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Rede social censura conteúdos de pessoas 'gordas' e 'feias'?

O mais sensato seria que as novas diretrizes de moderação fossem novamente divulgadas pelo aplicativo

Publicado em 06/05/2020 às 09h00
Atualizado em 06/05/2020 às 09h01
Aplicativo TikTok
Aplicativo TikTok. Crédito: Shutterstock

O TikTok é o aplicativo do momento que virou uma febre mundial, tornando-se um fenômeno entre as redes sociais. Mas polêmicas tomaram conta entre os usuários com algumas acusações de gordofobia, pedofilia, vazamento de dados, intolerância religiosa, entre outros.  

O aplicativo pertence ao grupo chinês ByteDance, que no final de 2019 teve suas diretrizes de moderação vazadas. Dentro das regras de moderação do aplicativo continha a ordem de censurar vídeos e conteúdos de pessoas consideradas (consideradas por quem?) feias, gordas ou com qualquer deformidade corporal, aparentemente pobres, com deficiência, além de conteúdos LGBTQ+. O aplicativo admitiu a censura para jornais, como o The Guardian, e disse que era uma política de antibullying.

Mas eu te pergunto: Que política antibullying é essa, onde se censura a vítima, mas não se pune o autor? Não existe nenhuma informação de exclusão de contas ou punições direcionadas aos usuários praticantes de bullying no aplicativo. Uma política equivocada onde o aplicativo se exonera das responsabilidades de gestão por detrás de uma censura muito mal explicada.

Essa política de antibullying eu nomeio de “discriminação". Sem falar que ela acaba fomentando ainda mais os padrões estéticos inatingíveis e a vida perfeita ilusória criada nas redes sociais, algo que já vem perdendo efeito entre os assíduos das redes.

No início do ano a cantora americana Lizzo, premiada na música e declaradamente ativista no movimento Body Positive, acusou o aplicativo Tiktok de “gordofobia”, alegando que seus vídeos de biquíni não estavam sendo distribuídos e seu alcance estava sendo prejudicado, comparando-se aos conteúdos de mulheres magras de biquíni que estavam sendo distribuídos sem qualquer restrição.

O Tiktok disse que não censura mais conteúdos dessas pessoas, mas a polêmica retornou essa semana com depoimentos de diversos usuários confirmando que seus conteúdos não estavam sendo distribuídos normalmente. O aplicativo também sofreu com acusações de armazenamento ilegal de dados de menores de 13 anos. Além disso, pagando multas em torno de 5,7 milhões dentro de casos de pedofilia que ocorreram no aplicativo e não foram solucionados, afinal o aplicativo permite que crianças e adolescentes postem vídeos dançando de maneira que atraem os pedófilos cibernéticos de plantão.

Uma das especulações da censura dos vídeos de pessoas não tão “atraentes" é porque o aplicativo permite que os usuários ganhem dinheiro rápido indicando-o a outras pessoas com convite para rede social. Quanto mais “atrativo” e “tumbrl” forem os vídeos, mais chances de novos usuários baixarem a rede e assim mais dinheiro pro ByteDance. Uma jogada de mestre. Se o aplicativo é considerado uma pirâmide, ainda não sabemos, mas fica a reflexão.

A maioria das polêmicas ocorreram no final de 2019 e o aplicativo ainda não era uma febre no Brasil. Então, a maioria de nós, não ficou atento aos desfechos dessas questões, mas acusações voltaram a ser realizados recentemente e fica o questionamento: Será que o TikTok realmente alterou suas políticas de censura?

Acredito que pelo tamanho da polêmica, o mais sensato seria que as novas diretrizes de moderação fossem novamente divulgadas, assim o usuário poderia ter certeza de que seus conteúdos não correm o risco de serem censurados novamente por motivos considerados por mim como discriminatórios.

Não podemos negar que o aplicativo diverte e gera diversas possibilidades de entretenimento e criações de conteúdo, mas não podemos negar que se trata de uma rede controversa e carregada de condutas questionáveis, não é mesmo?!

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