Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Em meio à pandemia

É hora de criar um código para enfrentar a violência contra as mulheres

A redução de 8,6% nas denúncias demonstra que o isolamento social dificulta a busca de ajuda pelas mulheres, justamente no momento em que elas mais precisam: quando estão inseguras no próprio lar

Publicado em 06 de Maio de 2020 às 05:00

Públicado em 

06 mai 2020 às 05:00
Renata Bravo

Colunista

Renata Bravo Renata Bravo
Data: 20/12/2019 - ES - Vitória - Mulher vítima de violência doméstica
Mulher vítima de violência doméstica Crédito: Carlos Alberto Silva
Temos acompanhado, desde o início da pandemia do novo coronavírus, várias reportagens noticiando que países como Argentina, Chile, França e Espanha criaram códigos de emergência para que mulheres em situação de violência doméstica pudessem pedir ajuda de forma mais célere e recebendo maior atenção ao problema. Os códigos remetem ao uso de máscara e ao número 19, por conta da Covid-19, como “máscara19”.
Nestes países citados, foram feitas parcerias com o setor farmacêutico, para que as mulheres que acionem o código tenham o atendimento de acordo com o planejamento e a capacitação dos atendentes, a fim de que essas mulheres possam ser o mais brevemente afastadas das situações de violência doméstica.
Acreditamos que, para a realidade brasileira, seja interessante que essa parceria seja realizada com os supermercados/mercados/padarias, em um primeiro momento, para depois, se for possível e necessário, expandir para outros setores. Primeiro porque a experiência brasileira remete mais ao uso cotidiano de mercados do que ao de farmácias, ainda que esteja havendo um crescimento vertiginoso de redes farmacêuticas por aqui. Segundo, porque é preciso que alguma coisa urgente seja feita.
O que se observa por parte do governo federal, principalmente, é um silenciamento quanto às demandas de atenção de mulheres e de igualdade de gênero na resposta ao enfrentamento à pandemia do novo coronavírus. O silêncio diz muito. Para combatê-lo, nomeamos os problemas e criamos estratégias para reverter a ordem do silenciamento e do desaparecimento da importância da vida das mulheres.
A experiência de outros países é imprescindível para repensar as formas como as mulheres podem denunciar as agressões e violências sofridas, levando em consideração ainda o fato de que, para milhares de mulheres brasileiras, não há possibilidade de distanciamento físico para que possam realizar uma chamada telefônica sem que outras pessoas da sua residência a ouçam.
Além disso, segundo levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, no Brasil, o número total de denúncias caiu de 8.440 em março de 2019 para 7.714 em março de 2020, o equivalente a uma redução de 8,6%. Isso demonstra que o isolamento social dificulta as mulheres a realizarem as denúncias e a procurarem ajuda quando mais precisam, quando estão inseguras no próprio lar.
Se o governo federal não toma a iniciativa que lhe cabe, por meio do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, é imperioso o chamamento dos Estados – que muito têm feito desde o início para enfrentar a Covid-19 quando a União silenciou ou agiu na contramão da vida – a construírem mais essa política de atenção às demandas urgentes da sociedade. Somos capazes de criar o nosso próprio código, e sugiro o “Álcool 180”, com as rotinas adequadas de acolhimento às mulheres que precisam se sentir seguras neste momento de crise.

Renata Bravo

Renata Bravo Renata Bravo

Renata Bravo assina uma das colunas de A Gazeta

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Perdeu a visita do agente de endemias? Saiba como reagendar em Vila Velha
Os petistas João Coser, pré-candidato a deputado federal; Helder Salomão, pré-candidato a governador do Espírito Santo; e o senador Fabiano Contarato, que busca a reeleição.
Candidaturas de Helder e Contarato são oficializadas em convenção de PT, PV e PCdoB
Empresário, Adenilson Pansini também dedica a vida à preservação da natureza
Prêmio Biguá: projetos de preservação ambiental inspiram mudanças no ES

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados