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Empreendedorismo

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Outro dia, assisti ao vídeo de um bonito discurso da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie para formandos da universidade Harvard em 2018. No final, ela abordou o tema da procrastinação

Públicado em 

20 ago 2025 às 05:01
Rafael Furlanetti

Colunista

Rafael Furlanetti

Procrastinar é uma dessas palavras que a gente não usa muito porque são difíceis de falar. Quer dizer adiar, postergar, enrolar, empurrar com a barriga, deixar para depois uma tarefa, uma decisão ou qualquer outra coisa que a gente não quer ou não gosta de fazer. Envolve trocar algo incômodo por uma coisa mais agradável.
Outro dia, assisti ao vídeo de um bonito discurso da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie para formandos da universidade Harvard em 2018. No final, ela abordou o tema da procrastinação. Escritora de sucesso, Chimamanda deu um exemplo da própria vida: contou que muitas vezes se sentava para escrever e, em vez de começar, perdia tempo pesquisando sapatos em sites de compras, sem comprar nenhum par. Enfim, procrastinava. Fazia isso porque estava com dificuldades para começar a escrever.
Seu ensinamento com esse episódio é valioso: “Procrastinar é uma forma de medo - e é difícil admitir ter medo. Mas a verdade é que você não pode criar nada de valor sem dúvida e autoconfiança: sem a dúvida, você se torna complacente; sem autoconfiança, você não pode ter sucesso. Você precisa dos dois!”.
discurso da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie para formandos da universidade Harvard em 2018
Discurso da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie para formandos da Universidade de Harvard em 2018 Crédito: Reprodução
Como todo profissional e empreendedor, escritores têm de confiar em si mesmos, aceitar riscos, encarar desafios, lidar com prazos e exigências. Seu maior terror é o bloqueio criativo, que acontece quando precisam, mas não conseguem escrever. Como a literatura é uma forma de arte, as pessoas podem pensar que escrever é uma questão de pura inspiração. Negativo.
Da mesma forma, muita gente pode achar que criar um negócio é coisa para quem tem um talento especial, nasceu pronto para aquilo, teve sorte. Negativo. O escritor e o empreendedor precisam se dedicar, trabalhar duro e superar o medo. Inspiração pode existir. Mas, sem o esforço, ela se transforma em nada. A motivação começa, mas é a disciplina que vence.
Mas do que podem ter medo os formandos de Harvard, uma das melhores universidades do mundo? Como ela diz, eles têm medo de não serem tão bem-sucedidos como imaginam, de não atenderem às expectativas e de serem comparados a outros tão bem formados como eles. O medo de fracassar, de não conseguir realizar um projeto ou de não corresponder ao que se espera pode ser paralisante.
Ter medo, ter dúvidas, não é só normal, como pode ser bom. Leva a pensar mais, estudar a fundo, rever procedimentos, refazer contas, corrigir erros. Isso pode nos ajudar a aprimorar, a fazer coisas melhores. O medo existe para ser dominado, coisa que os corajosos sabem fazer. Como dizia outro grande escritor, o americano Mark Twain, “coragem é a resistência ao medo, domínio do medo, e não a ausência do medo”.
Ficar parado diante de desafios não é uma opção para quem empreende, para quem quer crescer. A procrastinação pode custar um tempo valioso, muitas vezes decisivo. O governo, por exemplo, adia há anos uma política fiscal mais dura para ajustar as contas públicas. Enquanto não faz isso, o Banco Central precisa manter os juros em patamares muito altos – 15% ao ano -, para controlar a inflação. Todos perdem com isso.
A gente precisa sonhar. Mas, para fazer o sonho se tornar realidade, é preciso ter atitude para dar o primeiro passo. Uma estratégia é estabelecer metas desafiadoras, mas possíveis. Fazer um planejamento e dar pequenos passos de cada vez, até pegar o ritmo.
Chimamanda deixou de procrastinar, saiu dos sites de compras, escreveu, publicou livros, fez sucesso e ganhou prêmios. Ela encerrou o discurso para os alunos de Harvard com um poema, cuja última frase é: “Sempre que você acordar, esta é a sua manhã.” Quem quer realizar coisas precisa confiar nisso.

Rafael Furlanetti

Capixaba de São Gabriel da Palha, é sócio e diretor de Relações Institucionais da XP. Escreve quinzenalmente neste espaço sobre empreendedorismo, inovação e negócios ao público do Espírito Santo

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