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Mestre em Direitos e Garantias Fundamentais. Pesquisa questões referentes a gênero, discursos, poder e violências contra mulheres

Documentário de Michelle Obama mostra que representatividade importa

A presença de mulheres em espaços de poder incomoda quem não quer que a sociedade mude. Michelle, Dilma, Marielle e tantas outras mulheres, cada uma com suas experiências, dificuldades e conquistas, mostram-nos isso

Publicado em 13/05/2020 às 05h00
Atualizado em 13/05/2020 às 05h00
Becoming: documentário de Michelle Obama
Becoming: documentário de Michelle Obama. Crédito: NETFLIX/Divulgação

Em meio a títulos disponíveis, especialmente agora em tempos de quarentena, decidi assistir no último fim de semana ao recém-lnaçado “Becoming” (“Minha História”, na tradução brasileira), documentário que mostra os bastidores da turnê de divulgação do livro homônimo de Michelle Obama. Assisti e chorei. Talvez tivesse assistido em outros tempos, não teria caído uma lágrima sequer, mas assistir ao filme nos tempos em que estamos vivendo, sem dúvida tem outro sentido.

Não quero aqui me passar por crítica de filmes; jamais me atreveria a este papel que não sei exercer. O que quero é exaltar a importância do documentário e, antes de tudo, da figura de Michelle Obama. Para quem não está fazendo a relação, Michelle é a ex-primeira dama dos Estados Unidos, casada com Barack Obama, ex-presidente norte-americano. A família Obama foi a primeira – e até agora, a única – família negra a ocupar a Casa Branca, que agora é ocupada pelo presidente cujo slogan é “tornar a América grande novamente”.

A presença de Michelle, seja durante as campanhas eleitorais ou no decorrer do exercício dos dois mandatos presidenciais de Barack, tem muitos significados e importa muito. Importa por ser uma mulher com atuação reconhecida em sua profissão, por ser negra, por pretender criar as duas filhas do casal da maneira mais “comum” possível dentro da Casa Branca.

Importa quando ela relata que sai da Casa Branca com uma das filhas para comemorar, em 2015, a decisão da Suprema Corte de que é um direito fundamental que pessoas do mesmo sexo se casem, e também quando vemos jovens e senhoras emocionadas a falarem da época em que a família Obama ocupou a Casa Branca.

Não chorei por um fato específico retratado no documentário. Chorei por enxergar a onda devastadora de liberdades, de direitos fundamentais e humanos que vem se alastrando com a eleição de Donald Trump e de Jair Bolsonaro, que se espelha naquele quando se trata de desrespeito à imprensa e ao decoro que um presidente da República deve ter. Chorei por lembrar que, quando parte dos norte-americanos pede para que a “América seja grande de novo”, querem destruir a potência da imagem que Michelle representou, o que, infelizmente, também vem acontecendo no Brasil mais fortemente há quatro anos.

A presença de mulheres em espaços de poder incomoda quem não quer que a sociedade mude, quem acredita em uma universalidade de ideias, cores, escolhas, vivências. Representatividade importa. Michelle, Dilma, Marielle e tantas outras mulheres, cada uma com suas experiências, dificuldades e conquistas, nos mostram isso. Nos mostram também que o caminho é árduo muitas vezes. Marielle virou semente na vida de milhares de meninas e mulheres brasileiras, que honram a sua história. Michelle está levando a sua própria história para tornar possível a vitória de tantas outras.

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