres já faltou dinheiro para comprar produtos de limpeza durante a pandemia, momento que requer, mais do que nunca, higienização dos ambientes para evitar o contágio pelo novo coronavírus. Também é em 35% dessas casas que já faltou comida. Sim, comida. O básico. O mínimo. Não tem sequer o “líquido maravilhoso” pregado por Damares.
Para o enfrentamento da pandemia, Damares tem à disposição R$ 45 milhões. E sabe quanto ela gastou? R$ 2 mil (vou escrever por extenso pra não deixar dúvidas: dois mil reais). Para enfrentar a Covid-19 na perspectiva dos direitos humanos, das mulheres e da “família”, Damares gastou 0,004% do orçamento disponível, um total de nada! A omissão deliberada ignora o fato de que desse total de mães solo, 75% pediram o auxílio emergencial e somente 27% conseguiram; ignora que há aumento de violência doméstica contra as mulheres; ignora que a maioria das profissionais que estão na linha de frente do combate ao novo coronavírus é de mulheres, sendo elas as mais atingidas. O que o ministério faz positivamente? Nada! E não é por falta de dinheiro.
Esse é o jogo que a ministra faz desde o início do governo. Não há investimento em políticas públicas de qualidade, não há gestão de recursos, de políticas, de ações para os mais vulnerabilizados socialmente. Mas essa é uma forma de fazer gestão. Como Damares disse no vídeo, “é o governo Bolsonaro”. Essa é a forma como o governo Bolsonaro atua para gerir as vidas, ou pior, as mortes das brasileiras e dos brasileiros.

Renata Bravo

Renata Bravo assina uma das colunas de A Gazeta

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Vídeo de patinador atravessando pela Segunda Ponte viraliza e PRF faz alerta
Imagem de destaque
De doces a roupas: feira incentiva empreendedorismo feminino em Cariacica
Aumento nas taxas de condomínio não deve ser feito de forma unilateral pelo síndico
Taxa condominial cresceu 25% em 2025: veja quando o aumento pode ser contestado

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados